ESPAÇO COLECTIVO ARTISTICO E CULTURAL - COORDENADO PELA POETISA AMÉRICA MIRANDA - E ONDE SE INSEREM AS CONTRIBUIÇÕES DE TODOS OS TERTULIANOS, TANTO EM VERSO COMO EM PROSA, COM O OBJECTIVO DE DIVULGAÇÃO E HOMENAGEM AO GRANDE POETA ELMANO SADINO !
Sexta-feira, 30 de Junho de 2006
CRÍTICA BOCAGEANA - ASSIM FALAM OS ESPECIALISTAS !
HERNÂNI CIDADE 6
Conclusão
“...Para terminar, lembremos a crítica que à perfeição do verso bocageano fez o poeta brasileiro Olavo Bilac, de quem a Academia Brasileira de Letras, quando do segundo centenário do nosaso poeta, enviou em medalhão a figura em bronze que dele representa a cabeça, como homenagem ao seu par português. Bilac era um mestre do verso perfeito e, assim, autoridade inexcedível no juízo que formulou sobre a mestria de Bocage:
«Em Portugal – diz Bilac – a arte de fazer verso chegou ao apogeu com Bocage e depois dele decaiu. Da sua geração e das que a precederam, foi ele o máximo cinzelador da métrica. (...) Portugal teve talvez poetas mais fortes, de surto mais alto, de mais fecunda inspiração. Mas nenhum o excedeu nem o igualou no brilho da expressão.»
Olavo Bilac é perfeitamente justo em considerar Bocage «o máximo cinzelador da métrica». O que talvez seja igualmente justo é reconhecer que tal se deve à herança, que ele recebeu e a que foi fiel, dum classicismo tocado de certo grau de barroquismo que, por felicidade, apenas raramente assoma na sua obra, mas, quando surge, dá-lhe uma graça de irresistível sedução. De qualquwer modo, parece que a melhor definição que da sua arte de poeta podemos dar é a que a patenteie coimo espontânea resultante de um ser essencialmente harmonioso, dir-se-ia que por graça de Deus se comunicando em canto, e do seu esforço na utilização da lição clássica. Esta fazia de toda a arte, mas principalmente da poesia, prazer fruído por todas as faculdades: razão e inteligência, sensibilidade e imaginação, destas duas, porventura, o superior grau da primeira compensando a relativa pobreza da segunda. Da colaboração de todas estas faculdades provinha também a força que o naturalista alemão Frederico Link, que por esse tempo visitou Portugal, notou na obra daquele que todos lhe diziam ser o maior poeta dos contemporâneos”.
F I M