ESPAÇO COLECTIVO ARTISTICO E CULTURAL - COORDENADO PELA POETISA AMÉRICA MIRANDA - E ONDE SE INSEREM AS CONTRIBUIÇÕES DE TODOS OS TERTULIANOS, TANTO EM VERSO COMO EM PROSA, COM O OBJECTIVO DE DIVULGAÇÃO E HOMENAGEM AO GRANDE POETA ELMANO SADINO !
Quarta-feira, 23 de Novembro de 2005
BOCAGE NA ESCOLA II - CRÓNICA DE UMA ACÇÃO DINAMIZADORA
Crónica de
Assis Machado

II

A sessão de autógrafos levou uma boa meia hora e mais duraria se um contínuo zeloso não interviesse a pôr ordem naquela ingénua barafunda. E se, de início, a pequenada apenas solicitava o popular “Compadre Alentejano” depressa se apercebeu que naquele lugar à disposição estava igualmente uma importante artista e, vai daí, a boa da Dona América teve que dar à sua caneta durante largos minutos.
Finalmente chegou a hora da refeição com a qual muito gentilmente a Direcção do Externato presenteou os nossos convidados. Foi em ambiente de agradável convivência que decorreu este almoço, o qual os nossos convidados muito apreciaram, nomeadamente o caldo verde tradicional. Claro que não há bela sem senão. Ainda o repasto não terminara e já uma pressurosa professora assumia ao fundo da sala, protestando da demora da sessão literária que, no fundo, era o ponto alto da vinda dos convidados. Foi-nos dito que os alunos já estavam impacientes e que sentados esperavam há coisa de trinta minutos. Que já tinham visto a exposição sobre Bocage mas que se fazia tarde para as inevitáveis últimas aulas da tarde.
Passei mensagem para dentro e depressa me dirigi ao Pavilhão festivo onde se concentrava a plateia juvenil e alguns professores resistentes com ela. Procurei, então, aproveitando este hiato, conversar com eles durante alguns minutos acerca do evento que ora comemorávamos, isto é, sobre o 2º Centenário da Morte do Vate Sadino. Destaquei o tempo histórico que lhe dá enquadramento e o seu valor na panorâmica das Letras Nacionais. Estava eu com a assistência ao rubro quando, de rompante assomam à entrada do Pavilhão os convidados de honra. Foram aplaudidos como era de esperar e, enquanto tomavam lugar na mesa de honra, expus eu próprio uma reduzida súmula biográfica dos nossos artistas.
Chegou, por fim, a vez de os ouvirmos. Primeiramente América Miranda saudou a assistência presente, que lhe retribuiu espontaneamente. Dando gentilmente prioridade a João Carvalho este, em alguns minutos, traçou uma ligeira panorâmica da sua experiência como actor e homem de cultura, testemunhando e realçando o papel cada vez mais significativo da juventude para a revitalização dos valores da nossa sociedade, incentivando os alunos presentes, e toda a Escola, para a necessidade de prepararem o futuro com toda a pertinência, empenho e, porque não, ousadia, à imagem do exemplo deixado por Elmano Sadino. Tendo sido ouvido com atenção por todos, João Carvalho presenteou-nos depois com a leitura dramatizada de alguns textos de Bocage. No final, ninguém ficou indiferente à sua mestria tendo sido o actor merecidamente muito aplaudido.
Por sua vez América Miranda, alardeando a sua vistosa e convincente forma discursiva, versou durante largos minutos sobre a vida de Bocage, realçando as suas aventuras nos seus relacionamentos com o mundo feminino. Opção esta que agradou sumamente à jovem plateia. A sua brilhante e rica dissertação foi ouvida sempre com toda a expectativa e interesse. Muito aplaudida, não deixou por seara alheia os seus dotes de declamadora, dando-nos a oportunidade de a ouvirmos declamar – como só ela sabe – dois dos mais conhecidos Sonetos de Bocage. Como era de esperar foi, ao terminar cada um deles, muito ovacionada.
A culminar as duas brilhantes intervenções assistimos a um momento poético e musical preparado por uma das Turmas de Humanidades do 11º ano. A mesma que tinha preparado uma pequena exposição alusiva ao evento. Em primeiro lugar um aluno fez a leitura de um soneto de Bocage dedicado à Liberdade e, de seguida, toda a Turma leu, em expressão dramático-jogralesca, um outro soneto bocageano sobre o mesmo tema. Na sequência desta participação o professor de História da mesma Turma resolveu interpretar, com a ajuda dos seus alunos, um soneto bocageano para o qual compôs a respectiva música. Foi esta a melhor maneira de terminar esta sessão cultural que, em jeito de suplemento, ainda incluiu uns minutos de perguntas directas, tanto por parte dos alunos como de alguns professores, aos convidados que, muito delicadamente e com toda a franqueza, responderam a contento, como se impunha.
E terminou esta visita e esta dinamização, num espaço escolar, que a escritora e poetisa América Miranda e o actor João Carvalho proporcionaram.
A Direcção do Bartolomeu Dias, muito reconhecida por esta experiência gratificante, procedeu à entrega de uma lembrança aos convidados que, muito sensibilizados, se despediram sem antes prometerem disponibilizar-se para uma próxima visita noutra oportunidade.


Assis Machado


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BOCAGE NA MORADA DE CAMÕES - EXPOSIÇÃO EXEMPLAR !
BOCAGE NA MORADA DE CAMÕES

Por
Frassino Machado


Entre as mais gradas e perenes soluções
há sempre alguma qu’ à cultura satisfaz
basta que o conteúdo seja pertinaz
como : Bocage na morada de Camões !

Organizou-se em plena dança de emoções
uma amostra sublime d’ Elmano em cartaz
num belo rasgo de energia contumaz
qu’ em polvorosa pôs outras Exposições !

Tertúlia Poética ao Encontro de Bocage
mostrou que tem ideias e sobretudo age
colocando almas gémeas nesta sintonia …

Todos gostaram de admirar a singeleza
e o gosto aqui patente na fiel certeza
de que quem ganhará é sempre a Poesia !


Frassino Machado
In AS MINHAS ANDANÇAS


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BOCAGE NA ESCOLA I - CRÓNICA DE UMA ACÇÃO DINAMIZADORA
Crónica de
Assis Machado

I

Eram quase onze e quarenta e cinco da manhã do dia dezassete de Novembro, sob um sol relativamente envergonhado mas sem frio, quando uma carrinha de nove lugares, com um motorista e um professor no seu interior, buscava um lugar seguro para estacionar nas cercanias do Largo de Alcântara-Terra.
Estavam sendo horas da chegada a bordo da ilustre escritora e poetisa América Miranda. Faltavam dez minutos para o meio dia quando a lídima artista surgiu à sacada de sua residência dando com sua figura digníssima uma estética sui generis à paisagem.
Fomos avistados lá do alto e logo um inteligente sinal nos fez compreender que breve seria a espera. E assim aconteceu. No ritual significativo da apresentação logo aquela carrinha e seus tripulantes ganharam em importância de arte e cultura o que lhes faltava na natural singeleza.
Dona América tomou a rédea do discurso ambulatório para significar que a ânsia de chegar a seu destino a preenchia totalmente: - Ora, vamos lá a essa Escola, que já se me aperta a preocupação de chegar bem... a minha voz ainda não está como eu gosto! O professor mete-me em cada uma ! Mas tudo se há-de arranjar! - Bom dia, senhor ... - Senhor Nabais, Dona América... como o outro !... Bom dia, como está minha senhora, esteja à vontade, retorquiu-lhe o bem disposto motorista.
E a carrinha lá partiu de Alcântara rumo a Santa Iria de Azóia. O percurso não foi extenso. Ao longo do Tejo e pelo Parque das Nações, passando a soberba ponte do Gama das Índias, lá fomos gerindo o tempo, pondo em actualização as triviais circunstancialidades discursivas.
Estavam quase a bater as treze horas quando finalmente chegámos ao Externato da nossa expectação. Bartolomeu Dias de seu nome. O tal da Boa Esperança. Fora este o tal projecto que lhe deu origem, já lá vão umas boas dezenas de anos.
- Lindo sítio, professor ! Muito saudável para toda esta juventude que lhe dá a vida! Até se me abrem os pulmões... Lindo sítio de verdade...
- Já cá cantam vinte e seis anos, Dona América ... e quase sem faltar nunca, disse eu.
- Ora pois, com um sítio destes até eu !
Estávamos nós nestas conjecturas quando fomos interpelados por uma das Directoras do Externato. Escusado será dizer que as cordialidades por parte desta e doutras Directoras, bem assim de todas as pessoas deste Estabelecimento de Ensino, foram as mais requeridas e justas para uma recepção que se impunha.
Enquanto não chegava o outro convidado de honra – a hora aprazada eram as treze e trinta – que era nada mais nada menos que o famosíssimo actor João de Carvalho, filho do ilustríssimo Ruy de Carvalho, Dona América foi conduzida a uma leve visita por algumas instalações desta Escola. Como não podia deixar de ser, quer pela natural e espontânea hospitalidade, quer pela simpatia com que foi rodeada por todos – e à qual a nossa poetisa sempre sabe condimentar com igual galhardia – o tempo depressa passou e a hora do almoço vinha a caminho. Contudo o nosso convidado demorava-se e o tempo escasseava.
Eis quando, finalmente, surge o “desejado” . Tudo parecia recompor-se mas, inesperadamente, com a sua entrada no recinto – quase sem haver lugar aos costumeiros cumprimentos – surge uma avalanche inevitável de criançada a pedir autógrafos ao actor. Foi assim, com naturalidade, que a fama dos “malucos do riso” se impôs.

Assis Machado


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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2005
BOCAGE É SEMPRE NOTÍCIA - EXPOSIÇÃO NA BIBLIOTECA MUNICIPAL CAMÕES
Bocage1.jpg
EXPOSIÇÃO BOCAGEANA - NO ÂMBITO DAS « COMEMORAÇÕES DO 2º CENTENÁRIO

DA MORTE DE BARBOSA DU BOCAGE »

Coordenada pela : TERTÚLIA POÉTICA "AO ENCONTRO DE BOCAGE"

*

BIBLIOTECA MUNICIPAL CAMÕES
no Calhariz
- Perto do Largo Camões -

*

Inauguração no dia
22 de Novembro de 2005
pelas 16 horas !

- Patente até 31 de Dezembro - Excepto nos Domingos e Feriados !

Horário de Visita : das 14 às 18 horas


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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2005
COMEMORAÇÕES BOCAGEANAS - BOCAGE NAS ESCOLAS !
ESTE BOCAGE

Por
Assis Machado

Num fim de tarde de Agosto do ano de 1790, vindo do Oriente, com bandeira portuguesa, entrava um navio na barra do Tejo indo ancorar frente ao cais da Ribeira. Nele viajou um famoso e esfuziante poeta que, ao longo de toda a viagem, alegrara toda a tripulação que maioritariamente era portuguesa. Todos se deleitavam com as suas cantilenas de tonalidade romântica, sarcástica, ironística e, por vezes, brejeira. A vida do mar a isso convidava.
Circulava então em Lisboa o eco trágico da Revolução Francesa que eclodira no ano anterior. A Liberdade era o hino que se cantava às escondidas por toda a parte, porque a polícia estava cada vez mais intransigente... não existisse em Portugal um férreo Regime Absolutista, como todos sabemos !
0 nosso desembarcado poeta – conhecido universalmente por Bocage – aproveitando a propícia onda que se enquadrava bem com o seu próprio temperamento instável e genicoso, começou cantando logo contra o Despotismo, chamando-lhe sanhudo, inexorável, monstro que em pranto, em sangue a fúria ceva, mas que não tiraniza do livre coração a independência, e compôs a partir daí muitos Sonetos em honra da Liberdade.
Eram estes os sentimentos políticos de Bocage e de todos os sócios da Nova Arcádia – centro poético por excelência naquela altura – salvas raras excepções. Nem escapava a este influxo o padre Agostinho de Macedo, ex-frade graciano, amigo do nosso Vate no seu regresso à pátria, mais tarde seu acérrimo adversário, e por fim reconciliado com ele no período curto da fatal doença que o vitimou para sempre.
A Nova Arcádia, honrava-se de constituir "uma sociedade de poetas", bem ao estilo da Europa daquela época. Para ela Bocage entrara em 1791, tomando o nome pastoril de Elmano Sadino, e contra a qual se indispôs em 1793. Em todo o tempo que durou esta polémica com os seus colegas, alimentada por veleidades de poetas e de literatos, trocaram-se as mais acerbas sátiras e vibraram-se epigramas os mais sórdidos de que há memória. Foi com Agostinho de Macedo que esta luta se tornou mais acesa. 0 implacável Despotismo da época não podia deixar de. perseguir a quem possuía sentimentos liberais, e Bocage era pouco acautelado na manifestação das suas crenças políticas e. religiosas. No ano de 1797 foram denunciados à intendência da polícia, como escritos pelo poeta, uns papeis ímpios, sediciosos e satíricos, que apareceram por todo o lado clandestinamente com o título de Verdades Duras, e continham entre outras coisas a epístola Pavorosa Ilusão da Eternidade. Bocage soube-o, e tentou refugiar-se, mas foi preso a 10 de Agosto desse ano, a bordo da corveta Aviso, que se destinava a partir para a Baía. Nas suas odes descreve o infeliz poeta os dissabores por que passou, a entrada no Limoeiro, como ali o molestaram, o segredo em que foi lançado, os inquéritos exaustivos e humilhantes que lhe fizeram. Finalmente, após tudo o que sofreu e sob as maiores privações foi transferido, por solicitação de amigos e protectores, em 7 de Novembro, para os cárceres da Inquisição. E tão rápido aí andaram com o processo, que a 17 de Fevereiro de 1798 dava entrada no mosteiro de S. Bento da Saúde, de Lisboa, e a 22 de Março passava ao hospício de Nossa Senhora das Necessidades dos clérigos de S. Filipe Nery. Os frades do Oratório com facilidade o doutrinaram, pois que em poucos meses Foi-lhe restituída novamente a liberdade, a qual alcançou por lhe não terem encontrado no processo motivos de condenação, e também devido à protecção do próprio ministro José de Seabra e Silva.
Em 1801 aceitou a proposta que lhe fez o naturalista brasileiro, o padre José da Conceição Veloso para, mediante o ordenado de 24$000 réis, fazer as traduções de vários poemas didácticos: os Jardins, de Delille; As Plantas, de Castel; A Agricultura, de Roset; 0 Consórcio das Flôres, epístola de Lacroix. Deste trabalho penosíssimo e da máxima responsabilidade, se saiu Bocage brilhantemente, sendo uma das coroas mais viçosas da sua glória de poeta.
Além dos poemas franceses, traduziu vários poetas latinos e italianos. Em 1791 publicou o 1.º volume das suas Rimas, os Queixumes do Pastor Elmano, e os Idílios Marítimos. Em 1799 publicou o 2.º tomo das Rimas, e em 1804, o 3º.
Em 1805 declarou-se-lhe a doença, a que havia de sucumbir. Mesmo assim, ainda nesse ano publicou Os Improvisos e os Novos Improvisos, escritos já durante a enfermidade. Os últimos cinco anos, que precederam a sua morte, foram bem dolorosos para o infeliz poeta, agitado de terrores e ansiedades, vendo-se pobre e doente. Tinha um grande amigo, o dono do café das Parras, no Rossio, José Pedro da Silva, conhecido pela alcunha do José das Luminárias, que tinha por ele uma quase veneração, e que na sua doença muito o auxiliou com donativos pecuniários e promovendo-lhe a venda de livros, participando também nas despesas do funeral. Aquele café tornara-se notável, por se reunirem ali habitualmente os poetas, pelas discussões e distúrbios, num gabinete reservado, que intitulavam o Agulheiro dos Sábios. Fora este o período mais buliçoso da vida de Bocage, improvisando em outeiros, em saraus, em patuscadas, com uma desenvoltura de costumes que muito concorreram, talvez, para lhe abreviar a existência.
Quando o pai do poeta falecera, veio para Lisboa sua irmã, Maria Francisca e uma sua sobrinha. Com eles viveu numa pobre casa da travessa de André Valente, até que a morte chegou. Alguns dos seus inimigos se reconciliaram com ele, assistindo-lhe aos últimos momentos. O próprio José Agostinho de Macedo, que era quem mais o agredira com o seu génio maldizente e invejoso.
Em 15 de Setembro de 1865, quando se completava o centenário do nascimento do popular poeta foi apresentado nas salas do Clube Fluminense do Rio de Janeiro, uma proposta, por José Feliciano de Castilho para que se lhe erigisse um monumento. Abriu-se logo uma subscrição para esse fim, sendo as quantias recebidas depositadas numa casa comercial. Pouco depois, deu-se na praça do Rio de Janeiro, uma violenta crise, e perdeu-se grande parte do dinheiro, salvando-se apenas uma pequena parte. José Feliciano de Castilho, apesar dessa contrariedade, não desanimou, e vindo a Portugal, conseguiu realizar o seu patriótico pensamento. A 22 de Novembro de 1871 a câmara municipal de Setúbal colocava a primeira pedra no monumento, que foi inaugurado a 21 de Dezembro seguinte.
Postas estas considerações biográficas - grande parte delas já bastante conhecidas de todos nós - poderemos estabelecer uma série de questões com as quais termino esta minha intervenção:

- Qual a razão pela qual Bocage teimou em seguir as metas existenciais percorridas por Luís de Camões ?
- O que fez estabelecer entre estes dois poetas um tal destino humano ?
- Porque é que Bocage, do mesmo modo que Camões, foi perseguido pelos poderes instituídos, os mais diversos, desde poderes privados até aos poderes de Estado ?
- Qual a diferença de identidade mais carismática que poderemos traçar entre estes dois lídimos poetas ?
- Porque é que não há Português nenhum que não tenha uma ideia, pelo menos ténue, de que Bocage foi um grande poeta e fale dele com um empenho de que mais nenhum outro se pode orgulhar ?
- E porque será que quase sempre todas as conversas acerca de Bocage tendem a privilegiar um teor acentuadamente brejeiro?
- Genericamente Bocage é considerado como um dos nossos melhores poetas. Alguns dos nossos melhores escritores e intelectuais desde sempre, e mesmo agora, têm-no considerado ao nível de Luís Vaz de Camões, nomeadamente nos seus Sonetos, considerados a maioria deles tecnicamente inegualáveis. Sendo assim, porque é que nas Escolas saiu dos Programas ?
- Porque é que Bocage é considerado, em termos de realização humana, um verdadeiro modelo do homem lutador contra tudo e contra todos ?
Em memória de Bocage :

A NOBREZA É ESTA

Ser prole de varões assinalados,
que nas asas da fama e da vitória
ao templo foram da imortal Memória
pendurar mil trofeus ensanguentados.

Ler seus nomes nas páginas gravados
d' alta epopeia, d' elegante história,
não, não vos serve de esplendor,
de glória, almas soberbas, corações inchados!

Ouvir com dor o miserável grito
de inocentes que um bárbaro molesta,
prezar o sábio, consolar o aflito;

Prender teus voos, ambição funesta,
ter amor à virtude, ódio ao delito,
"das almas grandes, a nobreza é esta"!


Barbosa Du Bocage


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A TRIBUNA DOS POETAS - FERNANDO ELOY DO AMARAL E PERPÉTUA MATIAS
A SURDEZ DO MUNDO

Por
Eloy do Amaral


De novo a bruma a dar negrume à vida,
de novo o vendaval destruidor
a derrubar um tão sonhado amor
de renovada fé, hoje perdida.

Como a alma se sente perseguida
pela garra feroz da cruel dor
implacável, a dar mais amargor
à já triste existência ressentida.

No coração, arcano de saudade,
embranhadas visões só torturantes
vão dando a dureza da verdade.

Que nos servem lamentos, tão gritantes
num mundo com surdez? Realidade,
que momentos nos dás angustiantes !

*

A BOCAGE

Por
Perpétua Matias

Bocage foi sabedoria
pois de tudo fez poesia.
Ao amor, à chuva e ao vento,
por tanto que padeceu
nota-se no que escreveu
muita mágoas e sofrimento.

Nos amores não teve sorte
escreveu sobre vida e morte,
misto de dor e tristeza,
foi sofrendo desilusões
escrevendo suas paixões
com carácter de nobreza.

Não nasceu p' ra ser doutor
mas tinha grande valor
como sempre demonstrou,
de entendimento profundo,
deixou glórias ao mundo
e este não o valorizou.

Bocage quando nasceu
existiam sinais no céu,
estrelas e esplendores...
Ninguém soube compreender
que acabava de nascer
um dos maiores trovadores.


publicado por assismachado às 19:09
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2005
BOCAGE NA ESCOLA - EXTERNATO BARTOLOMEU DIAS - Sta. Iria de Azóia
bocage1.jpg
COMEMORAÇÕES NACIONAIS DO 2º CENTENÁRIO DA MORTE DE BOCAGE

« ACÇÃO DE DINAMIZAÇÃO BOCAGEANA » - PAVILHÃO DO EXTERNATO
COORDENADA PELOS GRUPOS DE : História, Língua Portuguesa e Filosofia

DIA 17 DE NOVEMBRO DE 2005 - ÀS 15 HORAS

Com a presença do actor comediante JOÃO CARVALHO, "Malucos do Riso", e da
escritora e poetisa AMÉRICA MIRANDA, Fundadora e Presidente da TERTÚLIA
POÉTICA "AO ENCONTRO DE BOCAGE"

Nota importante : Estão convidados a participar os ALUNOS DAS TURMAS DO
SECUNDÁRIO e os PROFESSORES que possam estar disponíveis para o efeito.


publicado por assismachado às 15:46
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