ESPAÇO COLECTIVO ARTISTICO E CULTURAL - COORDENADO PELA POETISA AMÉRICA MIRANDA - E ONDE SE INSEREM AS CONTRIBUIÇÕES DE TODOS OS TERTULIANOS, TANTO EM VERSO COMO EM PROSA, COM O OBJECTIVO DE DIVULGAÇÃO E HOMENAGEM AO GRANDE POETA ELMANO SADINO !
Sábado, 21 de Abril de 2007
A TRIBUNA DOS POETAS - ARMANDO DAVID E FELIX HELENO
DE MEIA TIGELA

Por
Armando David

Há para aí tanta pessoa,
eu mais diria: - Patetas!
Usando frases à toa
logo se julgam poetas.

Fazem poemas sem rima,
falta-lhes inspiração;
pensam fazer obra prima
e dão com as ventas no chão.

Sem fazer obra famosa,
não é poesia ou prosa,
apenas simples balela.

Não sendo muito dotados
estes poetas, coitados,
são só de meia tigela !

*

ESTRANHA FORMA DE SER

Por
Felix Heleno


Fumar é uma forma de suicídio.
É um acto tão medíocre
que apenas antecipa a mediocridade da morte.



Cigarro estranho vício me contenta
álcool estranha sede insaciável
droga estranha ilusão que alimenta
o prazer de ser um sonho irrealizável.

Guerra estranha forma de matar
ódio estranha forma de viver
fome estranho forma de aceitar
a gula dos que comem por prazer.

Que estranho é viver a procurar
toda a forma de querer sobreviver
à procura do que nunca tem sentido.

Que estranho é ser a morte a libertar
tudo quanto foi na vida padecer
e tudo quanto neste vida foi sofrido.
 
Felix Heleno
In OLHOS DA MENTE 


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REFLETINDO BOCAGE - LOBO MATA
APRECIAÇÃO CRÍTICA DUM SONETO DE BOCAGE
 
Trabalho para ser apresentado em reunião de Tertulianos, no Teatro de D.ª Maria II, em Janeiro de 2007, por Virgílio S. Marques / Lobo Mata.
 
Vivendo-se na época entre o «clássico» e o «romântico» Bocage (um homem público desse tempo) não podia deixar de manifestar em si próprio e não só na obra literária os conflitos e as contradições que o consumiam.
Para quem teve uma vida tão curta é ainda mais extraordinário verificar a qualidade indesmentível da sua obra, principalmente dos seus Sonetos, a fazer com que muitas perguntas continuem a pôr-se: Como? Porquê?
De admirável «cinzelador» da métrica é notável a harmonia melódica, que a par do ritmo imposto nos seus sonetos os torna adequados para serem ditos, cativando ouvintes.
No «poema-soneto» que a sorte ditou fosse eu a comentar em reunião normal de tertulianos afectos ao grande Vate – e neste caso sem necessidade de elogiar o Nume – optei por um trabalho diferente, homenageando as mulheres e tantas elas foram na vida e obra de Bocage.
Nise, Marília, Gertrúria, foram sem dúvida as três mulheres que sistematicamente preencheram a vida, os sonhos, a escrita de Bocage...mas muitas outras houve.
Filis, Tirsália, a bela Acidália, a amável Jónia, a desdenhosa e Ó desejada Emira, Elisa, a linda Anarda, a distante Urselina gentil/pura, Ritália, a ingrata Flérida cujos olhos verdes esmeraldas são, a também ingrata Armia, o riso da celeste Armânia, os olhos da Corina, a inconstância de Inália, Márcia, Ulina, Ismene, Alcina, Tirseia, a cruel Filena, Lília de extrema beleza que morreu jovem e “virgem”, Anália ,a fidelidade, a firmeza, o sorriso.
« Ó ninfa que das graças melindrosas», « tens na face a lindeza... as cores».
A Felisa: a quem num outro soneto elogia as graças, “minh’ alma só se apraz, só se desvela, na glória de cantar, ao som da lira, os olhos de Felisa, as graças dela».
E neste soneto se queixa do desdém, da ingratidão.
 
“Por indústria de uns olhos, mais brilhantes
que o refulgente sol dos céus no cume,
jaz preso entre os grilhões do idálio nume
o mais terno e sensível dos amantes.
 
Uma ingrata, exemplar das inconstantes,
por génio, por sistema ou por costume,
todo o fel da tristeza e do ciúme
lhe verte sobre os míseros instantes.
 
Se com piedoso afago lhe suaviza,
lhe engana alguma vez a dor que o mata,
mil vezes em desdéns o tiraniza.
 
O laço aperta, e súbito o desata...
Ah! Doce encanto meu, gentil Felisa,
o desgraçado eu sou, tu és a ingrata.”
 
Sensibilidade, amor, ciúme, desesperação... mas também o génio.
                                    “EU ME ARREPENDO...”
                                    “JÁ BOCAGE NÃO SOU...”
 
                        “Ó MUNDO, Ó NATUREZA, Ó NADA”.
Dois séculos depois Bocage é vivo – NÃO MORREU !
´Virgílio S. Marques / LOBO MATA


publicado por assismachado às 19:30
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A TRIBUNA DOS POETAS - MARIA DE LOURDES FERREIRA E AMÉLIA MARQUES
“RECORDANDO O PASSADO”

Por
Mª de Lourdes Ferreira


Sozinha choro, sozinha falo,
para o Céu, estrelas, para a lua,
chegando à janela não me calo,
rogo às pedras da minha rua.

Olho as árvores dançando,
os pássaros esvoaçando,
continuo ao Céu suplicando,
porque sinto o coração chorando?

E pergunto, porque não vejo
aqueles seres que amei um dia?
Seria milagre, também desejo,
não sentia a alma assim tão fria.

Mais tarde, ao fechar a janela,
de divinas noites com seu luar,
olho a doçura da lua, e só ela
àquela hora me pode escutar.


***

GRACIOSIDADE DE UMA CRIANÇA


Por
Amélia Marques


Uma criança dormindo
os anjos a estão guardando,
um sono profundo e lindo
sorrindo está sonhando.

Os passos d’ uma criança
são leves como andorinhas
e seu doce olhar d ‘esperança
lembra duas estrelinhas.

Quando uma criança canta
sua doce melodia
sua vozinha encanta
a qualquer hora do dia.

A graça de um passarinho,
poisado num roseiral
acompanhando baixinho
a vozinha de cristal.

Para vós, crianças,
os Anjos da Guarda vos protejam
sob as suas divinas asas.

***


publicado por assismachado às 11:51
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A TRIBUNA DOS POETAS - ANTÓNIO SALA E HELENA BANDEIRA

MICROFONE E VOZ

Por
António Sala


Entrar no palco é uma emoção:
sentir um foco a se acender
e a vir na nossa direcção
para o público nos ver.

Entrar no palco é uma emoção:
é ver as luzes multicolores.
E um gesto da nossa mão
faz-nos sentir actores.

É o microfone e a nossa voz
para dizer, para cantar.
É o dar tudo que há em nós
para o público gostar.

E se na altura em que actuamos
alguém vibrar com a nossa voz
sabemos que essa magia
se cria dentro de nós.

Entrar no palco é uma emoção
seja-se músico ou cantor
e há um prazer dentro de nós
que quase sabe a dor.

Entrar no palco é uma emoção
de locutor ou bailarina,
de grupo rock ou trovador,
se o público se anima.

E cada artista é uma criança
que um grande exame vai passar.
Cada um de vós é o professor
que nos está a avaliar.

E se houver palmas no final,
é porque o público gostou.
O palco é um mundo de emoções.
O artista já sorri... passou.

E o palco assim é também teu,
que sentes tudo o que eu senti
e apetece dizer com suave ironia
gostava de vos ver... aqui!


***

CEDO VI ...


Por
Helena Bandeira


Não sei qual o motivo porque escrevo,
se nem metade do que sinto eu descrevo...
P’ ra suster a solidão que nasceu comigo?
Duvido que o seja, porque não consigo!

Cedo vi... que a solidão comigo nasceu.
Cedo vi... que a tristeza em mim desceu.
Só o fogo do Amor me incitou a viver,
um fogo, uma chama que não vou reviver!

Fiz da Paixão minha divisa, meu lema
e do Amor, o meu esteio e o meu tema...
Desejos e beijos queimaram minha boca!

Hoje, a solidão impõe-se. Forte, sem peias,
sobranceira e pesada, urde suas teias...
tolhe-me... Não vê que estou ficando louca!



publicado por assismachado às 11:45
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Terça-feira, 17 de Abril de 2007
COLUMBANO - UM PINTOR PARA A ETERNIDADE
                                          

                            « AINDA E SEMPRE ... COLUMBANO »

                                                 Por
                                       António Carvalho

No ano de 1979 (6 de Novembro), completaram-se cinquenta anos sobre a morte de Columbano, um dos maiores cultores da pintura portuguesa dos últimos séculos.
Para grande parte do público dos primeiros vinte e oito anos do século transacto, este nome foi dos mais discutidos, admirados, acarinhados e criticados. Columbano era, pois, um caso que apaixonou não só os coleccionadores como os críticos e, igualmente, os simples visitantes das suas Exposições lisboetas... e não só. Quero destacar, sobre este autor de génio, apenas isto: que morreu pobre mesmo depois de ter doado ao Estado a maior parte da sua fortuna e da sua excelsa obra.
Para ilustrar o que afirmei quero aqui destacar o que veio a público In «O Século», 6 de Fevereiro de 1930:
“Columbano foi, como poucos, um benemérito da Pátria. É preciso que se diga isto, para que a sua abnegação seja bem compreendida. Exagero, haverá quem afirme. Engano. Vivemos num país de tão fraca cultura estética, que nos assiste a obrigação de exaltar tudo aquilo que concorra para que não se cristalize na situação actual. O povo português precisa de que o ensinem a sentir a beleza eterna. Tem necessidade de que o conduzam cada vez mais à admiração dos génios quer souberam dignificá-lo. A doação de Columbano ao Estado – concordemos todos ou não – constituiu uma lição incomparável.
Acrescentarei, para finalizar, que – malgrado as injustiças nacionais a que tem sido submetido desde sempre – todavia o seu estro continuará esvoaçando indelevelmente sobre as consciências de todos nós cidadãos, não fora ele, como sabemos, o carismático pintor que engendrou a Bandeira da Pátria!


publicado por assismachado às 11:34
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A TRIBUNA DOS POETAS - GRACIETT VAZ E PERPÉTUA MATIAS
BAILE DE RODA

Por
Graciett Vaz

Envolto em lindas capas de cortiça
já o frio Inverno nos disse adeus
as andorinhas cortaram os céus
estão lindos os campos, metem cobiça.

É Abril, vem chegando a preguiça,
a margaça desdobra-se em lindos véus
e a água límpida que cai dos céus
a terra a bebe e com ela se enlaça.

A Primavera radiosa chama o palco do Verão
as espigas p’ rá eira que em romaria
trazem com elas, além da crença, amor e pão.

E enquanto que com muita alegria
fazem roda com mãos de gratidão
o tempo passa por nós em gestos de correria.

*

CALA-TE CORAÇÃO

Por
Perpétua Matias

Coração porque é que insistes,
o que queres fazer agora?
Choraram meus olhos tristes
foi antes, já foi outrora.

Cala-te, meu coração, cala-te,
porque me fazes sofrer?
Vives em plena aflição
mas não me vais convencer.

Andas sempre com paixões,
perturbas os meus sentidos,
eu tenho outras ambições
não te posso dar ouvidos.

Deixa-te lá de lamentos,
ser triste não me convém,
prefiro os meus pensamentos
que me levam mais além.


***


publicado por assismachado às 11:22
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Terça-feira, 3 de Abril de 2007
A TERTÚLIA - ESCOLA DE INSPIRAÇÃO
       A BOCAGE

Parafraseando o Soneto
“Incultas produções da Mocidade”


Excelsos, Bocage, são teus poemas
que tua alma nos quis doar,
mas sem te libertar das algemas
que muito nos magoa e faz chorar.

A tua obra tão bela e valiosa
saiu do teu coração a sangrar
ao ver como a vida é caprichosa
afastando-te de quem mais querias amar.

E essa mão pesada do destino
que rege nossas vidas nas alturas
atravessou-te como raio ferino
cobrindo teu coração onde amarguras.

E para disfarçar tantas agonias
que tua face em sulcos marcou
atordoavas-te em falsas alegrias
até ao dia em que um anjo te falou.

A partir de agora, querido Bocage,
verás teu sofrimento terminar
o anjo ao amor abriu-te as asas
e com ele para sempre irás voar!


Celeste Reis



publicado por assismachado às 09:22
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ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA ...

                                                   SEMPRE A LUTAR

No rescaldo de um sentimento, que julgamos ser amor, aprende-se lentamente a lidar com a vida, a combater as suas fatalidades e a distinguirmos a diferença dos sentimentos que nem sempre conseguimos entender.
Vê-se o ser humano com outros olhos e aprendemos a lidar com os nossos semelhantes com uma certa diplomacia, a que sou adversa, pois ela é sinónimo de cinismo.
Quando desejo ardentemente uma coisa eu luto por ela, mas se deixo de a desejar deixo-a indiferentemente escapar-me das mãos. A minha primavera da vida foi plenamente preenchida de mimosas flores, o meu outono já mais triste, teve caudal de lágrimas como folhas caídas das árvores que também choram. Todavia sinto-me quase realizada, embora a minha natural inconstância, não me deixe saber bem o que quero. Mas, quando ao raiar da aurora, meus olhos saúdam o Firmamento, eu sinto uma força vulcânica que me dita o que fazer e como fazer e vou conseguindo afinal tudo aquilo que ansiosamente pretendo.
Tenho levado uma vida inteira a lutar com muita garra, sem esmorecimento e ás vezes não sei porque luto , sei apenas que gosto de vencer as vicissitudes que a vida me apresenta.
E luto por um mundo melhor, luto por aquilo em que acredito, luto para encontrar algo que não existe senão na minha imaginação e luto porque sem luta não saberia viver.

                                                 América Miranda



publicado por assismachado às 08:56
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