ESPAÇO COLECTIVO ARTISTICO E CULTURAL - COORDENADO PELA POETISA AMÉRICA MIRANDA - E ONDE SE INSEREM AS CONTRIBUIÇÕES DE TODOS OS TERTULIANOS, TANTO EM VERSO COMO EM PROSA, COM O OBJECTIVO DE DIVULGAÇÃO E HOMENAGEM AO GRANDE POETA ELMANO SADINO !
Sexta-feira, 7 de Outubro de 2005
ISTO SERÁ TERTÚLIA ? « Quem cala consente ! »
RAZÃO PERTURBADORA
Por
Frassino Machado
Jamais esconjurei vossa atitude
por saber que de vós eu renasci
mas, se é verdade aquilo que ouvi,
há nisso muito pouco de virtude.
Dedico a todos vós minha saúde
qu este combate nobre eu pressenti
e porque mais nenhum eu descobri
é nele que eu terei solicitude
Tudo aquilo que eu faço tem condão
da nossa Presidente qu interpelo
p ra saber onde estou e condição.
Quero que me desculpem este desvelo
minhas tarefas dou com devoção
se p ra isso tiverdes igual zelo !
Frassino Machado
In ODISSEIA DA ALMA
Terça-feira, 4 de Outubro de 2005
« SEM COMENTÁRIO ! - COM COMENTÁRIO ! » - AI, Ó BOCAGE !!
1. SEM COMENTÁRIO :
«MINISTÉRIO DA CULTURA» RECUSA VERBA À CASA DO BOCAGE !
O Ministério da Cultura recusou conceder 100 mil Euros à Câmara de Setúbal para a musealização da Casa do Bocage, revelou ontem o presidente da Autarquia, Carlos de Sousa.
A candidatura para a obtenção de um financiamento para as Comemorações do Bicentenário da morte do poeta Bocage tinha sido excluída pelo anterior governo, mas a então ministra da Cultura, Maria João Bostorff, acabou por se comprometer com um apoio de cerca de 100 mil euros, através do Programa Operacional da Cultura, disse à Lusa o autarca.
Este apoio financeiro, que foi agora recusado pelo novo governo, destinava-se à recuperação, musealização e informatização da Casa do Bocage, esclareceu o edil, que prometeu desenvolver esforços para sensibilizar a Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, para a importância do Projecto. Caso não seja possível obter o apoio do Ministério, Carlos Sousa admite fazer alterações no Projecto para reduzir custos e desenvolver esforços para encontrar outras fontes de financiamento,
In C.M. 18-06-2005
2. COM COMENTÁRIO :
É lamentável que a chamada Casa do Bocage ( chamada, pois a verdadeira Casa onde nasceu Bocage infelizmente foi destruída, para se construir a actual) a utilizar para diversos eventos Artísticos, Literários, variadas manifestações Culturais e dedicada a guardar elementos de estudo Bocagiano e algum raro espólio de Bocage ou de seus admiradores que a ele se dedicaram, não tenha a necessária assistência por falta de diminuta verba e por real desinteresse.
Se fora a Casa da Mariquinhas a merecer cuidados ela teria verba, resguardo e remodelação precisa.
É triste que Bocage, uma das maiores glórias de Setúbal, de Portugal e até do Mundo dedicado às Letras, não tenha as honras merecidas no 2º Centenário da sua morte.
Bocage, o Grande Poeta, parece não ser digno de honrarias nem de ter Cenotáfio em local destinado a lembrar e homenagear ilustres figuras nacionais.
Fiquemos com o lamentar e a sabedoria que é preferível ser famoso com um pé talentoso, do que famoso com um cérebro genial, criador de elevados pensamentos e de belas Obras Poéticas.
Fernando Eloy do Amaral
A TRIBUNA DOS POETAS - AMÉLIA MARQUES e AMÉRICA MIRANDA
SANTOS POPULARES
Por
Amélia Marques
Anda cá, ó Mariquinhas,
anda comigo cantar
na noite de Santo António
dar ao peziinho, a marchar!
Anda cá, ó Mariquinhas,
anda cá, ó meu amor,
o arco vamos levar
com balões de uma só côr.
Lá vai Lisboa toda airosa,
de chinelinho no pé,
lá vai Lisboa catita
para mostrar como é.
Cheia de garra e bairrismo
perfumada a manjerico
alegre lá vai marchando
ao lado do namorico.
Lá vai a Graça muito engraçada,
com a graça habitual,
por onde passa espalha graça
nas ruas da capital.
Padroeiro de Lisboa,
que dás vida, alegria e flores,
abrilhantas a cidade
trajada de multicores.
Vibra todo o Alfacinha,
com seus Santos Populares,
ao comer bela sardinha
regada com a pinguinha
das adegas de Colares.
Querido Sant Antoninho,
noite de farra ofereces,
divertes o lisboeta
e atendes às suas preces!
Amélia Marques
In FLORES DO CAMPO
*
RECORDAÇÃO
Por
América Miranda
Quando, amor, te conheci
fiquei presa ao teu olhar
e nesse instante eu senti
que muito te iria amar.
Foi um amor tão ardente,
tão doce e apaixonado,
que o sol um astro tão quente
ficou logo enciumado.
As estrelas não gostavam
ao ver meus olhos brilhar
pois certamente pensavam
que o brilho as fosse ofuscar.
Beijava meu corpo o mar
mas sabia de antemão
que eu só podia amar
a quem dei meu coração.
E todo o Firmamento
quando nos via beijar
parava por um momernto
num doce deslumbramento
só p ra nos poder espreitar.
E foi tal o encantamento
desse tão estranho fulgor
que ficou escrito no vento
para sempre o nosso amor!
América Miranda
Segunda-feira, 3 de Outubro de 2005
DEMONSTRAÇÃO CABAL DE «CULTURA INCULTA» !
Um Artigo infeliz
da
"AGENDA CULTURAL DA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA"
Aquando da REABERTURA DO MUSEU BOCAGE
O PRIMO DOS BICHOS
Por
Rui Tavares
Em primeiro lugar, vamos desfazer os equívocos. Não. O Museu Bocage não diz respeito à vida e à obra do poeta do mesmo nome. Ou melhor, alguma coisa terá ainda a ver: o boémio e libertino Manuel Maria Barbosa du Bocage era descendente de um francês chamado Gil L'Hédois du Bocage, e este era também "coantepassado" ou antepassado comum, como se diz agora em jargão neodarwinista de um primo em segundo grau, José Vicente Barbosa du Bocage, nascido em 1823 na cidade do Funchal. Além dos ancestrais nada tinham em comum, porque José Vicente era paciente e estudioso, ao passo que Manuel Maria vocês sabem que não era nada disso. José Vicente estudou em Coimbra e foi o primeiro professor de Zoologia em Lisboa, onde esteve no quadro fundador da Escola Politécnica, de que hoje é herdeira a Faculdade de Ciências. Fundou o Gabinete de Zoologia da instituição, para o qual recolheu espécimes durante praticamente meio século, seja forçando o Museu de História Natural de Paris a compensar Portugal pelo que levaram durante as Invasões Napoleónicas, seja integrando nele colecções reais, seja ainda recolhendo ele próprio as alimárias do nosso país, do Gerês aos Açores. Muito menos se esqueceu do seu "filho" quando se dedicou à política e foi Ministro do Ultramar e dos negócios dos Estrangeiros, ajudando aqui e ali a rechear aquele que considerava, com característica modéstia, estar "na vanguarda dos museus de segunda ordem". Se tinha razão ou era algo mais que isso poderá o visitante avaliar agora que as obras de restauro e beneficiação foram concluídas e também para antegozar o regresso em pleno do núcleo de museus da Escola Politécnica.
Rui Tavares
COMENTÁRIOS DA TERTÚLIA POÉTICA
Foi este Texto no mínimo vergonhosamente ofensivo para a memória de um dos mais lídimos e egrégios poetas lusitanos cuja responsabilidade pela sua publicação vai integralmente para o pelouro da Cultura ( e que Cultura ?! ) da Câmara Municipal de Lisboa ... e logo no Ano da celebração do 2º Centenário da morte de Bocage ( 1805 2005 ) ! Ele que, tendo morrido precisamente nesta Cidade e à qual dedicou grande parte da sua vida, merecia desta edilidade um outro modo de comportamento que não este. Acreditamos que houve não só desprezo e arrogância por parte deste articulista de baixa patente mas também desleixo e irresponsabilidade por parte de quem devia cuidar de transmitir aos habitantes da Autarquia da Capital uma imagem de
honorabilidade, respeito e dignidade que os seus grandes homens de Arte, Ciência e Cultura eternamente merecem. Se, neste caso, o cientista Bocage bem merece as apreciações registadas no documento ( não estas que são de fraquíssima qualidade, como é óbvio ) achamos que as mesmas jamais poderão vingar como sinceras à custa do rebaixamento da alta personalidade artística que foi o nosso Poeta Bocage ! Acreditamos e propomos em nome da «Tertúlia Poética Ao Encontro de
Bocage» que a Câmara de Lisboa, sabendo ocupar o seu lugar neste contexto, chame à pedra o infeliz escrivão sem escrúpulos e que publique em breve no âmbito das Comemorações Bocageanas 2005 uma moratória de desagravo ao Poeta e a todos aqueles que, mesmo resistindo contra estas e outras intempéries de inconsciência cívica, lutam pela dignificação da nossa Memória Colectiva.
Prof. Assis Machado
POSIÇÕES CRÍTICAS ASSUMIDAS
Crítica 1 Do poeta Orlando Lizardo: "Bocage ( Grande Poeta ! ) não mereceria referências mais abonatórias, pelo valor da sua Obra Poética ? Para alguns parece ter sido apenas e só 'boémio e libertino'... ! Quanto é lamentável haver, ainda, quem se refira assim a um dos maiores Poetas de sempre !
Orlando Lizardo
Crítica 2 Da Presidente da Tertúlia Poética, a poetisa América Miranda que ontem, dia 1 de Outubro, leu e comentou no Palco do Auditório Carlos Paredes onde mais uma vez ocorria uma Tertúlia em homenagem a Bocage este infeliz e lamentável Texto, prometendo que o mesmo não ficará sem uma resposta condigna e reparadora!
América Miranda
Crítica 3 De vários poetas que, na mesma altura e lugar, aproveitaram a deixa para manifestar o seu justo repúdio pelo indigno Texto destacando-se a declaração de Júlio Roberto no sentido de este
Texto ser "o paradigma fidedigno da nossa miopia cultural"... afirmação que vai ao encontro da magistral tese do pensador americano Alain Bloom que, a propósito da decadência da Cultura Geral nos USA, apelidou-a de "Cultura Inculta".
Júlio Roberto
Crítica 4 Do poeta Humberto Santa: Não conheço a obra do Sr. Rui Tavares. Se a tem, decerto poucos a conhecerão. Conheço a de Manuel Maria Barbosa du Bocage e, tal como eu, muitos se deleitam com ela. Se Bocage ainda estivesse entre nós, concerteza nunca teria ouvido falar do Sr. Rui Tavares mas posso garantir que o Sr. Rui Tavares continuaria a ouvir mencionar o nome do grande poeta Bocage nos grandes espaços de Cultura que o aconselho a frequentar. Todo o homem tem o tamanho da sua obra. Bocage é tão grande que o seu vulto, porque intemporal, vive para além dos séculos. Daqui a alguns anos, ninguém saberá quem é ou foi Rui Tavares ou ainda pior, alguém perguntará ao encontar este artigo perdido numa qualquer gaveta sem uso : - Quem será este infeliz que se julga no direito de contribuir para o embrutecimento do nosso povo ?
Portugal está vivendo um momento culturalmente angustiante. Este é um artigo da Agenda Cultural da principal Câmara Municipal do nosso País. Mas, mais grave ainda, é o perfilar-se para concorrer à presidência da REPÚBLICA PORTUGUESA, um professor universitário que quando primeiro ministro não sabia quantos «Cantos» têm os Lusíadas do grande Camões.
Assim vai culturalmente o nosso querido PORTUGAL. Até quando ?!
Humberto Soares Santa