ESPAÇO COLECTIVO ARTISTICO E CULTURAL - COORDENADO PELA POETISA AMÉRICA MIRANDA - E ONDE SE INSEREM AS CONTRIBUIÇÕES DE TODOS OS TERTULIANOS, TANTO EM VERSO COMO EM PROSA, COM O OBJECTIVO DE DIVULGAÇÃO E HOMENAGEM AO GRANDE POETA ELMANO SADINO !
Quinta-feira, 27 de Abril de 2006
DIÁLOGOS DE CORRESPONDÊNCIA - SOPHIA E SENA
EXÍLIOS DA ALMA

SOPHIA

"Calculo o que sejam as tricas literárias aí. Para essas coisas é preciso filosofia, détachement e desprezo. (...) Aqui, nós temos agora bem pior, num campo onde as tricas são mais perigosas e muitos pacíficos cidadãos nos olham com ódio nas grossas mãos fascistas ( os fascistas têm mãos horrorosas)."
1961

"Valerá a pena você gastar tanta inteligência para explicar aos parvos que são parvos?"
1962

SENA

"Neste momento - pegue lá esta bomba - chegou ao Brasil, com autorização do governo brasileiro, o A. Cunhal, ou seja, o famigerado secretário-geral... Sabe ao que ele vem ? Procurar uma reunião 'deles' (...) da qual seja excluido este seu amigo, o Casais e o Paulo de Castro, isto é, o triunvirato da esquerda não comunista.
Já ninguém está pensando na queda do Salazar, mas na sucessão dele."
1962

SOPHIA

"A minha família - pelas sabidas razões políticas - quase não me fala. Os meus amigos de juventude quase me detestam."
1962

"Nós estamos bem. A minha filha mais velha fez ante-ontem quinze anos! A P.I.D.E. esteve em nossa casa revistando e levou todas as suas cartas. Recebeu o LIVRO SEXTO ?
Começou hoje o Concílio Ecuménico. Deus nos ajude."
1962

SENA

"Para falar francamente, Sophia, eu não acredito que esses sujeitos a admirem sinceramente, e a tenham premiado ( uns dois deles, pelo menos ) com honesta consciência. ( ... ) Mas que, neste caso, tenha havido coincidência num nome que é dos maiores da poesia portuguesa contemporânea. eis o que pode considerar-se uma justiça que eles praticaram por coincidência."
1964

SOPHIA

"Depois do prémio recebi 35 cartas anónimas e outros tantos telefonemas a altas horas da noite!"
1964

***



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A TRIBUNA DOS POETAS - LOBO MATA E ORLANDO LIZARDO
 BOCAGE 240 ANOS

Por
Lobo Mata


Nem tudo se perderá é bem verdade
no reino de gente, pessoas indolentes
lembrara-se, por acaso, sem maldade
doutros tempos, outros povos, insolentes.

Se a lição estudaram, indiferentes
ficaram; submetidos à sociedade
maldizente, cogitaram indigentes
como se fossem passados de idade.

Oh! Sociedade, abre os olhos à trama
passados duzentos anos de esperança;
oh Povo! Lê; exulta; põe fim ao drama.

Às dez, onze horas, vejam a cagança
de tantos otários procurando fama
que tal como Camões só Bocage alcança.


Lobo Mata
In "Escritos Meus"

*

MIRAGEM ...

Por
Orlando Lizardo


Cada vez mais parece ser miragem
o tempo já vivido e que passou:
visões nos horizontes da memória,
quando, às vezes, relembro a minha história,
tão viva nesse tempo que a marou ...


FAROL

Há no meu mundo um farol,
que me alumia e conduz.
Ele é meu norte, é meu Sol,
é o "Pai de Cristo" e Jesus !


Orlando Lizardo

**


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UM COMBATENTE POR BOCAGE - BRASIL
              
            ADELTO GONÇALVES é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo.  É também mestre em Letras pela Universidade de São Paulo na área de Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana. Em 1999-2000, fez um trabalho de pós-doutoramento na Universidade de Lisboa com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp). É professor titular da Universidade Santa Cecília (UNISANTA) e do Centro Universitáiro Monte Serrat (Unimonte). Estreou na literatura em 1977 com o livro de contos Mariela Morta. Em 1980, ganhou o Prêmio Nacional de Romance José Lins do Rego, da Livraria José Olympio Editora, do Rio de Janeiro, com o livro Os vira-latas da madrugada.
            Em 1986, obteve o Prêmio Fernando Pessoa da Fundação Cultural Brasil-Portugal e participou do livro Ensaios sobre Fernando Pessoa. Conquistou também os prémios Assis Chateaubriand de 1987 e Aníbal Freire de 1994, ambos da Academia Brasileira de Letras. Em 2000, com Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), ganhou o Prémio Ivan Lins de Ensaios da União Brasileira de Escritores e da Academia Carioca de Letras. Em 1997, publicou o livro de ensaios e artigos Fernando Pessoa: a Voz de Deus (Santos, Universidade Santa Cecília) Em 1999, publicou o seu primeiro livro em Portugal: o romance Barcelona Brasileira (Lisboa, Editora Nova Arrancada), que saiu no Brasil em 2002 pela Publisher Brasil, de São Paulo.
            Em 2003, publicou pela Editora Caminho, de Lisboa, o livro Bocage – o Perfil Perdido, seu trabalho de pós-doutorado. Jornalista desde 1972, trabalhou em O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, Editora Abril e A Tribuna, de Santos. É articulista do suplemento Das Artes Das Letras do jornal O Primeiro de Janeiro, do Porto, e do Diário dos Açores, de Ponta Delgada, de Portugal, e do Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, A Tribuna, de Santos, Jornal Opção, de Goiânia-GO, A Tarde, de Salvador, Campo Grande News, de Campo Grande-MS,  e das revistas Colóquio/Letras e Vértice, de Lisboa, e Revista do Centro de Estudos Portugueses, da Universidade Federal de Minas Gerais, alémdeescreverparaossites www.storm-magazine.com,www.nethistoria.comwww.revista.agulha.nom.br
www.cronopios.com.br, www.secrel.com.br/poesia,
www.verdestrigos.org, www.triplov.com e www.germinaliteratura.com.br 
Seus últimos trabalhos estão no blog: www.blog.comunidades.net/adelto  
MaisinformaçõesnoCurrículoLattesdoCNPq: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/index.jsp



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Terça-feira, 18 de Abril de 2006
FRASIOLOGIA BOCAGEANA
* “... o genial e imortal poeta Bocage... insigne personagem da Literatura Nacional, digna de ombrear com os maiores vultos da Poesia Portuguesa”.
 
Joaquim dos Santos Felix António

* “... sem ofensa para a memória do insigne repentista a posteridade, dura de ouvido como é, não abre as suas portas senão aos que em vida fizeram ruído.
O Manuel Maria vive no culto do nosso povo
Mais pelas tradições do Botequim das Parras, avolumadas pela lenda, do que pelos versos bons que improvisou e que poucos conhecem”.

Cândido Guerreiro

* “Bocage não é deste ou daquele, é de toda a gente”.

Romeu Correia

* “A 17 do presente mês de Fevereiro foi mandado para este Mosteiro pelo Tribunal do Santo Ofício, o célebre poeta Manoel Maria du Bocage, bem conhecido nesta Corte pelas suas poesias, não menos pela sua instrução”.

In Diatário do Mosteiro S. Bento da Saúde

* “... aproveitando os seus distintos talentos”.

Pina Manique

* “Bocage nunca errou um verso nem falhou um conceito. O oiro fino legado por Camões não podia ter encontrado mais inspirado cinzelador. Bocage é a harmonia e perfeição”.

Gomes Monteiro

* “Bocage dedicava-se à leitura dos Clássicos, conhecia as melhores Obras poéticas do tempo, admirava os escritores franceses, que preferia a todos os outros”.

José Ferreira Martins

* “O seu genial espírito de sonetista sem émulo”.

Henrique de Jesus

* “... um dos nossos maiores Mestres do Soneto, em cuja perfeição nem Camões nem Antero o vencem”.

José Régio

* “Ao Príncipe dos Poetas, todas as homenagens, todas as Homenagens são merecidas. Bocage é um dos maiores Poetas da Língua Portuguesa”.

Ruy de Carvalho

* “... Manuel Maria de Barbosa du Bocage, Príncipe dos Poetas e Vate Imortal”.

América Miranda

* “... um mancebo pálido, excêntrico e fraco de compleição, mas a mais original das criaturas poéticas que Deus formou”.

Lord William Beckford

* “A narração minuciosa da vida de Manuel Maria Barbosa du Bocage teria de ser um longo martirológico e uma brilhante glorificação”.

Filinto d’ Almeida

* “Congreguem-se todos os bons Amigos da Poesia no piedoso Trabalho da reabilitação de tão alto Cantor e adorável Artista!”.

Olavo Bilac

* “Bocage foi, sobretudo, um prodigioso artista da palavra, que se enamorou do Rio cantando-o em versos primorosos”.

Paulo Taca ( Bocage no Brasil )

* “Bocage venceu o tempo; a posteridade é sua”.

Galvão Teles

* “Estanca as mágoas, o teu pranto, e luto. Elmano triunfou...”

Ovídio de Carvalho e Silva

* “Um Génio, enfim, inspirado, generoso, sublime, cuja inquieta fantasia não se cansou de vaguear, indecisa, entre a Terra e o Céu”.

Santos Ferro


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Segunda-feira, 10 de Abril de 2006
JORGE DE SENA E SOPHIA ANDRESEN - “GIGANTES AMIGOS INABALÁVEIS”
As Cartas de Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner Andresen

São polémicas, políticas, poéticas. Até agora inéditas, as Cartas entre estes dois ilustres escritores e poetas portugueses vão ser finalmente editadas em Livro, durante esta semana. Preservadas por Mécia de Sena, Sophia foi adiando publicá-las em vida. A aventura dos filhos que nascem, a ausência inabitável dos próximos que morrem, a batalha da escrita com os dias, a pátria apoucada em que Sophia se sentiu sozinha e que infelizmente de Sena prescindiu e prescinde, Portugal, antes e depois da Revolução. Um Documento Transcendental que fazia falta ao nosso “raquítico mundo cultural”.
Neste contexto epistolográfico oiçamos as suas vozes :

SENA : “Como essa pátria, tirando o povo e uns raros, é vil canalha, e mesquinha ... ( e a minha amargura de erudito é a descoberta de que realmente o foi sempre, pelo menos do Século XVII em diante, quando realmente não merecíamos senão ter continuado espanhóis) !”




Sena, 1968

                                                                                                    


SOPHIA : “Eu começo a sentir-me incapaz de fazer tudo o que quero fazer.
Ser ao mesmo tempo poeta, mulher do D. Quixote e mãe de cinco filhos é uma tripla tarefa bastante esgotante."
Sophia, 1963


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Sábado, 8 de Abril de 2006
A TRIBUNA DOS POETAS - AMÉRICA MIRANDA E ANTÓNIO SALA

                                      

PRISÃO SEM GRADES

Por
América Miranda

Sonhei que estava numa prisão sem grades,
estava aprisionada
tentei libertar-me
completamente angustiada
gritei pelo Senhor meu Criador 
e Ele valeu-me com o Seu Amor.

Hoje estou livre de pesadelos,
de sonhos, angústias 
e tal como os pássaros posso voar 
e livremente sorrir
ser eu e todo o mundo amar.

A força telúrica que me foi dada
vence tudo, até a adversidade
vence deslumbramentos, vence vendavais 
e assim sou livre
tenho tudo e não tenho nada
resta-me afinal 
a saudade
companheira de todos os meus ais.


* 

                                    

HISTÓRIA DE PORTUGAL

Por
António Sala

Lisboa, velha dama, capital do meu País,
cidade de colinas e de guerras que eu não fiz,
mil histórias de um passado, pelo Rei e pela grei,
de terras de um só dono, dono de toda a lei.

Dum berço em Guimarães e duma Inês, mártir de amor.
de muitas dinastias, filipinas a pior
das trovas de Coimbra, dos fados de Lisboa,
de santos milagreiros, de tanta coisa boa.

País de mil heróis, guerras ganhas, perdidas,
da praia da Figueira à Foz das despedidas,
manhãs de nevoeiro em Alcácer Quibir,
d' El Rei que não virá, a um sonho que há-de vir.

 
País por inventar, deu mar às caravelas,
dobrou Adamastores, por cartas das estrelas,
dançou em novos mundos, com homens doutras cores,
nas Áfricas, nas Índias, antigos esplendores.

País que aos quatro pontos cardeais chegou,
da grandeza d’ outrora que migalha sobrou? 
ó meu pobre País, com rosto de criança,
preserva a Caravela como um sinal de esperança.

António Sala
In “Palavras Despidas de Música”


publicado por assismachado às 19:35
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POR VEZES BOCAGE ANDA POR AÍ ...
BOCAGE CONFESSA-SE !       


                                           BOCAGE entrevistado
                                           Por
                                           Imaginação Joteme

O mundo atravessa uma crise de valores, é uma verdade consensual. Há valores e valores. A Liberdade é um valor sagrado para uns. Mas, para outros, "há valores que mais alto se alevantam", como diria o Épico. Quando a barbárie fundamentalista começa a ganhar contornos preocupantes e ameaça fazer submergir o Mundo Ocidental com suas chantagens patéticas, eis que, vinda das brumas da História, surge essa figura imorredoira que dá pelo nome de Manuel Maria Barbosa du Bocage, o Elmano Sadino, o bardo iconoclasta e estrénuo defensor das liberdades fundamentais, sempre perseguido e vilipendiado em vida, mas, quiçá por isso mesmo, venerado e respeitado após a sua morte física. É, pela sua postura indomável, pelo seu carácter, daqueles que "se foram da lei da morte libertando", por isso, a jornalista Imaginação Joteme, graças aos seus poderes telepáticos, foi entrevistá-lo.
« Era um fim de tarde soalheiro. Imaginação vestiu-se de gala para honrar tão ilustre personagem. Assim, numa esplanada ensolarada, com aquele sol de inverno tão acariciador, na praça Luísa Tody, Elmano Sadino, com seu trajo típico, com o seu nariz adunco e olhar tristonho mas sempre atento e galanteador, foi desabafando:
B - Sabe, Imaginação, a liberdade está mais coarctada agora do que no meu tempo. Também havia censura... uns padrecos gordos e petulantes que iam aos jornais buscar algo para saciar a sua proverbial gula... mas nada de grave. Eu convivia bem com eles.
Nunca se viu invadir jornais (como agora no 24 Horas) e fazer uma devassa ignóbil!
I - A Justiça, então, não era tão persecutória?
B - Enfim, havia alguns juizes corruptos que, às vezes rosnavam umas ameaças quando eu escrevia aqueles termos libidinosos (mas vernáculos e puros!), mas eu sabia contornar esses mentecaptos: fazia-lhes um soneto e pronto... eles ficavam todos inchados e fechavam os olhos. Assim como quem dá uma nota de 50 Euros a um polícia que ameaça autuar-nos por conduzir sem carta...
I - Mas estes atentados à liberdade perpetrados pelos fundamentalistas, como isto dos cartoons ridicularizando Maomé, é coisa séria, não lhe parece?
B - Seriíssima! A Europa tem um património de tolerância e de multiculturalismo que é tão precioso como a Torre Eiffel ou o Arco do Triunfo e não o pode perder de maneira nenhuma . Há conquistas da Civilização que são irreversíveis. Estamos a recuar em termos de liberdade e de cidadania. Mesmo em Portugal temos assistido a cenas patéticas. A Justiça está uma megera de primeira. Há coisas que são de bradar aos céus!
I - O que é que o choca, Bocage? Desabafe connosco!...
B - Olhe minha amiga : aquelas cenas patéticas na Madeira, em que um tipo cheio de varizes na alma anda a fazer gato-sapato da democracia é uma delas. E em Felgueiras... Aquilo é diabólico! A Justiça (entre comas... aqui para nós!) anda de braço dado com a promiscuidade mais nua e crua!
I - Isso também consta lá nas paragens do Além?
B - Pudera! Aquilo é de bradar aos céus e aos infernos!
Diria mais. Estas cenas patéticas de em todas as comarcas os juizes levarem a tribunal cidadãos que são oposição ao poder local e que exercem o seu múnus de forma vertical e frontal é algo de patológico! Se um deputado municipal dá um peido (passe a expressão) vai logo a tribunal acusado de ter posto um artefacto bombista! Se um jornalista tosse, vai a tribunal acusado de injuriar e atentar contra a honra do presidente!
I - Mas, que podemos fazer? É assim... a Justiça que temos...
B - Nada de fatalismos. Há que lutar com todas as armas! Os jornais unidos devem destruir o poder que os tenta amordaçar !
Respeitem os vossos antepassados que nunca se deixaram vergar pelos opressores. Vede os exemplos de Camilo, de Camões, de Pessoa, de Aquilino, enfim, gente de boa cepa, gente de "antes quebrar que torcer"... portugueses de lei! Não vergueis a cerviz a esta Justiça pútrida e velhaca!
I - Bocage, há limites para a liberdade?
B - Claro que há, tem que haver!... Por falar em limites, no meu tempo não havia esse wonderbra, que lhe realça de forma magnífica, essas curvilíneas tetas, mas eu também tenho os meus limites! Limito-me a contemplá-los e jamais lhes tocarei por muito que custe ... claro que há limites, pois então!
(Imaginação ruborizou). Não esperava um galanteio daqueles vindo de alguém regressado do Além. Mas, erguendo o busto, arquejante, sentiu que esse galanteio era merecido. A maneira como se vestira para aquela entrevista era provocante.
Bocage prosseguiu, agora preocupado com o seu regresso.
B - Espero não ter que regressar ao meu país. Mas, quando regressar, gostaria de ver outra liberdade, outra justiça, outra alegria de viver, enfim, outro País. Este não é o país que Bocage tanto amou!... Entrego-lhe este poema que é o meu trabalho mais recente. Está muito contido em termos de linguagem espero que passe na "censura do JN"! Até sempre!
Imaginação ficou deslumbrada. Bocage desapareceu e deixou cair como uma folha de plátano outonal este poema. Era um Soneto.

                                      Esta coisa tão ruim que é a censura
                                      Essa velha megera encarquilhada
                                      Continua a castrar nossa cultura
                                      Pérfida criatura dementada!

                                      Versículos satânicos queimou
                                      Aos cartoons do profeta disse não!
                                      Tempestade cresceu, jamais parou
                                      O fanatismo é vento sem razão!

                                      O sonho andou pra trás, retrocedeu...
                                      Viver sem liberdade não é vida
                                      Por isso, aqui, não quero ter guarida!

                                      A Europa rasteja... penso eu
                                      Fez-se noite, tão negra como breu
                                      Bocage não vê luz!... 'stá de partida!


                                      Manuel Maria Barbosa du Bocage
                                      Setúbal 2006.02.25
                                      Joteme


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OS AMIGOS DE ITÁLIA - ACADEMIA INTERNAZIONALE "IL CONVIVIO"
CONSONANZA                                             

di por
Marco Righetti   

Una volta superato il vetro
l’idolo casto del manufatto
reso al suo splendore:
il bambino che guarda
ne possiede già il verso,
le dita in comunione 
non si feriscono
quando tentano la rima.
 
*
CONSONÂNCIA

por
Marco Righetti

Uma volta superado o vidro
o casto ídolo do manufacto
vergado ao seu esplendor:
o menino que guarda
não possui já o verso,
dita-o em comunhão
não se ferindo
quando tentou a rima.

**
POMERIGGIO D’ ESTATE

di
Rosa Spera

Ondate d’arsura
inducono l’andare del giorno
verso crepuscoli inerti,
rugiade indolenti
stilla la fontana nel patio
dove un merlo spegne il suo canto.
Cantilene di vento
graffiano la stasi silente
permeata di quiete,
echi di grilli
si fondono a cicale stridenti
su velluti di sfingi.
Tra le foglie del gelso
rituali di lontani respiri
rammentano voli di allodole,
inarrestabile avanza
uno strale irridente di lucciole
evocando frenesie che tormentano.
Un guizzo nel cuore
e come acqua arenata allo scoglio
ammaliata mi perdo,
debordo su argini di reminiscenze
e dolcezza di lacerazione
fluisce sul tramonto imminente.
Pomeriggio d’estate,
proscenio di miti immolati
su altari di disincanto.
*
TARDE DE VERÃO

por
Rosa Spera

Onda de secura
vestindo o andar do dia
verso inativo crepuscular,
indolente orvalho
liberta no pátio a fonte
onde um melro extingue o canto.
O cantar do vento
esboçando a noitinha silenciosa
preenchida de sossego,
ecos de grilos,
fundindo-se com a estridente cigarra
sobre os veludos das esfinges.
Entre a folha da amoreira
rituais de suspiros longínquos
remendando os voos da cotovia,
inesgotável distância
uma irridente senda do pirilampo
causando o frenesim que o aflige.
Um rebate no coração
e como água areada em escolho 
paciente me perco,
refreio seu dique de reminiscência
e doçura de desfalecimento
flutua sobre o pôr-do-sol iminente.
Tarde de Verão
contexto de imolados meios
sobre o altar do desencanto.


publicado por assismachado às 16:43
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MARQUESA DE ALORNA - A ILUSTRE "ALCIPE LUSITANA"

                                                         


Dona Leonor de Almeida de Portugal Lorena e Lencastre (1750-1839), condessa de Assumar, marquesa de Alorna e condessa de Oyenhausen, era filha dos segundos marqueses de Alorna.
Possuidora de uma esmerada cultura literária e científica, mulher activa e interveniente na vida política e cultural, incentivou o aparecimento de novas ideias estéticas e integrou o movimento árcade com o nome de Alcipe.
Obras: Obras Poéticas, em 6 volumes (Lisboa, 1844); Inéditos, Cartas e outros escritos.


          CONTIGO O CÉU


Se me aparto de ti, Deus de bondade,
que ausência tão cruel! Como é possível
que me leve a um abismo tão terrível
pendor infeliz da humanidade.

Conforta-me, Senhor, que esta saudade
me despedaça o coração sensível;
se a teus olhos na cruz sou desprezível,
não olhes para a minha iniquidade.

À suave esperança me entregaste, 
e o preço do Teu sangue precioso
me afiança que não me abandonaste.

Se justo, castigar-me te é forçoso,
lembra-Te que Te amei e me criaste
para habitar contigo o Céu lustroso!


publicado por assismachado às 14:38
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TODO O SÁBIO É POETA !



MARUJO, MESTRE E MONGE


Sou marujo, mestre e monge
marujo de águas paradas
mas que levam os navios
às terras por mim sonhadas.

Também sou mestre de escola
em que toda a gente cabe
se depois de estudar tudo
sentir bem que nada sabe.

Mas nem terra ou mar me prendem 
e para voar mais longe
do mosteiro que não houve 
e não haja, me fiz monge.


Agostinho da Silva
In “Dispersos”


publicado por assismachado às 14:10
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