ESPAÇO COLECTIVO ARTISTICO E CULTURAL - COORDENADO PELA POETISA AMÉRICA MIRANDA - E ONDE SE INSEREM AS CONTRIBUIÇÕES DE TODOS OS TERTULIANOS, TANTO EM VERSO COMO EM PROSA, COM O OBJECTIVO DE DIVULGAÇÃO E HOMENAGEM AO GRANDE POETA ELMANO SADINO !
Sexta-feira, 30 de Junho de 2006
O MUNDIAL NA ALEMANHA - BOCAGE GOSTARIA DE FUTEBOL ? Frassino Machado
A VIGÍLIA DOS MAGRIÇOS

                I

No Salão nobre do motel,
naquela quadrangular mesa,
reuniu-se a futebol-nobreza
sob as ordens do coronel.

Ali riscaram um vergel
de geométrica singeleza
fazendo contas com firmeza,
como num tablado em papel.

Rei Scolari pregou sermão,
de Scaliburi em sua mão,
ditando o rumo da Vitória.

Todos de pé, olhos adiante,
gritaram com alma, avante !
Eis nossa sina, eis noss’ história !

                    II

SONHO DOS MAGRIÇOS

Na távola esverdeada os Lusos cavalgavam
sobre os ginetes belos, belos seus feitiços,
as fortes armas e os arnezes qu’ espelhavam
naqueles rostos a energia dos Magriços ...

Memorável Torneio há muito anunciado,
quis a sorte escolher os Bretões, que s’ armavam,
e, sendo p’ro troféu o prélio preparado
na távola esverdeada os Lusos cavalgavam ...

Correndo sobre a relva a bola incandescente
por Santo Graal s’ eleva além dos bons serviços
deixando entontecida toda aquela gente
sobre os ginetes belos, belos os feitiços ...

A liça transformou-se, por força do embate,
na prova contundente pela qual lutavam
pondo em confronto, nos dois lados, sem dislate,
as fortes armas e os arnezes qu’ espelhavam ...

Quão espantosa se tornou a dura luta
deixando, todavia, os corpos inteiriços
que a alma lusa logo ali virou permuta
naqueles rostos a energia dos Magriços !


Frassino Machado
In MUSA VIGILANTE 

               ***


publicado por assismachado às 18:33
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CRÍTICA BOCAGEANA - ASSIM FALAM OS ESPECIALISTAS !

HERNÂNI CIDADE  6

Conclusão

“...Para terminar, lembremos a crítica que à perfeição do verso bocageano fez o poeta brasileiro Olavo Bilac, de quem a Academia Brasileira de Letras, quando do segundo centenário do nosaso poeta, enviou em medalhão a figura em bronze que dele representa a cabeça, como homenagem ao seu par português. Bilac era um mestre do verso perfeito e, assim, autoridade inexcedível no juízo que formulou sobre a mestria de Bocage:
«Em Portugal – diz Bilac – a arte de fazer verso chegou ao apogeu com Bocage e depois dele decaiu. Da sua geração e das que a precederam, foi ele o máximo cinzelador da métrica. (...) Portugal teve talvez poetas mais fortes, de surto mais alto, de mais fecunda inspiração. Mas nenhum o excedeu nem o igualou no brilho da expressão.»
Olavo Bilac é perfeitamente justo em considerar Bocage «o máximo cinzelador da métrica». O que talvez seja igualmente justo é reconhecer que tal se deve à herança, que ele recebeu e a que foi fiel, dum classicismo tocado de certo grau de barroquismo que, por felicidade, apenas raramente assoma na sua obra, mas, quando surge, dá-lhe uma graça de irresistível sedução. De qualquwer modo, parece que a melhor definição que da sua arte de poeta podemos dar é a que a patenteie coimo espontânea resultante de um ser essencialmente harmonioso, dir-se-ia que por graça de Deus se comunicando em canto, e do seu esforço na utilização da lição clássica. Esta fazia de toda a arte, mas principalmente da poesia, prazer fruído por todas as faculdades: razão e inteligência, sensibilidade e imaginação, destas duas, porventura, o superior grau da primeira compensando a relativa pobreza da segunda. Da colaboração de todas estas faculdades provinha também a força que o naturalista alemão Frederico Link, que por esse tempo visitou Portugal, notou na obra daquele que todos lhe diziam ser o maior poeta dos contemporâneos”.

                                                                                 F I M


publicado por assismachado às 18:28
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Quarta-feira, 28 de Junho de 2006
POETAS / REVELAÇÃO - JOANA BAPTISTA
TU  E  EU
 
Por
Joana Baptista,  15 anos
 ( aluna do 9º ano )
 
Tu e eu.
O que somos nós
sem a presença um do outro?
Pergunta ao mais sábio dos sábios
se ele sabe a resposta;
pergunta à noite sobre a sua solidão,
se não existisse a lua para a fazer sonhar;
pergunta ao dia sobre a sua tristeza,
se não fosse o brilho do sol para o iluminar;
pergunta ao futuro sobre a sua importância,
na falta de um passado para nos guiar …
Vê como tudo isto é belo
e como os mais íntimos pormenores se completam:
assim somos nós,
nada somos na falta um do outro.
Tu, sem mim, o que és ?
Eu, sem ti, o que sou ?
Sou como uma folha levada pelo vento
sem vontade nem força própria;
sou como uma onda,
perdida no mar e que navega sem rumo.
por isso a resposta está no amor,
este sentimento que sentimos um pelo outro
e que nos completa o coração.
O nosso lugar é ao lado um do outro
bem juntinhos nesta vida,
não concordas ?

**


publicado por assismachado às 11:47
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ESTUDOS BOCAGEANOS - Dr. ADELTO GONÇALVES

BOCAGE E VOLTAIRE, OUTRA VEZ

                                                             Dr. Adelto Gonçalves                       

            Se o XIX foi um século húmido, como constatou Virginia Woolf (1882-1941), ao descrever uma Grã-Bretanha em que a humidade doía-lhe até nos ossos, o XVIII foi luminoso, o século da Luzes, de Voltaire (1694-1770), Montesquieu (1698-1755), Rousseau (1712-1778), Diderot (1713-1784) e outros pensadores. Por isso, como qualquer outro bom poeta setecentista, Manuel Maria de Barbosa du Bocage (1765-1805) foi marcado pela França.
Descobrir as influências que recebeu do pensamento francês foi o que levou a pesquisadora belga Florence Jacqueline Nys a escrever  As fontes francesas das Cartas de Olinda e Alzira de Bocage, sua tese de mestrado em Língua e Literatura Francesas, defendida em 2003 no Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho e publicada em 2005 pelo Centro de Estudos Humanísticos da mesma instituição em sua colecção Hespérides.
Não é de hoje que se desconfia de que Cartas de Olinda e Alzira, atribuídas pela crítica a Bocage, sejam de outro autor e, portanto, uma tradução bocagiana, como já havia assinalado Inocêncio Francisco da Silva (1810-1876), autor do Dicionário Bibliográfico Português. A verdade, porém, é que ninguém, até hoje, conseguiu colocar a questão em pratos limpos.
A partir daí, Florence Nys, com o objectivo de alimentar a tese da paternidade de Bocage, decidiu assinalar as afinidades entre Cartas de Olinda e Alzira e outros textos bocagianos, como a Epístola a Marília, também conhecida como Pavorosa ilusão da Eternidade, e duas traduções, Eufrásia a Melcour e Eufrásia a Ramiro, extraídas das Lettres d´une chanoinesse de Lisbonne à Melcour, officier français, do poeta Claude Joseph Dorat. Para a estudiosa, Bocage terá utilizado a forma do romance epistolar em verso delineada por Dorat, de quem foi tradutor, além de ter sido inspirado pela literatura pornográfica francesa, “à qual terá tido acesso através de diversas redes clandestinas”. Como se sabe, Cartas de Olinda e Alzira envolvem duas personagens femininas que mantêm uma correspondência contínua sobre o mesmo assunto: o amor carnal. É um texto que está muito próximo da filosofia libertina veiculada pelos escritores franceses do Iluminismo. Como lembra Florence, em uma das cartas, a sexta, Olinda condena a literatura obscena trazendo à cena “uma Teresa” e “outras tais francesas”.
Com visão percuciente, a estudiosa não deixa de lembrar que Bocage traduziu excertos de La Henriade e outras epopeias comentadas por Voltaire, além de ter incluído uma citação do filósofo em muitas de suas produções. Para ela, além da admiração por Voltaire, talvez Bocage tenha imaginado provar que seria capaz de produzir textos tão bons ou mesmo superiores aos do filósofo francês. O que intriga mesmo é que Cartas de Olinda e Alzira não façam nenhuma referência explícita à realidade portuguesa da época, mas antes à mitologia, à história romana e à literatura francesa. Sem dúvida, este é  um indício que reforça a hipótese segundo a qual Bocage teria traduzido um original de Voltaire. Pode-se alegar que a pressão da censura teria levado Bocage a omitir qualquer referência à realidade portuguesa, mas o certo é que poesia licenciosa era escrita para ser lida na clandestinidade e não para ganhar letras de imprensa. E muito menos para passar pelo crivo da censura. Nesse caso, o argumento pouco vale. Tanto que, há pouco mais de quatro décadas, em 1965, uma antologia preparada por Natália Correia, que incluía Cartas de Olinda e Alzira, foi apreendida e condenada pela censura salazarista.
 Seja como for, como até hoje não se encontrou o presumido original voltaireano, a questão continua em aberto, o que, por outro lado, suscita excelentes trabalhos de análise e investigação como este de Florence Nys.
         Na introdução que escreveu para o volume VII da Obra Completa de Bocage: Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas (Porto, Edições Caixotim, 2004), às págs. XXXIII e XXXIV, o rigoroso pesquisador Daniel Pires diz que a composição Cartas de Olinda e Alzira “apresenta inequívocas ressonâncias da literatura erótica francesa”, argumentando que “suas afinidades com a Pavorosa ilusão da Eternidade são evidentes”, o que bastaria para que caísse integralmente pela base a tese de que não são da lavra de Bocage, como advoguei em “Cartas de Voltaire atribuídas a Bocage”, artigo publicado no Suplemento Das Artes Das Letras de O Primeiro de Janeiro, do Porto, a 18/3/2002.  A alegação deste articulista, porém, não é fortuita. Foi feita com base em documento da secção de Reservados da Biblioteca Nacional de Lisboa, o códice 10576, que leva o extenso título “Miscelânea Curiosa ou Colecção de diversas Poesias & vários Autores: a maior parte de Bocage, ou traduções originais; algumas de J.A.da C. (José Anastácio da Cunha) e outras por autores incertos e que não conheço; e juntas por José Câncio Ferreira de Lima em Coimbra (acabado e revisto em Março de 1825)”. Nesse códice, às fls. 81-112, estão incluídas “Cartas de Olinda a Alzira traduzidas de Voltaire por Manuel Maria Barboza du Bucage” (sic), como Pires devidamente assinalou em sua introdução. É possível que esse contemporâneo do poeta tenha cometido algum equívoco e que Cartas de Olinda e Alzira sejam mesmo obra bocagiana, mas a verdade é que compará-las com a  Pavorosa ilusão da Eternidade também não prova nada, apesar do esforço louvável de Pires em mostrar que, “pelo estilo, pela temática tratada, por alguns versos que são em tudo idênticos aos da Pavorosa ilusão da Eternidade, (os versos de Cartas de Olinda e Alzira) só poderão ter saído da pena de Bocage”. Aliás, o pesquisador Carlos Castilho Pais, da Universidade Aberta, diz em artigo recente que a Epístola a Marília é tradução parcial de Imitação (do poeta grego Alceu) de Parny . Tampouco o fato de o investigador não ter encontrado nada equivalente a Cartas de Olinda e Alzira entre as obras conhecidas de Voltaire prova coisa alguma. O que há é uma hipótese de trabalho que a própria pesquisadora Florence Jacqueline Nys comprometeu-se a investigar em arquivos franceses, depois de ter participado connosco do Colóquio Internacional Leituras de Bocage nos séculos XVIII-XXI, realizado ao final de Novembro de 2005, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
         Convenhamos: não é hipótese absurda a possibilidade de Cartas de Olinda e Alzira constituírem tradução de Voltaire. Aliás, não seria a primeira vez que se descobriria que um texto por décadas atribuído a determinado autor não passa de  tradução. Recentemente, o professor francês Jean-Michel Massa, um dos maiores pesquisadores da obra e da vida de Machado de Assis (1839-1908), provou que Queda que as mulheres têm para os tolos, atribuído como da lavra do escritor brasileiro, é tradução do tratado. De l´a amour dês femmes pour les sots (1859), de Victor Hénaux, originalmente publicada na revista A Marmota, do Rio de Janeiro, nos dias 19, 23, 26 e  30 de Abril e 3 de Maio de 1861. A única edição em livro foi produzida pela tipografia Paula Brito ainda em 1861.
A bem da verdade, diga-se que Machado de Assis nunca afirmou que aquele era trabalho de sua pena, mas críticos brasileiros concluíram que o mestre havia se enganado (?) e, por muitos anos, consideraram Queda que as mulheres têm para os tolos como uma autêntica obra machadiana. Vai saber...
 
Nota :
AS FONTES FRANCESAS DAS CARTAS DE OLINDA E ALZIRA, DE BOCAGE, de Florence Jacqueline Nys, tradução de Conceição Moscoso e Manuel Ribeiro. Braga: Centro de Estudos Humanísticos/Universidade do Minho, 102, págs., 2005.

***


publicado por assismachado às 11:27
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TRIBUNA DOS POETAS - CELESTE REIS e Mª CUSTÓDIA PEREIRA
ATÉ AO FIM

Por
Celeste Reis

A credito no acaso
é o coração quem mo diz
o próprio Destino deu aso
p' ra que me sinta feliz.

Sei que a felicidade está em jogo
mas já que o amor aconteceu
minha alma virou fogo
e no meu peito se acendeu.

Quando de mim chegas perto
nem sei dizer o que penso
p' ra longe foi meu deserto
só ao teu amor pertenço.

Sendo ele uma dimensão
aonde não existe medida
assim o meu coração
estará contigo p ' ra toda a vida.

Sem sentir constrangimento
sinto a todo o momento
teu olhar poisado em mim...
e sem precisar juramento
iremos viver abraçados
p' lo amor ligados até ao Fim!

*

AS PALAVRAS SÃO GARGANTAS

Por
Custódia Pereira

Não sei porque deixam ficar
palavras presas na garganta,
palavras são para gritar
quando a voz se levanta.

As palavras são gargantas
quando são ditas na hora,
muitas deixam de ser santas
quando as deitam cá p' ra fora.

Mas palavras silenciosas
as que são ditas em segredo!
Muitas vezes são maldosas.

Pois eu dessas tenho medo
essas deixam-nos nervosas
porque trazem sempre enredo.

**

 


publicado por assismachado às 10:44
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CRÍTICA BOCAGEANA - FALAM OS ESPECIALISTAS !
HERNÂNI CIDADE  5

“É preciso acrescentar que, na oscilação, já apontada em Bocage, entre, de um lado, a nobre sobriedade e a máscula elegância clássica e, do outro, a natural fluência melódica, grata aos românticos, há momentos em que a arte em que havia sido educado toca o artifício barroco. Veja-se no soneto «A Morte Duma Formosa Dama», como as imagens evocadas da vida fazem esquecer as da morte, que o “tácito jazigo” mal deixa adivinhar. Em compensação, quando o poeta substitui a lira clássica pelo alaúde romântico pode atingir a expressão que o leitor observará no soneto que começa «Ó retrato da morte, ó noite amiga…» eis os tercetos por que termina:
E vós, ó cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos como eu da claridade,
 
Em bandos acudi aos meus clamores,
Quero vossa medonha claridade;
Quero fartar meu coração de horrores!
 
O último verso ultrapassa as medidas românticas; chega aos excessos delirantes do ultra-romantismo, para cuja poesia poderia ser adoptado como legenda.
A «Noite amiga, retrato da morte, por cuja solidão suspira», a cada passo põe sua treva na poesia bocageana, alternando com quanto de claridade nela projecta o hereditário espírito clássico. Há versos que daquela trágica obsessão prolongam a sombra e eles bastariam para marcar o pré-romantismo do poeta:
 
Velando está minha alma esquecida,
Envolta nos horrores da tristeza,
Qual tocha que entre túmulos acesa
Espalha feia luz amortecida …"
 
                                                                                              ( continua )


publicado por assismachado às 10:34
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Segunda-feira, 26 de Junho de 2006
A TRIBUNA DOS POETAS - Ma. de LOURDES FERREIRA e FÉLIX HELENO
“FALO PARA TI”

Por
Mª. de Lourdes Ferreira


Muitos anos o meu sonho viveu,
Mas um dia tinha que acabar,
Como a flor linda que floresceu
E com o tempo havia de secar.

Em vez de ficares tu, fiquei só eu,
Para sempre o sonho recordar,
O meu coração jamais esqueceu,
O grande amor que me fez sonhar.

Falo para ti, em vão, não respondes,
Vejo tua sombra a querer-me falar,
E porquê ? Porque de mim te escondes ?

As nuvens, por vezes, te vão acarinhar,
Estamos famintos de tantas saudades,
Tenho fé que um dia, te irei abraçar.

*

MADRUGADA DE OUTONO

Por
Félix Heleno

A madrugada de Outono
Regela o meu coração
E a brisa num abandono
Arrasta as folhas do chão
As folhas que vão caíndo
São sombras na madrugada
Que na vida vão surgindo
Numa alma enamorada.

O Verão foi embora
O Outono agora
Traz a nostalgia
E a madrugada
Está tão nevoada
Nem parece dia
No meu coração
Só há solidão
Porque tu agora
És folha caída
Que anda perdida
Desde aquela hora.

No Outono a madrugada
Mais parece um sol posto
E se a terra está molhada
É do pranto do meu rosto
As folhas que estão caídas
à beira nos teus olhos quintais
são sombras que andam caídas
e que já não voltam mais.
**


publicado por assismachado às 18:42
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CRÍTICA BOCAGEANA - FALAM OS ESPECIALISTAS
 HERNÂNI CIDADE 4

“Para Coleridge é a poesia « a melhor palavra na melhor ordem ». Bocage assim o entendia, mas considerando como «a melhor palavra», não apenas a mais significativa e de mais funda ressonância, senão também a de mais genuína raíz vernácula; e considerando como «a de melhor ordem» aquela que melhor insinuasse o encanto da música ou aquela a que mais relevo desse o arranjo artístico ou a imagem fúlgida. Nem o musical encanto se obtém á custa da clareza e vigor expressivos, nem estes diminuem aquele. O verso de Bocage tem a fluência natural e nítida da prosa, acrescida, porém, de todo o poder encantatório e emocionante da poesia. Pode o poema surgir de veementes explosões e tumultuosos conflitos interiores. Nem por isso é quebrado o harmonioso equilíbrio entre a sua ressonância na sensibilidade e sua eficiência sobre a inteligência. As duas quadras seguintes são exemplo de como o poeta artista tudo sabe submeter ao seu fino ideal estético, sempre vivo e vigilante:

A frouxidão no amor é uma ofensa,
Ofensa que se eleva a grau supremo
Paixão requer paixão; fervor extremo
Com extremo fervor se recompensa.

Vê qual sou, vê qual és, vê que dif’ rença!
Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo!
Eu choro, eu desespero, eu chamo, eu tremo,
E em sonhos a razão se me condensa!

Sim. O homem apaixonado fez tudo isto: descorou, praguejou, ardeu, gemeu, chorou, desesperou, chamou, tremeu; mas «o artista» sabia por demais que a víscera do sentimento – o coração – é «o vil músculo nocivo à arte», como o qualificava Carducci, e por isso lhe ordenou os movimentos em frase que, já de léxico e construção sintáctica de viva força, ainda recebeu, como expoente de expressividade e encanto, o rítmo de maior adequação sentimental; ou seja, o rítmo sacudido, galopante, de choques sucessivos, para exprimir os múltiplos, sucessivos aspectos do tumulto emocional vivido no passo presente”.

( continua )



publicado por assismachado às 18:37
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Segunda-feira, 19 de Junho de 2006
A TRIBUNA DOS POETAS - ARMANDO DAVID e FERNANDO ELOY DO AMARAL
GRANDE CLUBE DE ALEGRIA

Por
Armando David

Somos um Club de eleição,
Pelo desporto lutamos com fervor,
O esférico, no campo, é emoção
Rolando nos pés do jogador.

Temos modalidades desportivas,
Iniciamos aí a juventude.
Nosso fim é criarmos forças vivas,
Garantir a energia e a saúde.

Ciclismo, atletismo, natação,
Levamos o desporto a todo o lado,
Unidos com alma e coração;
Bons atletas, espírito bem formado.
Este Clube está representado

De Portugal, grande dedicação,
Emblema cujo tema tem gravado

Por símbolo de força: - o Leão.
Ordem, união e progresso
Realizamos sempre em cada dia,
Tentando que haja, com sucesso
Um desporto de forma mais sadia.
Grande Clube de alegria,
A cor verde é nossa liberdade.
Leão, no campo de Alvalade.

*

SOLIDÃO & SOLIDÃO, S/COMP. LDA

Por
Eloy do Amaral

SOLIDÃO 1

Ao Só, diz Solidão desconfiada:
- Não vi um solitário tão risonho.
Pareces bem feliz com o teu sonho
Na tua alma bem acompanhada.

Na Saudade, tens tanta gente amada
A dar-te ar alegre ou ar tristonho!
O bom da vida fica-te medonho,
A sofrida maldade aliviada.

Quem é só, vai vivendo da Saudade,
E do Sonho tão vasto e altaneiro
Tentando alcançar realidade.

Não tenhas desespero derradeiro.
Não temas Solidão nem escuridade.
Fica só no teu mundo verdadeiro.

SOLIDÃO 2

A Solidão, por vezes é encanto,
Outras vezes tão triste e amargosa.
Boa, em contemplação bela e gostosa,
Triste, se tudo à volta é desencanto.

Quando no ser a Alma entra em quebranto,
Perdendo a sua luz, esplendorosa,
Com o corpo a sentir dor tormentosa
De provocar só mágoa e cruel pranto,

A Vida vai perdendo o que é Beleza,
O que foi grande Amor esmaecendo
E a Alma cedendo à incerteza...

Depois, a Solidão sempre vencendo!
Que inefável o dom da Natureza!
Como tudo o que nasce vai morrendo!


publicado por assismachado às 19:25
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FELIZES OS CAMINHOS DA AMIZADE !

IX ANIVERSÁRIO DA TERTÚLIA POÉTICA

 

por
AMÉLIA MARQUES
 
Começo por felicitar a Digma. Presidente e fundadora da Tertúlia, América Miranda!
Mais um ano venceu com muito trabalho e muita luta, e também com grande dinamismo, que felizmente não lhe falta. Há nove anos a esta parte  que se dedicou de alma e coração a uma causa pela qual se tem batido  com muita persistência em defender e divulgar a poesia. Poesia esta que tanto ama. Querendo Deus, há-de continuar a dar-lhe forças e coragem para seguir em frente. E também com espírito de bom humor, que todos nós lhe conhecemos.
Há cerca de três anos que estou inserida na Tertúlia. Fiz novas amizades, as quais muito estimo e considero. Hoje, aqui estou fazendo parte deste alegre almoço.
Mais um ano se passou                                   O Pátio da Mariquinhas
E muitos hão-de passar                                   recebe com simpatia
Muito contente eu estou                                  são giras as janelinhas
Com todos vós a almoçar.                               jamais eu vi algum dia !


publicado por assismachado às 19:16
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