ESPAÇO COLECTIVO ARTISTICO E CULTURAL - COORDENADO PELA POETISA AMÉRICA MIRANDA - E ONDE SE INSEREM AS CONTRIBUIÇÕES DE TODOS OS TERTULIANOS, TANTO EM VERSO COMO EM PROSA, COM O OBJECTIVO DE DIVULGAÇÃO E HOMENAGEM AO GRANDE POETA ELMANO SADINO !
Sábado, 25 de Junho de 2005
O QUE OS FAMOSOS DIZEM DE BOCAGE
- A ti, Vate sem par, cujo estro inflama
do Númen Patareo o sol fulgente,
A ti, grande Bocage, cuja Frente
De sacros louros Delfica se enrama...

Francisco de Paula Medina e Vasconcelos

- Distinguiu-se muito nas traduções, já latinas, francesas ou italianas, não só vertendo com bastante elegância, mas entrando no Espírito do autor, e reralçando muitas vezes os seus pensamentos.
( ... )
Só Bocage podia verter tão bem estes versos de Ovídio.
( ... )
Foi de um génio independente, por isso viveu pobre, não quis aspirar a grandezas, nem ao fausto, porque repudiou estes fantasmas efémeros, e de pouca monta.

António Maria do Couto

- Dos Sonetos (de Bocage) há grande cópia que não tem igual nem em português, nem em língua nenhuma, de uma força, de uma valentia, de uma perfeição admirável.

Almeida Garrett

- Merecidas são todas as homenagens que à sua memória gloriosa se prestem.

Augusto José Vieira

- ( ... ) inigualável géwnio do Século XVIII.

Leopoldo Moita

- ( ... ) teu génio, Elmano
de tudo triunfa, não morreu nem morre.

Paulino de Oliveira

- Bocage foi um dos maiores prodígios da literatura portuguesa, um valor que, nos domínios da Arte de escrever, honra e dignifica a Nação.

Amândio Naia

- Um poeta de génio, um bardo sublime, um talento superior.

Roque dos Reis

- Tinha a sinceridade dos veementes , a coragem intelectual dos fortes e a altkivez de carácter dos verdadeiramente grandes. O sentimento de justiça levantava-se, imperioso e vingador, na sua alma branca como a consciência de um apóstolo.

Pinto de Carvalho

- ( ... ) raro talento que lhe assegurará um lugar distinto, entre os vates insignes lusitanos, aos quais ainda a posteridade fará justiça.

João Guilherme Cristiano Muller

- ( ... ) esse génio brilhante, inspirado, de que nunca se extingue a memória!

Manuel Maria Portela

- Essas peças, que são Sonetos, representam momentos raros e geniais em que o poeta patenteia a sua alma.

Fidelino de Figueiredo

- Barbosa du Bocage, é um talento robustíssimo, um tradutor admirável, o nosso primeiro poeta no seu género.

( ... )
A rara faculdade do improviso de que tão abundantemente era dotado, deu-lhe a estima e a popularidade de que ainda hoje goza.

A.J.Damasceno Nunes

- Bocage, dotado de poderosas e enérgicas faculdades, vivia certamente acanhado numa sociedade estacionária.

( ... )
Mataram-te, Bocage, mas mataram-te um homem !

Lopes de Mendonça


publicado por assismachado às 18:33
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2005
A TRIBUNA DOS POETAS - AMÉRICA MIRANDA
CAIS DA AMARGURA

por
América Miranda


No cais da minha certeza
desta nave abalroada
há ainda uma firmeza
tão triste, tão desolada.

Navego em mar de incerteza
com a alma amargurada
e ao afastar a tristeza
tenho as mãos cheias de nada.

Continuo a caminhar
como um pobre peregrino
nesta onda revoltada.

Já não sou capaz de amar
o vazio é o meu destino
e não quero ser amada.


América Miranda


publicado por assismachado às 19:24
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Segunda-feira, 20 de Junho de 2005
A TERTÚLIA ITINERANTE - « TERTÚLIA DO SAPATEADO »
Por
Assis Machado


Realizou-se, sob os auspícios de uma agradável tarde dos princípios de Junho, mais uma Tertúlia Poética Ao Encontro de Bocage. No espaço habitual do auditório Carlos Paredes, à Av. Gomes Pereira, em Benfica.
Eram dezoito horas em ponto quando o público, em boa afluência, começou a ouvir as primeiras notas musicais do Hino da Tertúlia. Cantaram, entusiasmados os tertulianos, sempre presentes, bem secundados por toda assistência que pouco a pouco começa a conhecer melhor o espírito de que a Tertúlia é feita.
Após este animado início de sessão entrou em palco um original Grupo artístico denominado Grupo de Sapateado Step by Step e Rolling by Step – o qual como se vê deu origem ao nosso título em epígrafe – tendo executado durante cerca de vinte minutos diversas danças e movimentos com uma estética e musicalidade sui generis que muito agradou aos presentes. Saíram muito aplaudidos.
Depois deste evento cheio de beleza e arte assistiu-se a um momento de canto lírico em que actuaram respectivamente o tenor Manuel de Almeida que, com a máxima qualidade e empenho, interpretou algumas conhecidas árias italianas as quais muito sensibilizaram o público e as cantoras Helena Mexia, acompanhada com mestria pela violista e também cantora Garda Oliveira, que interpretaram, dando o seu melhor, algumas canções de cariz alentejano, a primeira, e de sabor africano, a segunda. Todos foram altamente ovacionados.
De seguida decorreram no palco as actuações de Francisco Assis e de Humberto de Castro. O primeiro declamando dois poemas alusivos ao momento que passa e o segundo cantou à karaoke, como sempre, duas canções que caíram bem aos ouvintes, tendo sido no final ovacionados.
Subiram ao palco sequencialmente, para declamarem um poema cada, os tertulianos Eugénia Chaveiro, Perpétua Matias, Domingos Vaz, Lourdes Ferreira e América Miranda que, deliciaram o público com boas actuações nomeadamente América Miranda que, mais uma vez, esteve ao seu melhor nível.
Actuou entretanto, desta vez para cantar, o tertuliano Francisco de Assis que à luz do recente evento “dia mundial da criança”, interpretou duas canções com esta temática. Actuação que teve boa receptividade de todos.
Seguidamente evoluíram no palco, declamando cada uma um poema, as tertulianas Celeste Reis, Graciett Vaz, Helena Bandeira, Amélia Marques e Custódia Pereira que, dentro do que lhes é habitual, conseguiram interessar todo o público recebendo por isso boas ovações.
Mais uma vez Humberto de Castro foi a palco interpretar duas interessantes canções, cujos refrões deram para a participação de todos, tendo sido bem aplaudido no final.
Para terminar a sessão foi a vez de América Miranda presentear a assistência com dois temas escolhidos por si e de sua autoria que, pela forma como foram ditos e sentidos, mereceu dos presentes a maior ovação da tarde.
América Miranda, por seu lado, agradeceu a presença de todos nesta Tertúlia, nomeadamente aos representantes da Junta de Freguesia de Benfica, que gentilmente nos têm disponibilizado este espaço, não deixando de fazer o convite para estarem presentes na nossa próxima Tertúlia.

Assis Machado


publicado por assismachado às 12:21
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Quinta-feira, 16 de Junho de 2005
INTERPRETAÇÕES BOCAGEANAS - POESIAS ETERNAS
NOVA SÚMULA BIOGRÁFICA DE BOCAGE
1765-1805

Artigo de
Marco Dias

Poeta lírico neoclássico português, que tinha pretensão a vir a ser um segundo Camões, mas que dissipou suas energias numa vida agitada. Nasceu em Setúbal, em 15/09/1765 e morreu em Lisboa ( 21/12/1805 ), aos 40 anos de idade, vítima de um aneurisma. Nos últimos anos o poeta vivia com uma irmã e uma sobrinha, sustentando-as com traduções de livros didáticos. Para viver seus últimos dias, inclusive, teve de valer-se de um amigo ( José Pedro da Silva ) que vendia, nas ruas de Lisboa, suas derradeiras composições: Improvisos de Bocage na Sua Mui Perigosa Enfermidade e Coleção dos Novos Improvisos de Bocage na Sua Moléstia. Filho de um advogado, fugiu de casa aos 14 anos para juntar-se ao exército. Foi transferido para a Armada dois anos depois. Como integrante da Academia da Armada Real, em Lisboa, dedicou seu tempo a casos amorosos, poesia e boêmia. Em 1786 foi enviado, tal qual seu herói Camões, para a Índia ( Goa e Damão ) e, também como Camões, desiludiu-se com o Oriente. Depois, por vontade própria e à revelia de seus superiores, dirigiu-se a Macau, voltando a Portugal em 1790. Ingressou então na Nova Arcádia — uma academia literária com vagas vocações igualitárias e libertárias —, usando o pseudônimo de Elmano Sadino. Contudo, de temperamento forte e violento, desentendeu-se com seus pares, e suas sátiras a respeito deles levou à sua expulsão do grupo. Seguiu-se uma longa guerra de versos que envolveu a maior parte dos poetas lisboetas. Em 1797, acusado de heresia, dissolução dos costumes e idéias republicanas, foi implacavelmente perseguido, julgado e condenado, sendo sucessivamente encarcerado em várias prisões portuguesas. Ali realizou traduções de Virgílio, Ovídio, Tasso, Rousseau, Racine e Voltaire, que o ajudaram a sobreviver seus anos seguintes, como homem livre. Ao recuperar a liberdade, graças à influência de amigos, e com a promessa de criar juízo, o poeta, envelhecido, parece ter abandonado a boêmia e zelado até seus últimos momentos por impor aos seus contemporâneos uma imagem nova: a de homem arrependido, digno e chefe de família exemplar. Sua passagem pelo Convento dos Oratorianos ( onde é doutrinado, logo após sua saída da cadeia ) parece ter contribuído para tal. Portugal, na época de Bocage, era um império em ruínas, imerso no atraso, na decadência econômica e na libertinagem cortesã, feita às custas da miséria de servos e operários, perpetuando o pantanal cinzento do absolutismo e das atitudes inquisitoriais, da Real Mesa Censória e dos calabouços destinados aos maçons e descontentes. Ninguém encarnou melhor o espírito da classe dirigente lusitana do fim do século XVIII do que Pina Manique. Ex-policial e ex-juiz, conquistou a confiança dos poderosos, tornando-se o grande senhor do reinado de D. Maria I ( só oficialmente reconhecida como louca em 1795 ), reprimindo com grande ferocidade tudo o que pudesse lembrar as "abomináveis idéias francesas". Graças a ele, inúmeros sábios, cientistas e artistas conheceram o caminho do exílio. Bocage usou vários tipos de versos, mas fez o melhor no soneto. Não obstante a estrutura neoclássica de sua obra poética, seu intenso tom pessoal, a freqüente violência na expressão e a auto-dramatizada obsessão face ao destino e à morte, anteciparam o Romantismo. Suas poesias, RIMAS, foram publicadas em três volumes ( 1791, 1799 e 1804 ). O último deles foi dedicado à Marquesa de Alorna, que passou a protegê-lo. Os poemas não censurados do autor são geralmente convencionais e bajulatórios, copiando a lição dos mestres neoclássicos e abusando da mitologia, uma espécie de poesia acadêmica feita por e para iniciados. Outra parcela de sua obra é considerada pré-romântica, trazendo para poesia o mundo pessoal e subjetivo da paixão amorosa, do sofrimento e da morte. Já sua poesia censurada surgiu da necessidade de agradar ao público que pagava: com admirável precisão, o poeta punha o dedo acusador nas chagas sociais de um país de aristocracia decadente, aliada a um clero corrupto, comprometidos ambos com uma política interna e externa anacrônica para aquele momento. Também está presente ali a exaltação do amor físico que, inspirado no modelo natural, varre longe todo o platonismo fictício de uma sociedade que via pecado e imoralidade em tudo o que não fosse convenientemente escondido.


VÓS, CRÉDULOS MORTAIS, ALUCINADOS


Vós, crédulos mortais, alucinados
de sonhos, de quimeras, de aparências
colheis por uso erradas consequências
dos acontecimentos desastrados.

Se à perdição correis precipitados
por cegas, por fogosas, impaciências,
indo a cair, gritais que são violências
de inexoráveis céus, de negros fados.

Se um celeste poder tirano e duro
às vezes extorquisse as liberdades,
que prestava, ó Razão, teu lume puro?

Não forçam corações as divindades,
fado amigo não há nem fado escuro:
fados são as paixões, são as vontades.


Barbosa du Bocage
In RIMAS


publicado por assismachado às 18:32
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