ESPAÇO COLECTIVO ARTISTICO E CULTURAL - COORDENADO PELA POETISA AMÉRICA MIRANDA - E ONDE SE INSEREM AS CONTRIBUIÇÕES DE TODOS OS TERTULIANOS, TANTO EM VERSO COMO EM PROSA, COM O OBJECTIVO DE DIVULGAÇÃO E HOMENAGEM AO GRANDE POETA ELMANO SADINO !
Terça-feira, 30 de Agosto de 2005
EDITORIAL BOCAGEANO - « EM LOUVOR DE BOCAGE ! »
Por
América Miranda
Bocage vivia em permanente estado de delírio emocional e nos seus versos mais
inspirados, nota-se que a mulher é motivo poético para a expressão do
desespero e do desengano. Formado como os seus contemporâneos no culto da
razão, porque a ela nunca se mostrou afeito, deles se distinguiu radicalmente
e tal como mais tarde se revelou, conformado com o espartilho dos valores,
convenções e tabus sociais dominantes. Solitário numa época medíocre
exprime em muitos versos o seu conflito interior que o corrói. "Mandas-me
não amar, eu ardo, eu amo", "dizes-me que sossegue, eu peno, eu morro".
Mais tarde, a consciência desta oposição, levará Bocage a cantar, talvez
com provocante orgulho,. o quanto a sua obra se aparta da banalidade, por
força de um talento de que os seus pares não se aproximavam sequer. A busca
de um ideal de amor e de beleza que a razão refreia e o coração exige,
explicam o estranho desassossego e toda a angústia que lhe inspiram o melhor
da sua poesia. Poesia única, ímpar, digna de um grande génio, de um Egrégio
Poeta como Bocage, o nosso querido patrono, poesia que foi e será das melhores
através dos séculos.
América Miranda, in O ARAUTO, Ano VII, nºs. 91 / 92, Julho e Agosto de 2005