ESPAÇO COLECTIVO ARTISTICO E CULTURAL - COORDENADO PELA POETISA AMÉRICA MIRANDA - E ONDE SE INSEREM AS CONTRIBUIÇÕES DE TODOS OS TERTULIANOS, TANTO EM VERSO COMO EM PROSA, COM O OBJECTIVO DE DIVULGAÇÃO E HOMENAGEM AO GRANDE POETA ELMANO SADINO !
Terça-feira, 15 de Agosto de 2006
A TERTÚLIA POÉTICA ESTÁ DE FÉRIAS !!!
ESTAMOS DE FÉRIAS
ATÉ
    10 - 09 - 2006      
***
GRANDE TERTÚLIA DE BOCAGE 

                   FESTA DE HOMENAGEM A BOCAGE

          REALIZAR-SE-Á NO DIA 16 DE SETEMBRO – ÀS 17 HORAS

NO AUDITÓRIO CARLOS PAREDES EM BENFICA . NELA SE LEVARÁ MAIS UMA VEZ A CABO UMA GRANDE HOMENAGEM AO FAMOSO VATE SADINO !

NELA IRÃO PARTICIPAR TODOS OS TERTULIANOS E APAIXONADOS DE BOCAGE, DESDE ESCRITORES, POETAS, CANTORES E OUTROS ARTISTAS CONVIDADOS PARA O EFEITO !

TODOS À TERTÚLIA - CELEBREMOS E CANTEMOS BOCAGE E A POESIA !

ATENÇÃO :  A TERTÚLIA REÚNE-SE NO DIA 12 DE SETEMBRO DE 2006, PELAS

                           15 HORAS,  NO ÁTRIO DO TEATRO DE D.MARIA II, AO ROSSIO

                                                                   AMÉRICA MIRANDA


publicado por assismachado às 13:49
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A TRIBUNA DOS POETAS - CELESTE REIS E ANTÓNIO SALA
OLÁ ... BOM DIA !


Por
Celeste Reis


Seja a vida longa ou não
dure o tempo que durar
os momentos de satisfação
apetece sempre recordar.

Nem sempre a espera é vã
nada nos dá mais energia
quando o amor p’ la manhã
nos diz “Olá... bom dia !”

Sempre o sol era o alerta
logo que ele rompia,
já eu estava desperta
esperando o teu “Olá... bom dia”!

Até numa manhã chuvosa
ou trovejando, eu sorria,
e via tudo cor-de-rosa
com o teu “Olá... bom dia!”

Não entra aqui a ilusão
nem sequer a fantasia
era a magia do teu “Olá”
que as nossas almas unia.

Mas... assombro dos assombros
quando clareava o dia
e a última estrela p’ lo céu sorria
logo a tua voz, verdadeira sinfonia.

Não sei se para acordar
ou para voltar a sonhar
alegremente me dizia:
Olá, amor! Olá... bom dia !

*




ONTEM À TARDE


Por
António Sala


Ontem à tarde,
recebi tua carta e depois
nada mais fiz ao longo do dia.
Só pensei em nós os dois.

Ontem à tarde,
recebi tua carta e depois
esqueci o jornal, a T. V.
Só pensei em nós os dois.

Ontem à tarde,
uma carta tão simples de ti
que falava muito mais de mim.
Tantas vezes a li.

Ontem à tarde,
uma carta tão simples de amor
apagava de mim toda a dor.
Assinavas no fim.

Ontem à tarde,
recebi a tua carta e pensei
ter regressado ao tempo
em que tanto te amei.

Ontem à tarde,
recebi tua carta e julguei
sentir lá o perfume de ti.
Que para ti comprei.

Ontem à tarde,
respondi que, se queres voltar,
o piano está lá, esperando por ti.
Que sabes tocar.

Ontem à tarde,
respondi-te que sim, estou à espera,
deixo acesa, por ti, a luz duma janela.
Podes vir p’ ra ficar !


**


publicado por assismachado às 13:41
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BOCAGE - POLEMISTA DE TODAS AS HORAS
                                                    BOCAGE, ANTIILUMINISTA? 
 
                                                                 POESIA

Prof.  Adelto Gonçalves

Na tentativa de fazer uma releitura da poesia de Manuel Maria de Barbosa du Bocage (1765-1805) sob uma nova perspectiva exegética, Leodegário A. de Azevedo Filho, professor emérito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro e presidente da Academia Brasileira de Filologia, escreveu o opúsculo O contra-Iluminismo na poesia de Bocage, publicado em 2003, em que, com base em sua produção poética, procura mostrar que o poeta não foi iluminista, neoclássico ou arcádico, mas sim romântico, pois, em muitos de seus versos, “a emoção sobrepuja a razão”.
A partir do soneto que começa por “Importuna Razão, não me persigas”, o filólogo, que já nos deu a edição crítica da lírica de Camões em oito tomos até agora, observa que, nele, o diálogo com a razão privilegia a loucura, construindo Bocage “o seu verso sobre as ruínas da temática arcádica ou pela desconstrução de suas normas”. Para o professor, nesse sentido, poder-se-ia dizer que a sua atitude poética já é de todo antiiluminista, pois se opõe a qualquer forma de racionalismo.
Em seguida, Leodegário A. de Azevedo Filho recorre ao soneto que começa por “Já Bocage não sou!” para concluir que, depois da passagem pela prisão no Limoeiro, nos Estaus, no Mosteiro de São Bento e, depois, no Real Hospício de Nossa Senhora das Necessidades, o poeta, dividido internamente, tenta reconciliar-se com os valores que lhe foram impostos pelo poder. Na impossibilidade de uma resposta cabal para a dúvida quanto à real conversão de Bocage ao catolicismo dominante, o professor lembra que é melhor estudar a sua produção em termos conflituais ou de permanente tensão entre a loucura e a razão.
Depois, observa que a personalidade romântica, que define Bocage, vivia em luta com a personalidade clássica, que nele se formou pela cultura, concluindo que foi a sua poesia antiiluminista que, sem dúvida, preparou o terreno para o advento do próprio Romantismo na língua portuguesa.
O professor Leodegário A. Azevedo Filho escreveu este opúsculo antes de ler o meu livro Bocage – O Perfil Perdido, publicado pela Editorial Caminho, o que só por estes dias está a fazer. Por isso, sem falsa modéstia, tenho certeza de que, com base nas novas informações de arquivo que obtive depois de profundas pesquisas, deverá avançar em suas conclusões e, quem sabe, transformar este opúsculo num ensaio mais alentado, talvez um livro.
Entre as informações que o professor Azevedo Filho deve levar em conta é que, depois que passou por um processo de “reeducação”, Bocage continuou a se opor ao poder vigente, ainda que, em muitos de seus versos, mostrasse o contrário. O que me parece é que, provavelmenre para evitar uma nova volta à prisão, o poeta preferiu adotar uma “máscara”, uma “persona”, atrás da qual, muitas vezes, escondeu seus verdadeiros sentimentos, fazendo os versos que os poderosos do momento – a monarquia e a Igreja – queriam ler.
Até aqui não se sabia com exatidão quanto tempo Bocage ficara detido, mas em meu livro mostro que foram quase 17 meses, pois tendo sido detido a 7 de agosto de 1797 só ganhou as ruas no último dia de 1798. Quer dizer, não foi uma detenção rápida, razão mais que suficiente para que redobrasse a vigilância sobre suas próprias palavras. Depois que deixou o Hospício das Necessidades, o poeta continuou os seus embates com os censores da Real Mesa da Comissão Geral sobre o Exame e Censura de Livros, especialmente o padre Julião Cataldi e Francisco Xavier de Oliveira
Os censores embirravam exatamente com o erotismo, condenando “o fogo lascivo e as imagens indecentes” que animavam os versos de Bocage – o que era isto senão Iluminismo? No livro Os best-sellers proibidos da França pré-revolucionária, de Robert Darnton, lê-se que “o Iluminismo foi conduzido por grandes livros de grandes homens, e a Revolução inspirada pelo Iluminismo: continuava sendo culpa de Voltaire, culpa de Rousseau”.
E boa parte da poesia de Bocage, não a encomiástica, mas aquela que corria manuscrita por todo o país de mão e mão era subversiva – especialmente a que começava por “Pavorosa ilusão da eternidade” – e seguia o que se fizera em França para corroer os alicerces em que se assentava o poder de Luís XVI. Tal como na França, a atuação de Bocage e outros poetas ditos libertinos fazia parte de um processo de deslegitimação do Antigo Regime.
É difícil entender um universo mental tão diferente do nosso, como esse de 200 anos atrás, mas parece claro nas respostas que deu aos censores que Bocage continuou a desafiar o poder, recusando-se até mesmo a corrigir determinados versos, embora, em outras ocasiões, tenha sido mais flexível, procurando sinônimos menos ofensivos aos olhos da censura. Além disso, é preciso lembrar que Bocage, mesmo depois da prisão, continuou a freqüentar reuniões de sua loja maçônica, o que significa que continuava adepto dos ideais iluministas.
Foi já depois que mudara para um andar da Travessa de André Valente, no Bairro Alto, etapa derradeira de sua vida, que o poeta acabou denunciado à Inquisição, em novembro de 1802, por uma filha adolescente – quase uma menina – de seu amigo Roque Ferreira Lobo, poeta de poucos méritos, morador à Rua da Era, perto da Calçada do Combro, administrador do Correio do Reino e oficial de secretaria da Real Mesa da Comissão Geral do Exame e Censura dos Livros.
A denúncia, que mostra claramente que Bocage continuava a participar dos círculos maçônicos, só não prosperou porque o governo, sob pressão de França, por aqueles dias, não tinha interesse em perseguir pessoas que pudessem ser consideradas adeptas das idéias liberais, as “idéias do século”. Nem o intendente geral de Polícia, Pina Manique, andava com o prestígio de antes, pois vivia pressionado pelo embaixador francês Lannes, que exigia a sua demissão. Era mais um “leão sem dentes”.
Ficam aqui estes fatos a favor da tese de que Bocage foi e continuou a ser iluminista nas idéias, ainda que pré-romântico na maioria de suas produções poéticas. Mas, como observa de maneira percuciente o professor Leodegário A. de Azevedo Filho, o poeta foi, antes de tudo, um autor muito complexo, “pois tem várias faces ou apresenta múltiplas dimensões em sua poesia”, razão pela qual esta não é a primeira vez nem será a última que levará os críticos à divergência.
________________________________

O CONTRA-ILUMINISMO NA POESIA DE BOCAGE, de Leodegário A. de Azevedo Filho. Rio de Janeiro, SBLL, 32 págs., 2003.
_________________________________
Adelto Gonçalves, doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo, é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage – O Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: marilizadelto@uol.com.br
Adelto Gonçalves
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publicado por assismachado às 13:33
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A TRIBUNA DOS POETAS - AMÉRICA MIRANDA E FÉLIX HELENO
 ESTRANHA VIDA

Por
América Miranda

Dorme a natureza no seu manto de luz
vem a linda alvorada de mansinho
e eu maravilhada rogo ao bom Jesus
que ilumine o resto do meu caminho.

A neblina é um manto de arminho
o sol vai despontando resplandecente
canta no galho o alegre passarinho
e há tristeza no viver de toda a gente.

O mundo está iníquo e tão cruel
o homem egoísta envolto em fel
destrói outros homens p’ lo poder.

E eu a contemplar toda esta vida
sinto no coração enorme ferida
gritando a todo o mundo o meu sofrer.

*

A OUTRA VISÃO

Por
Felix Heleno

Ver historicamente uma verdade
é ter de acreditar mesmo sem ver.
Se nunca vi Camões na realidade
não o posso negar, mas posso crer.

Quem acredita em Deus sem O ter visto
vê muito mais além, noutra visão.
Assim consegue ver o próprio Cristo
na Sua transcendente dimensão.

Basta de O ver só acabrunhado
basta de O manter crucificado.
Assim nunca mais finda a Sua dor.

Basta de ficar só nessa história.
É tempo de cantar, gritar glória
e cantar mais alto ainda o Seu esplendor!

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publicado por assismachado às 12:20
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A TRIBUNA DOS POETAS - MªDE LOURDES FERREIRA E AMÉLIA MARQUES
O DESTINO
 
 
Por
Mª de Lourdes Ferreira
 
 
Só Deus sabe o destino de cada vida,
tudo muda num minuto sem querer,
e nos comanda o rumo de seguida,
em segredo, como havemos de viver.
 
É o Infinito que nos faz caminhando,
para bem ou mal, só Deus saberá,
nos vai pondo à prova e ensinando,
como tudo na vida, também acabará.
 
Quantos impossíveis assim mudam,
e acabamos por fim nem perceber,
muitas coisas e palavras se cruzam,
Deus Oculto, nos faz um dia renascer.
 
Deus vai flutuando nos nossos corações,
pondo à prova amargura e bondades
e, sabendo o que foram nossas ilusões,
em cada linha vai escrevendo saudades.
 
Vai-nos dando alentos até ao dia e hora,
em que na vida tudo mudará,
cumprindo nossa missão, p’ la vida fora,
bem ou mal, só Deus nos julgará!
 
 
*
 
SEMEAR PARA COLHER
 
 
Por
Amélia Marques
 
 
Passa a formiga ligeira
outras lhe seguem o rasto
a caminho para a eira
procurando um bom repasto.
 
É atenta e previdente,
nos celeiros se abastece,
lampeira lá vai contente
guardar no formigueiro
e comer quando apetece.
 
O mesmo já não sucede
com a fadista cigarra,
eleva a voz onde quer
sem precisar de guitarra.
 
Até que um dia pergunta:
- O que fazes, tu, amiga,
tão bonita e anafada
e eu com fome e tão mirrada?
- O que faço ? Trabalho
para ter minha mesada!
 
- Ouve, amiga cigarra,
não só do canto se vive,
pensa bem no que te digo!
E lá vai a formiga ligeira
com os seus bagos de trigo...
 
 
**


publicado por assismachado às 12:15
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NEM SÓ EM VERSOS BOCAGE FOI GRANDE !
                                                         BOCAGE  -  O GRANDE TRADUTOR
Carlos Castilho Pais
Universidade Aberta

Acabou há pouco de comemorar-se o bicentenário do falecimento de Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805). No número anterior, prometemos aos nossos leitores que haveríamos, aqui, de dedicar-nos a um estudo mais aprofundado sobre o poeta/tradutor. Para muitos, será indispensável situar o escritor de forma a que possam continuar a procurar informação, a ler os seus versos. Evidentemente, temos em mente os nossos leitores que vivem no estrangeiro, porventura menos familiarizados com a História da Literatura Portuguesa. Todavia, para todos, ou quase todos, o Bocage tradutor será uma novidade. Daniel Pires, o impulsionador das recentes Comemorações, no texto introdutório ao catálogo da exposição sobre Bocage que a Biblioteca Nacional levou a cabo de 17 de Novembro de 2005 a 28 de Janeiro de 2006, justificando uma perspectiva actual que considera ‘mutiladora e parcial’, escrevia:
Por outro lado, poucos são os estudiosos que estão cientes da actividade de Bocage como tradutor. As suas versões portuguesas de textos clássicos latinos, entre os quais se contam autores como Virgílio e Ovídio, caracterizam-se pelo rigor e pela originalidade. Estes juízos de valor poderão ser também aplicados às suas traduções da língua francesa de escritores que fizeram escola na época, como Voltaire, La Fontaine, Lesage, Florian, Lacroix, d’Arnaud, Dellile e Castel.
A constatação, verdadeira, é, também, paradoxal. Com efeito, Bocage é um nome incontornável da Nova Arcádia (1790-1793) e, no plano social, é uma personagem catalizadora dos movimentos e das mudanças da época. O nome de Bocage é de menção obrigatória quando referimos os ecos da Revolução Francesa (1789) entre nós. A era pós-Pombal em que Bocage viveu fica ilustrada com a passagem do poeta pelos calabouços do Limoeiro (1797) e pela ‘reeducação’ forçada em vários hospícios conventuais lisboetas (convento de S. Bento e Necessidades). Os interrogatórios do Santo Ofício e a passagem pelo Oriente (1789) serão outros tantos episódios de uma vida que terão que assinalar-se, quando o tema for a prolongada agonia do império. Em termos estritamente literários, regista a História, em Bocage, sobretudo o exímio cultivador do soneto, o que é de máxima importância, porque, nessa História, raríssimos são os eleitos. A esta prerrogativa da escrita de Bocage até a censura do Estado Novo se curvava. Mas... se isto não bastasse, aí estavam os nomes do Romantismo Português (Garrett, Herculano, Castilho) a obrigarem a uma estadia junto do nosso autor.
Paradoxal é, portanto, este esquecimento da actividade do Bocage tradutor ou da tradução em Bocage enquanto dado cultural, de um papel singularíssimo na sociedade do nosso século XVIII. Podíamos continuar a referir os nossos românticos, que, eles, não esqueceram esta actividade de Bocage. Podíamos referir outros tradutores seus contemporâneos, também nomes ilustres da nossa História Literária – Curvo Semedo, José Agostinho de Macedo, Filinto Elísio. Ou, então, as acesas polémicas a que o nome de Bocage continua ligado, tendo a tradução ora por tema principal, ora por tema adjacente. Não seria descabida, bem pelo contrário, uma antologia de textos capaz de fornecer uma visão da recepção da obra de Bocage. Nela caberiam certamente os versos de António Ribeiro dos Santos que, uma vez mais (Cf. Pais, 1997: 16), vou buscar ao ensaio de Maria Helena da Rocha Pereira «Bocage e o legado clássico» (Cf. Pereira, 1967-68):
Um é original, outro versão,
vários na língua, mas tão bem par’cidos,
que diriam que foram produzidos
por um esp’rito só, uma só mão.

O poeta e o tradutor
tanto entre si se ajustaram,
que parece que eles ambos
numa só lira tocaram. 

                                                           A obra traduzida de Bocage

Eufémia ou o Triunfo da Religião
Verso
François Thomas Marie de Baculard d’Arnaud

*

História de Gil Blaz de Santilhana
Prosa
Alain René Lesage
*

As Chinelas de Abu-casem
Prosa 

*

Os Jardins, ou a Arte de Aformosear as Paisagens
Verso
*

Ao Sereníssimo, Piíssimo, Felicíssimo, Príncipe Regente de Portugal...
Verso
*

Ao Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor D. Rodrigo de Sousa Coutinho
Verso
 
*

As Plantas
Verso
 
*

O Consórcio das Flores, Epístola de La Croix a seu Irmão...
Verso

*
A Agricultura
Rosset 



Rogério e Víctor de Sabran, ou o Trágico Efeito do Ciúme
Prosa

*

Galathéa, Novela Postoril Imitada de Cervantes
Prosa
 
*

Ericia ou a Vestal
Verso

*

História de Paulo e Virgínia
Prosa
*
Raimundo e Mariana
 
Não identificado

* Obras que contêm prólogo do tradutor.

O Bocage, tradutor não pode prescindir da identificação da obra traduzida. Não pretendemos dar por encerrada a pesquisa que pretenda identificar as obras traduzidas por Bocage. O quadro acima apresentado dá apenas uma ideia do estado em que se encontra a pesquisa actual, que terá que ser revista e actualizada após a publicação da Obra Completa, anunciada e já iniciada por Daniel Pires. A este quadro, há que acrescentar um conjunto de traduções de obras que Bocage apenas levou a cabo parcialmente.


IDENTIFICAÇÃO DE OBRAS TRADUZIDAS


Lettres d’ Heloïse à Abélard Versão da edição francesa de Colardeau, original inglês de Pope

Epístola a Marília Imitação (do poeta Grego Alceu) de Parny

Arte de Amar
Ovídio

Lettres d’une Chanoinesse de Lisbonne à Melcour,Officier Français
Claude Joseph Dorat

Gessner

Fábulas
La Fontaine

Odes
Anacreonte

La Henriade
Voltaire

Jerusalém Libertada Tasso

Farsália
Lucano

**

Para além do que é evidente, e que os quadros mostram, a tradução dos clássicos e do francês, deve assinalar-se em Bocage o uso do verso na tradução e a explicitação, em ‘advertências’ ou ‘prólogos’, o modo próprio de encarar a tradução. O uso do verso é encarado por Bocage como ‘imitação’ da obra original. Se a obra original está escrita em verso, a tradução segui-la-á, utilizando também o verso na obra traduzida. A mestria do escritor/tradutor não se fica por aqui. A versificação da obra traduzida acompanha a da obra original na harmonia, na doçura e na energia, que esta emprega conforme a qualidade e grau da paixão a exprimir. Este programa ficou estabelecido logo na primeira obra traduzida por Bocage de que há memória, na ADVERTÊNCIA PRELIMINAR do tradutor a Eufémia ou o Triunfo da Religião (D’Arnaud), que, há já alguns anos, seleccionámos como texto representativo da tradução portuguesa no século XVIII (cf. Pais, 1997: 103).

Continuemos ainda na mesma direcção. Quanto à palavra do tradutor, publicou Bocage mais três ‘prólogos’, acima assinalados. O prólogo, pela sua própria natureza, é a manifestação mais evidente da reivindicação da autoria da tradução. A inscrição da autoria faz-se acompanhar da referência aos atributos do escritor. Metemos nesta conta os princípios da imitação da versificação do original e da defesa do ‘fértil e majestoso’ idioma, expressos logo no primeiro prólogo. Mas, logo a seguir, Bocage apresenta um propósito, que não pode aqui deixar de ser assinalado, que consiste em “evitar os galicismos de que abunda grande parte das nossas traduções”. Outra coisa não seria de esperar de um escritor; porém, o realce deve abranger sobretudo o dado histórico da crítica às traduções, iniciado ainda neste século, que tomará, com os nossos românticos, a forma do combate que terá, com poucas excepções, nos traduzideiros o pólo oposto ao dos escritores.
Nas curtas linhas do prólogo (transcrito, por isso, na totalidade) a Os Jardins (1800), o leitor encontrará o tradutor a lembrar o poeta já com ‘cabedal’ firmado, o afecto do seu público e, por fim, a apresentar o texto da tradução enquanto ‘composição poética’.
A gloriosa reputação do abade Delille, como literato e como poeta; a estima geral, dada ao seu poema dos Jardins, onde se encontram todo a atavio, toda a graça e toda a filosofia de que é capaz o assunto, me incitou a versificá-lo em vulgar, apurando nisso o cabedal que possuo em poesia, cabedal muito inferior ao apreço e acolheita de que estou em dívida com os meus compatriotas. O amor à glória e à gratidão talvez ainda criem na minha alma um ardor que a fecunde, tornando-me digno do afecto, com que me honra o público; e entretanto lhe apresento esta versão, a mais concisa, a mais fiel que pude ordená-la, e em que só usei o circunlóquio nos lugares cuja tradução literal se não compadecia, a meu ver, com a elegância que deve reinar em todas as composições poéticas.
No prólogo de As Plantas (1801), a tradução iguala a escrita autónoma, é, tal como esta, ‘honra do nome’. Talvez por isso, a afirmação constante do eu poético aí sobressaia. Indiscriminadamente, Bocage – o da escrita autónoma ou o da tradução - poderá dizer – “Vate nasci, fui vate”. José Agostinho de Macedo (1761-1831), como se sabe, haveria de manifestar o seu desacordo - perguntando: traduzir, isto é ser vate? – numa polémica que se tornou célebre, da qual trataremos em seguida.

(...)
À Pátria os versos meus são aprazíveis;
Versos balbuciei co’a voz da infância;
Vate nasci, fui vate, inda na quadra
Em que o rosto viril, macio e tenro
Semelha o mimo da virgínea face.
Se às Musas não pertenço, eu, que a Virtude,
Filosofia, Amor, cultivo, adoro;
Eu, servo da moral, das leis amigo,
Nos outros, como em mim, prezando a glória;
Eu, que cem vezes concebendo o Olimpo,
Absorto com Platão num mundo estranho,
Ou de olhos divinais divinizado,
Sinto no coração, na voz, na mente
Tropel de afectos, borbotões de ideias,
E - «Eis o Deus! eis o Deus!...» - exclamo e voo
De repente onde mil nem vão de espaço;
Pertencereis às Musas, vós, sem fama,
Sem alma, sem ternura?... Ah! Longe, longe
De meus cândidos sons, que se enxovalham
Peçonhentos dragões, na peste vossa.
Graças, oh Febo, oh nume! Oh Lísia, oh pátria!
Vossos dons, vosso aplauso alteiam, firmam
Sobre a cerviz da Inveja o meu triunfo.

Deixamos ao leitor, por fim, os últimos versos do prólogo de Ericia ou a Vestal (1805). Sobre eles, mais nada haverá a dizer para além do que ficou dito acerca dos já mencionados. Que sirvam de motivação para frequentar a escrita do poeta tradutor.

(...)
Bocage os atraiu do Sena ao Tejo,
Bocage, que de afeito à desventura,
E aos tormentos d’amor, cantar não sabe
Seus gostos casuais, seus bens tardios:
De vãos prazeres frívolos escravos,
Vós, almas frias, que a tristeza enjoa,
Ah! Longe, longe; - às almas, como a sua,
Dirige o vate a lutuosa of’renda,
E o pranto, que notar, será seu prémio.

Esta viagem pelos textos dos prólogos, numa forma que tinha que ser tão concreta quanto possível, tendo em conta a diversidade geográfica dos nossos leitores e dadas as dificuldades de acesso que continuam a subsistir à maioria dos textos de Bocage, esta viagem, dizíamos, não pode substituir-se à leitura e ao estudo das traduções. A isso convidamos os nossos leitores, com o texto traduzido de uma fábula de La Fontaine. Texto original e texto traduzido figuram lado a lado. A fidelidade, sempre pedida à tradução, não deixará aqui de constituir problema, como em qualquer tradução do texto poético. Porém, é para o TEXTO na língua de chegada que chamamos a atenção dos nossos leitores.

La cigale et la fourmi
(La Fontaine)

La cigale, ayant chanté
Tout l’été,
Se trouva fort dépourvue
Quand la bise fut venue:
Pas un seul petit morceau
De mouche ou de vermisseau.
Elle alla crier famine
Chez la Fourmi sa voisine,
La priant de lui prêter
Quelque grain pour subsister
Jusqu’à la saison nouvelle.
«Je vous paierai, lui dit-elle,
Avant l’oût, foi d’animal,
Intérêt et principal.»
La fourmi n’est pas prêteuse:
C’est là son moindre défaut.
«Que faisiez-vous au temps chaud?
Dit-elle à cette emprunteuse.
- Nuit et jour à tout venant
Je chantais, ne vous déplaise.
- Vous chantiez? j’en suis fort aise:
Eh bien! dansez maintenant.»

A cigarra e a formiga
(Bocage)


Tendo a cigarra em cantigas
Folgado todo o Verão
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.

Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.

Rogou-lhe que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza e brilho,
Algum grão com que manter-se
Té voltar o aceso Estio.

«Amiga, diz a cigarra,
Prometo, à fé d’animal,
Pagar-vos antes d’Agosto
Os juros e o principal.»

A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso junta.
«No Verão em que lidavas?»
À pedinte ela pergunta.

Responde a outra: «Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora.»
«Oh! bravo!», torna a formiga.
- Cantavas? Pois dança agora!»

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publicado por assismachado às 11:47
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A TRIBUNA DOS POETAS - EUGÉNIA CHAVEIRO E Mª DE LOURDES AGAPITO
DESEJO DE CANTAR

Por
Eugénia Chaveiro


Quem canta seu mal espanta
diz o povo e com razão
é uma voz que se levanta
e quem fala é o coração.

Um coração a pulsar
como o relógio hora a hora
se comparam ao rodar
dos alcatruzes da nora...

A nora que tira a água
para regar a natureza
seu rodar tem certa mágoa
junto de tanta beleza...

Essa beleza sem par
nas voltas que dela pende
é difícil de escutar
só o poeta as entende...

Esse som ensurdecido
com o tempo não esqueço
sinto entoar-me ao ouvido
pata além do Universo!...


*

FIZ UMA CORDA


Por
Lourdes Agapito


Fiz uma corda tecida de luz
com acenos de brisa e de amor.
Regressei às origens sem rumores,
voltei a ser criança, a ter asas,
e sentir afagos e ternuras,
a jogar à falua, ao lenço, às rodas,
ao senhor barqueiro, às escondidas,
ao jogo das cinco pedrinhas...

Uma corda me enleou à infância
recordando os meus dois irmãos
a jogar ao botar, à péla, ao pião,
a darem corda ao papagaio de papel
que subia, subia sem destino...

Neste tempo via da minha janela
os golfinhos a saltarem no Tejo.
As leis regem os tempos no tempo!

Também passavam barcos ébrios de ventos
enrodilhados de cordas e remos
no embalo das ondas desencontradas.
Cabia-me nos olhos uma paisagem
linda, hoje envelhecida de saudades,
desencantada por tantos males sem cura
no âmago dos mistérios a descobrir.

Que bom é adormecer, sonhar, recordar...
Ter memória, ver o fundo das águas,
ter irmãos, amigos e sorrir... sorri !

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publicado por assismachado às 11:35
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A TRIBUNA DOS POETAS - JOSÉ RIBATUA E FRASSINO MACHADO
 SEMPRE RECORDAREI

Por
José Ribatua


Quanta amargura e sofrimento
persiste no meu pensamento
recordo as horas boas que passei
os sonhos e as ilusões do momento.
sempre, eu, recordarei.

Não te vejo e vejo
estás longe mas sempre perto
não te sinto e sinto
está errado mas é certo.

Não sei se te desejo
do meu pensamento perder
não quero mas te quero
sentir e ver até morrer!

*

MONTANHA MINHA


Por
Frassino Machado


Montanha minha de saudade azul
meus anos verdes, verde meninice,
vibrantes sonhos meus e traquinice
ali cresceram voando para o sul.

Verde montanha, verde mocidade
anos azuis, azuis de minha ‘sprança
de breves sonhos que minh’ alma alcança
voando livre nas asas da saudade.

Carreiras serpenteando bordejadas
por amoras silvestres já maduras
a que eu deitava mão p’ ra saborear.

Abrótegas e pascoelas floreadas
‘scaldantes matagais de leivas puras
com loucas borboletas a esvoaçar!

Frassino Machado
In CANÇÃO DA TERRA



publicado por assismachado às 09:46
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A TRIBUNA DOS POETAS - HELENA BANDEIRA E ARMANDO DAVID
 O QUE QUERES DE MIM ?

Por
Helena Bandeira


O que queres de mim?

O que queres de mim
que eu consiga dar-te ?
Não posso amar-te!...

O que queres de mim?...
Em mim, qual a tua procura?

Talvez te possa dar ternura,
amizade sincera e segura,
até carinho e compreensão.
Mas amor, com emoção...
isso, Não !...

Amar-te, eu não sei, não posso!
Iludir-te, eu não posso, não sei!

Responder com frieza ao Amor
não sei, nem aprender quero...
Seria o princípio do desespero
e o despontar de uma grande dor!

O que queres, então, de mim
que em mim possas encontrar?
Não te quero magoar nem ferir
mas tenho de me forçar a repetir
que, Amor, eu não te posso dar !...

O que queres de mim ?

*

TRÊS MÃES EM UMA AVÓ


Por
Armando David

Não tenho palavras para dizer
que expressem todo o carinho
e me mostrem o caminho
desta boa poesia
que a camaradagem irradia
e nos está a acontecer.

Por isso dou parabéns
a uma avó que é já três mães,
família em continuidade
com votos de felicidade
renovo os meus parabéns.

Não tenho, disse ao começo,
palavras para dizer
que expressem todo o carinho.
Nesta emoção estremeço
onde a amizade comanda
só me resta agradecer:
parabéns, América Miranda!


Armando David,
feito e lido, no aniversário de
América Miranda.


publicado por assismachado às 09:38
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Segunda-feira, 14 de Agosto de 2006
DO LEGADO LITERÁRIO DE BOCAGE / II - Os Intelectuais e a Academia
                                        ACADEMIA DAS BELAS LETRAS / NOVA ARCÁDIA

Sensivelmente em 1788, foi fundada por Cândido José Xavier Dias a “Academia de Humanidades de Lisboa”, que era protegida pelo poder como se deduz pela atribuição de uma sede na secretaria do Senado de Lisboa. Terá tido uma actividade restrita, de acordo com as fontes hoje existentes - realizou uma sessão fúnebre, aquando do falecimento prematuro do príncipe do Brasil e herdeiro do trono, D. José, irmão do futuro D. João VI, e publicou os poemas nela recitados, da autoria de Manuel Franco de Sequeira, Luís Correia de Amaral e França, Belchior Manuel Curvo Semedo, Domingos Maximiano Torres, bem como um elogio histórico do Padre José Manuel de Abreu e Lima.
Lutas internas, como era comum nas academias de literatos, conduziram à sua desintegração, abrindo caminho para uma nova associação.
Em 1790, com o espectro da revolução francesa no horizonte, a nobreza nacional encontrava-se receosa e na expectativa da sua evolução. Os poetas Francisco Joaquim Bingre, Belchior Curvo Semedo e Joaquim Severino Ferraz de Campos decidiram, então, formar um cenáculo literário que tinha como desiderato fazer renascer as linhas de força que presidiram à “Arcádia Lusitana”, extinta em 1774, a qual apelidaram de “Academia das Belas-Letras de Lisboa”. A estes escritores se juntaram outros, tais como José Agostinho de Macedo, entretanto libertado da prisão, e Bocage que acabara de regressar do Oriente, na sequência de uma deserção das forças armadas.
As primeiras reuniões tiveram lugar em casas particulares. De imediato, porém, a aristocracia e Diogo Inácio de Pina Manique tiveram consciência de que esta agremiação literária poderia desempenhar um papel importante na pacificação e no controlo dos intelectuais. Com efeito, as ideias ditas francesas eram amplamente divulgadas por uma profusão de livros e panfletos iluministas que a Intendência-Geral da Polícia, a Real Mesa Censória e a Inquisição não conseguiam evitar.
Não surpreende, deste modo, que o Conde de Vimieiro tenha dado a mão à academia, disponibilizando o seu palácio para a realização de reuniões. Na sequência do seu falecimento, a sua sede foi transferida para o palácio do Conde de Pombeiro, José Luís de Vasconcelos e Sousa. Os encontros da “Academia de Belas-Letras” realizavam-se sob a presidência de um seu protegido, o “beneficiado” Domingos Caldas Barbosa, Lereno Selinuntino de seu nome arcádico, oriundo do Brasil e exímio tocador de modinhas.
Nos seus encontros, “as quartas-feiras de Lereno”, como Bocage causticamente as eternizou, os intervenientes banqueteavam-se exuberantemente, Caldas Barbosa tocava as suas composições e os escritores davam livre curso à sua pouco inspirada verve poética. A excepção era o talentoso Bocage, que, em sessões públicas, na presença da aristocracia e dos soberanos, recitou, em 1791, entre outras composições, os Idílios Marítimos.
Porém, o consenso poético foi efémero e, a partir de 1792, as fricções e os ataques pessoais eram lugar comum. Com efeito, a poesia laudatória, monocórdica, servida por uma retórica empolada e monótona, a feira de vaidades, o elogio mútuo e os ditames da época, numa sociedade vincadamente hierarquizada, despoletaram sátiras virulentas, para as quais a excessiva auto-estima e a irreverência de Bocage também muito contribuíram.
Os poemas recitados durante as sessões da academia encontram-se reproduzidos nos quatro tomos do Almanak das Musas, publicado em 1793, o qual constitui uma apologia rasgada da personalidade do Conde de Pombeiro e dos seus familiares, um tributo devido ao seu mecenas. Apresenta como expoente a tradução portuguesa da Arte Poética de Boileau, bem como uma carta deste escritor ao Conde de Ericeira, tradutor daquela obra, que constam do tomo segundo. Características neo-clássicas são visíveis nos poemas que o integram, cujos autores recorrem frequentemente à mitologia e à temática greco-latina, bem como aos seus géneros poéticos. Nesta publicação, estão representados poetas como Domingos Caldas Barbosa, o mais prolixo, Belchior Curvo Semedo, Francisco Joaquim Bingre, José Agostinho de Macedo, Luís José Correia de França e Amaral, entre outros. Bocage não colaborou nesta obra, porquanto já se incompatibilizara com alguns dos seus membros proeminentes.

Em 1795, as sessões da Academia foram transferidas para o Castelo de S. Jorge, onde estava sediada a Casa Pia de Lisboa, que fora fundada por Pina Manique. Sob o controlo apertado deste autocrata, a Academia continuou a reunir e a colaborar em festividades e homenagens oficiais – casamentos, aniversários, falecimentos dos soberanos, dos príncipes e da alta nobreza -, pelo menos até 1801.
Não são conhecidos quaisquer estatutos da “Academia de Belas Letras”, cujos membros, à boa maneira neo-clássica, ostentavam pseudónimos arcádicos, entre os quais se contam os seguintes: Bocage (Elmano Sadino), José Agostinho de Macedo (Elmiro Tagídeo), Francisco Joaquim Bingre (Francélio Vouguense), Belchior Curvo Semedo (Belmiro Transtagano), Joaquim Ferraz de Campos (Alcino Lisbonense), Domingos Caldas Barbosa (Lereno Selinuntino), Luís Correia de Amaral e França (Melizeu Cilénio), Domingos Maximiano Torres (Alfeno Cíntio), Tomás António dos Santos e Silva (Tomino Sadino), António Bersane Leite (Tiónio), José Tomás da Silva Quintanilha (Eurindo Nonacriense) e outros aos quais a pena cáustica de Bocage concedeu a posteridade.

Bibliografia: Borralho, Maria Luísa Malato e Melo, Gladstone Chaves – “Academias” in Biblos – Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa. Lisboa: Verbo, 1995; Braga, Teófilo - Os Árcades. Recapitulação da História da Literatura Portuguesa. Porto: Lello e Irmão, 1918; ID. - Filinto Elísio e os Dissidentes da Arcádia. Porto: Livraria Chardron,1901; Castelo-Branco, Fernando - “Significado Cultural das Academias de Lisboa no Século XVIII” in Bracara Augusta (Braga), nº 77/78, 1974, pp. 31-57; Figueiredo, Fidelino de – História da Literatura Clássica – Continuação da 2ª Época: 1580-1756. 3ª Época: 1756-1825. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1931; Palma-Ferreira, João – Academias Literárias Portuguesas dos Séculos XVII e XVIII. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1982; Silva, Luís Augusto Rebelo da - Arcádia Portuguesa, vols. 1, 2 e 3. Lisboa: Empresa da História de Portugal, 1909.
N. B.  Pesquisa de
Assis Machado


publicado por assismachado às 16:37
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