ESPAÇO COLECTIVO ARTISTICO E CULTURAL - COORDENADO PELA POETISA AMÉRICA MIRANDA - E ONDE SE INSEREM AS CONTRIBUIÇÕES DE TODOS OS TERTULIANOS, TANTO EM VERSO COMO EM PROSA, COM O OBJECTIVO DE DIVULGAÇÃO E HOMENAGEM AO GRANDE POETA ELMANO SADINO !
Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2006
O QUE PENSAM OS "ENTENDIDOS" DE BOCAGE

« BOCAGE DA T.V. » , NA IMPRENSA

"Boémio, sempre se sentiu ferido pelo amor. Mas, também, foi muitas vezes a flecha envenenada de Cupido no coração de tantas mulheres. Bocage foi, em finais do século XVIII, um marinheiro em busca de um porto seguro. Morreu cedo e nunca descobriu o seu destino. A série que agora podemos ver, realizada através da mão segura de Fernando Vendrell, consegue ser uma bela viagem à sua vida lisboeta depois de ter vindo de Macau e Goa. Por um lado ilustra claramente as características românticas da sua obra. Por outro, o seu terrível fascínio pelo sexo oposto. Mas há sempre um grande equilíbrio na forma como estes temas são apresentados, algo que nem sempre é fácil de fazer numa reconstituição histórica.
Poderia ser um filme dividido em oito capítulos. São, pelo contrário, episódios que se transformam num filme sobre um homem que irrompeu na sua época como um furacão. Para além da criatividade de quem escreveu esta adaptação e da realização, há também que destacar o labor dos actores. Miguel Guilherme é um excelso Bocage, algo que só está ao alcance dos melhores. Anabela Teixeira é radiosa. Margarida Marinho, Henrique Viana ou Fernando Luís demonstram a sua grande capacidade de representação. E há uma jovem actriz a reter: Diana Costa e Silva. Com todos estes ingredientes descortinamos uma das melhores séries de ficção televisiva dos últimos anos".

In CORREIO DA MANHÃ



publicado por assismachado às 15:29
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2006
OS AMIGOS DE ITÁLIA - Academia Internacional " Il Convivio "
IL RESOCONTO

Di
Giuseppe Vorraro


Nell’ Autunno della vita
si arriva a un risultato,
la vecchiaia a noi invita:
“Tira le somme sfortunato!”
Con costanza e fantasia
“il geronte in patria mia
a me sembra più quotato”.
A voi tutti giovincelli,
emigratti in luogghi estrosi
sono pochi gli anni belli.
In compenso quei cativi
son bistungui e dolorosi
al di là dei patrii rivi !

*

Pelo Outono da vida
chega-se a um resultado,
a velhice nos convida:
“Rende o máximo desventurado!”
Com constância e fantasia
“o ancião na minha pátria
parece-me pouco competente”.
A todos cós, jovenzinhos,
emigrados nos lugares caprichosos
são escassos os belos anos.
Em compensação aqueles cativos
estão desorientados e amargurados!

*

LA VITA È COME UNA NOTE

Di
Giuseppe Leonardi

La vita
é come uno spartito di musica
tra cui noi siamo
le note del tempo.
Ci sono note armoniose
e altro stonate,
ma facciamo tutti parte
dello stesso concerto.
Il nostro attimo è come un secondo
nel quale non ci accorgiamo
della sua esistenza.

*

A vida
é como uma partitura de música
na qual nós somos
a nota do tempo.
Ali somos notas harmoniosas
e os outros desafinam
mas fazemos todos parte
do mesmo concerto.
O nosso momento é como um segundo
no qual não harmonizamos já
pela sua existência.

**


publicado por assismachado às 16:38
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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2006
A TRIBUNA DOS POETAS - FERNANDO ELOY DO AMARAL E GRACIETT VAZ
DA CAVERNA PROFUNDA


Por
Eloy do Amaral


Da Caverna profunda ao Alto Mundo
vai caminhando a vida tão confusa,
expectante, abismada e difusa
a sentir-se diversa num segundo.

Como tudo se eleva do profundo
a radiar a Vida tão profusa,
uma Vida a julgar-se tão intrusa
num Mundo multiforme bem fecundo.

Da cegueira abissal à luz do dia,
pela escarpada agreste vai a Vida
sujeita à realidade, à fantasia,

A tudo quanto à Vida é concedida,
como a Vida se cresce e se extasia
perante tanta coisa concebida.


*

À CIGANA LUÍZA


Por
Graciett Vaz

Em teus olhos há tristeza
mas com força desmedida
podes ter toda a certeza
que vais vencer na vida.

Cigana segue o caminho
onde alguém te envolveu
vive para o teu filhinho
é esse o destino teu.

Mantém teu pensamento
crê sempre no Criador
verás chegar o momento
repleto de paz e amor.

O orvalho do teu pranto
irá secar dia a dia
e no teu peito exausto
reinará a alegria.


publicado por assismachado às 19:00
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A TRIBUNA DOS POETAS - EUGÉNIA CHAVEIRO E MARIA DE LOURDES FERREIRA
CRIANÇA

Por
Eugénia Chaveiro

Nasceste és uma flor
és fruto do amor
amor podes dar
mostrarás ao mundo
que os momentos lindos
não podem transformar
nem em lágrimas, nem fome
onde a guerra não dorme
num grito fecundo
alerta a Humanidade
não quero ouvir gemidos
quero cantar o hino à liberdade !


*

GUARDO NO FUNDO DO CORAÇÃO

Por
Mª de Lourdes Ferreira


Tu foste a Poesia que escrevo,
guardo-a no fundo do coração,
como as açucenas, e o trevo,
fazem parte da nossa recordação.

Vivemos longos anos de amor,
hoje tornou-se imensidade,
todo aquele profundo ardor,
vai-me atormentando de saudade.

Meu destino ficou adormecido,
ainda vive em mim essa paixão,
penso o que na vida foi perdido,
com dor sinto pisar o mesmo chão.

O triste silêncio me acompanha,
muitas vezes o dia é escuridão,
tudo passa, continua tamanha,
horas grandes da minha solidão!


publicado por assismachado às 18:56
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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2006
CRÍTICA BOCAGEANA - FALAM OS ESPECIALISTAS !
TEÓFILO BRAGA

Quando um Burger, um Uhland, um Wiland, se iam inspirar nas fontes tradicionais da sua nacionalidade, e criavam na sua independência e originalidade a literatura alemã, a falta desta intuição amesquinhou o maior génio poético que o século XVIII produziu em Portugal; começou Bocage por imitar a Arcádia, os quinhentistas, o pseudoclassicismo francês, e acabou por traduzir o latim ( … ). A este império da imitação deveu Bocage os defeitos de quase todas as suas composições, uma constante alegorização dos sentimentos personificados em entidades, a mitologia morta falsificando sempre a expressão das emoções, além do invencível cunho do convencionalismo dos tropos retóricos.
Esta precocidade ( poética ), que alardeia, mostra-nos que o raro dom começou a fazer que o cercassem de admirações muito cedo, despertando-lhes antes do tempo um exagerado sentimento da personalidade; os gabos enfatuaram-no, colocaram-no na dependência de quem o lisonjeasse, e tornaram-no de uma sensibilidade extrema diante da crítica. A improvisação, de que tanto abusou, que foi a base das admirações, e as sátiras virulentas, que vibravam implacavelmente, provinham da necessidade de aplauso, mesmo banal, e dos ressentimentos de uma vaidade ferida.
Bocage era atraído pelas cantigas estonteantes que se entoavam num ou noutro café, e que a diligência do Manique conseguia logo abafar. A impressão dos principais sucessos da Revolução Francesa existe fixada nos versos de Bocage; vibraram na sua bela alma, que tinha o poder, como o confessou Lord Beckford, de governar a seu capricho as impressões dos outros. A poesia era a expressão do seu estado de espírito revoltado; feria inconscientemente com as sátiras pessoais e dava largas à liberdade de pensamento desse negativismo crítico do século XVIII.
… apesar de gastar todo o estro nas banalidades dos motes insípidos dos outeiros das eleições de abadessados e das luminárias reais, de longe em longe o seu instinto da liberdade suscitava-lhe algum soneto, que vinha preparar-lhe a ruína.

Teófilo Braga,
In "História da Literatura Portuguesa"


publicado por assismachado às 10:43
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Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2006
A TRIBUNA DOS POETAS - AMÉRICA MIRANDA E AMÉLIA MARQUES
OLHOS NEGROS

Por
América Miranda

Teus olhos negros profundos
procuram outros mundos
no negro do meu olhar
mas neste meu coração
existe a recordação
de uns olhos da cor do mar.

Eu só quero uma amizade
esta é a amarga verdade
nada mais eu posso dar
e então os olhos teus
procuram em vão os meus
pois não sou capaz de amar.

Tua beleza viril
pode ter encantos mil
para um outro amor qualquer
eu vivo na fantasia
de escrever minha poesia
e ser apenas mulher.

Muitas voltas dá o mundo
e pode um amor fecundo
um dia me visitar
não sei qual o meu futuro
por agora é mais seguro
ser tão só e não amar.

*

TRISTEZA NO MEU OLHAR

Por
Amélia Marques

É inimiga a tristeza
do brilho do meu olhar
gosto mais da beleza
de um sorriso sem ter par.

Que vá a tristeza embora
nenhuma falta me faz
saindo de onde mora
traz-me alegria e paz.

Em mim não tem guarida
já chegou a que lhe dei
não me complique a vida
o sofrer eu já deixei.

Tenta querer derrubar-me
mas não vai conseguir
se Deus o permitir
alegria irá dar-me
e voltarei a sorrir.

**


publicado por assismachado às 18:33
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O QUE DIZEM OS NOTÁVEIS DE BOCAGE !
- Portugal orgulha-se do seu grande poeta Bocage, pois na obra que nos legou, lêem-se lindíssimos poemas que exprimem amor, paixão, tristeza e até revolta. Na época os grandes génios, apesar de possuírem fortes asas, não podiam voar em liberdade.

Amélia Marques

- A poesia de Bocage é uma riqueza de saudade, as suas palavras são um bálsamo para os corações sofridos.

Maria de Lourdes Ferreira

- Bocage uma estrela a brilhar no azul do firmamento. Mestre do soneto, príncipe da métrica, génio sofredor e incompreendido, será sempre o maior poeta através dos séculos.

América Miranda

- O lirismo delicado de muitos dos seus versos, a profunda filosofia de alguns conceitos mal chegam aos que cultivam as letras e ainda que se escrevam volumes sem conto desvendando a sua grandeza de alma de estoico, o sofrimento de largos anos da sua vida atribulada, para o público, para o grande público, ele é a personificação da musa alegre.

João de Deus Guimarães

- Bocage, o autêntico Bocage que iluminou toda uma época, o excelso Elmano Sadino dos imortais sonetos, o vate prodigioso que viverá...
Bocage que Setúbal viu nascer e Lisboa teve a honra de agasalhar no seu seio, foi o maior génio poético do seu século.

Gomes Monteiro

- O intenso anseio de beleza formal e de expressão emotiva, tornou Bocage um grande lírico. ... Bocage é grande, é genial.

Falcão Machado

- Manuel Maria Barbosa du Bocage, o joalheiro lavrante da poesia, que filigranou o oiro do mais fino quilate da língua portuguesa...
... De talento e envergadura sempre superiores aos ambientes sociais que atravessou.

Felix Bermudes

- Bocage é a figura central da cidade de Setúbal, onde está uma espécie de altar, para o qual todos os setubalenses volvem os seus olhares.

Victorino Nemésio

- E, no exílio, onde sofreu magas tristezas, fomes e mil torturas, esse espírito genial, com um travo amargo deixou escrita a sátira a Manteigui.

José Ferreira Martins

- O único de cujo estro se poderá dizer, sem receio de hipérbole imerecida que volatisando-se as raras sublimadas de génio, mais se aproximou do cantor imortal da nossa epopeia: Camões.

Óscar Paxeco

- Numa cidade culta o nome de Bocage resplandeceria. Seria um farol. Uma honra, um caso raro de que poucas cidades se ufanam.

Dário Cabral

- Inteligência extraordinariamente viva e graciosa, moço de maneiras distintas, de aparência simpática, e, acima de tudo, sabendo encantar pela arte da recitação.

Guerreiro Murta

- Sendo a poesia a expressão musical do pensamento ninguém como Manuel Maria Barbosa du Bocage soube cantar a Ideia nas suas manifestações do Bem, do Belo e do Sublime.

F. Lopes Pereira

- Quem havia de prever, nesse ano de 1765, quando este menino nasceu, que naquele pedacito de carne tenra se encerrava o génio do maior poeta português, depois de Luis de Camões.

Mário Domingues

- Levanta-se Setúbal, para glorificar um dos seus filhos mais dilectos, o seu mais querido poeta, o genial Elmano.

Ernesto do Carmo

- Manuel Maria Barbosa du Bocage, o pujante temperamento de poeta e filósofo que em vida usou o pseudónimo de Elmano.

Augusto Barbosa

- Aquele que foi depois de Camões o nosso maior poeta e que foi a mais brilhante afirmação do génio português do século XVIII.

José Osório de Oliveira

- Bocage é de todos os poetas portugueses aquele que em mais alto grau possuia a capacidade de analisar-se interiormente.

Rogério Claro

- ... Bocage imortal, na música portento da tua obra genial...

Anúplio de Oliveira


publicado por assismachado às 18:11
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