ESPAÇO COLECTIVO ARTISTICO E CULTURAL - COORDENADO PELA POETISA AMÉRICA MIRANDA - E ONDE SE INSEREM AS CONTRIBUIÇÕES DE TODOS OS TERTULIANOS, TANTO EM VERSO COMO EM PROSA, COM O OBJECTIVO DE DIVULGAÇÃO E HOMENAGEM AO GRANDE POETA ELMANO SADINO !
Segunda-feira, 7 de Março de 2005
A TRIBUNA DOS POETAS - VON TRINA
A BELEZA QUE ADIVINHO


Por
VON TRINA

Agrada-me a ideia
que tonta perdida ao vento
me penetrou o peito
abraçando a mente
e num impulso de amor
vivificou em mim

Morrerei de saudades
solitário a escrever
poesia
só poesia

Mas depois a luz possuiu-me
como posso morrer solitário
se escrevo poesia
só poesia

Ao contrário do poeta tonto
acredito
que escrever poesia
só poesia
tonta como a do poeta tonto
é o acto mais social
evangelizador
colectivo
que consigo imaginar
( além do sexo em grupo )

Então
morrerei de saudades
- pouco mais que solitário –
por toda a beleza que não pude ver
mas adivinho existir
e viverei destas saudades
escrevendo poesia
só poesia
( tonta )


Von Trina
In SÓ O AMOR


publicado por assismachado às 11:34
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POETAS FAMOSOS - JOSÉ AGOSTINHO DE MACEDO
AGOSTINHO DE MACEDO.jpg
No Museu do Palácio agora entremos:
Aqui tenho o meu throno, e sou Rainha;
É este o Busto do Sandeu Vandelli,
Aquella estatua Bonifacio Andrade;
Os tres Reinos aqui classificaram,
Ordenadores Comissarios ambos.
Vai vendo, filho meu, sôbre os armarios
Dos subalternos na sciencia inutil
Os Bustos, em argila, em greda, em humus,
Dos correios da morte em longo fio,
Aqui ves os retratos na direita;
Do Museu da Sandice enfeites dignos!
Acolá o Ricardo tens, gran' Trolha,
Que em Coimbra a Catherina divertia,
Ao que Reitor dos Nobres ser devera,
E à Maçonica depois dignidade,
Agente d' Albion, dos Lusos Régulo;
Fazendo-o eu d' Estado Conselheiro,
Pois tal gente compete a tal Estado.
De Mello Franco a estatua envemizada,
Co'a essencia da Vaccina, aqui contempla;
De ranhosas crianças rodeiado
Este assassino está, co'a lancetinha
Mettendo o pus, e consolando a Morte,
Pois sem ella as trazer, bexigas forma.

Agostinho de Macedo
In A BESTA ESFOLADA


publicado por assismachado às 11:07
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POLEMISTAS CÉLEBRES - JOSÉ AGOSTINHO DE MACEDO
PERFIS

AGOSTINHO DE MACEDO

Por
Oliveira Martins

Faz hoje, 2 de Outubro, 55 anos que morreu o desbragado foliculário, o poetastro infatigável, o panfletário sabido que fundou entre nós o jornalismo político, com o Desengano, com a Tripa Virada e com a Besta Esfolada, de que chegavam a tirar-se quatro mil exemplares! Nunca houve homem mais plebeiamente popular; nenhum dos nossos caceteiros da pena lhe deitou a barra adiante na impudência, no descaramento, na desfaçatez. A sua veia (hoje diz-se verve), a sua facúndia, eram inesgotáveis. Sabia a linguagem das colarejas e rameiras, porque as frequentava; e o calão dos cárceres e das enxovias porque passou por lá. O seu estilo era torrente, mas jorro que sai de um cano – um enxurro violento de imundícies. Criou um género, que se nacionalizou português. Era alentejano, de Beja, onde nascera em 1761. Fez-se frade na Graça em 1778. Foi expulso por devasso em 1792. Os tempos tormentosos da passagem do século XVIII para o nosso, com o esboroar de todas as coisas, desequilibraram o pensamento e o carácter desse homem poderoso, cuja força se perdeu num dilúvio de vulgaridades, numa indigesta montanha de folhetos, de jornais, de sermões, de cartas, de poemas e de versalhada, medíocre, mas espantosa, pela quantidade – um Himalaia, de calhaus rolados! Um grande orgulho baseado na consciência da sua força real, levava-o a odiar Camões, esse desespero de Castilho que se parece tanto com José Agostinho como uma limonada com um almude de vinho torrejano, espesso, negro, e carrascão. As cócegas da rivalidade levavam-no a beliscar em Bocage, o grande homem perdido, que lhe respondia: ..
Epístolas, Sonetos
Odes, Canções, Metamorfoses...
Na frente põe teu nome, e estou vingado.
Elmiro, com a batina desabotoada, as ventas largas cheias de rapé, abordoado a uma bengala, membrudo, violento, ossudo, desbragado, dava murros no balcão gorduroso dos Bertrands, ao Chiado, enchendo Lisboa com o estrépito das suas polémicas e com a fama da sua vida airada. Andava amancebado com uma freira de Odivelas; passava as noites em arruaças e bebedeiras. Acusavam-no de ter furtado livros da livraria dos Paulistas, o que provavelmente era calúnia. Fabricava poemas: O Oriente, o Gama, A Meditação, Newton, A Natureza, para não falar nos Burros, traduzindo numa linguagem friamente convencional, sem génio, sem colorido, as sensaborias banais do racionalismo naturalista do tempo. Fazia comédias, pregava sermões. Ensaiava o drama burguês moderno, inventado por Diderot, com a Clotilde e o Vício sem Máscara, e alinhavava dissertações filosóficas. A sua veia porém, a sua vocação, era a polémica. Inventou o jornal, nacionalizou o panfleto. Foi o mestre de S. Boaventura, autor do Mastigóforo, e de Alvito Buela, o autor do Cacete. É por ser o patriarca do jornalismo lusitano que lhe comemoramos hoje o aniversário. Arrastado pelo movimento de entusiasmo patriótico que em 1820 expulsou os ingleses, José Agostinho apareceu liberal e democrata. Portalegre elegeu-o deputado em 1822; mas depois de 1823 e da Vila francada voltou-se como tantos outros para o absolutismo, e pôs-se à frente dos energúmenos caceteiros, que mais tarde aclamaram D. Miguel (1828). A Tripa virada é dessa época, interessante pelo seu desvario, curiosa pelos seus entusiasmos. A Tripa virada é ele próprio, que se virou do direito ao avesso, confessando o acto com uma franqueza, com uma desfaçatez, que terão sempre aceitação entre os povos meridionais, cínicos por temperamento, nos momentos de agudas crises. Sacudido o pó das sandálias liberais, encarneirado no bando de energúmenos avinhados que por toda a parte aclamavam D. Miguel, José Agostinho fez-se o apóstolo dessa ditadura plebeia, que veio a acabar em 1834. E de então a Besta esfolada. Trabalhar o cacete, desandar o bordão, descarregar o arrocho, são axiomas eternos e invariáveis regras de justiça... Toma daqui, besta! Chó, besta! Isso não faz nada; é perder o tempo e com bestas não há contemplação: perde-se a obra, perde-se tudo, se o pau não trabalha, e deveras. A violência plebeia contra os inimigos, a abjecção completa diante do tirano, o furor e a humildade, a lisonja e o vitupério; de um lado, a boca espumante e os punhos cerrados; do outro, a face por terra beijando o pó; esse estado de espírito incongruente do vilão com a vara na mão, de joelhos perante quem o armou: eis ali o que revela a oposição da Besta esfolada à Apoteose de Hércules, que se representou em S. Carlos na noite de 26 de Outubro de 1830. Hércules era D. Miguel.
Um ano depois, José Agostinho morria, sem ver o fim inevitável dessa tragi-comédia que durava desde 1828. Morria, e, apesar da sua banalidade, da sua monstruosidade cínica, apesar de tudo, foi Alguém. O povo amou-o, sentiu pelos seus nervos, falou pela sua boca. Porquê? Em primeiro lugar, porque o povo português, enervado por três séculos de decomposição, estava retratado na figura do padre. A força que ainda tinha esvaía-se toda em pedir arrocho, e em arrastar os cacetes apostólicos pelas portarias dos conventos e pelas vielas imundas das marafonas, cambaleando ébrio de cólera, e também de vinho frequentemente. Mas, em segundo lugar, a razão é outra. Dois homens podem entender-se para praticar uma traficância; muitos, é difícil – todos, nunca. Um povo pode ser cínico, mas não pode ser patife. Há sentimentos exclusivamente individuais, e a patifaria é um desses. Se um povo pratica acções criminosas, é porque perdeu a consciência do que seja crime. O povo é sempre sincero. A sinceridade, eis aí o segredo de José Agostinho; a franqueza foi a sua força; o desinteresse, a origem do seu prestígio. O cinismo desbragado, isto é, a sinceridade e a franqueza levadas até à impudência, com aquele desaforo dos que, não tendo vergonha têm o mundo por si, foram a nota dominante e a faculdade íntima do polemista que se achou desse modo num perfeito acordo com o povo. Plebeu, sem perfídias de civilizado, rústico, sem ambages de político, foi um arrieiro das letras, é verdade, mas não foi um chatim. Cobiçava a fama, cobiçava a popularidade mais vulgar; mas não cobiçava o dinheiro, ídolo exclusivo dos dias de hoje. Viveu sempre quase mendigo. As letras e o púlpito davam-lhe apenas para não morrer de fome. Era, a valer, o tipo do demagogo antigo ao lado de D. Miguel que reproduzia a imagem dos velhos tiranos lacedemónios do Peloponeso ou da Sicília. Além disso, levava sobre os dias de hoje e sobre os nossos foliculários outra vantagem: as suas verrinas não eram postiças, convencionais. Havia ódios, o que não deixa de ser um bem quando há antagonismos fundamentados. A imprensa não era ainda uma comédia representada para ilusão da galeria. Quando se jogavam injúrias, arriscavam-se facadas e tiros. Era sério. Finalmente, havia uma outra vantagem, se comparamos a Besta esfolada às Tripas viradas dos dias de hoje: é que as injúrias inflamantes, os insultos obscenos, as verrinas descompostas, dirigiam-se a um partido odiado que, de resto, pagava na mesma moeda, em vez de se dirigirem como hoje, que tudo são questões de pessoas, a fulano ou sicrano, portadores, quando muito, de uma individualidade incómoda ou de um interesse cúpido. Estudando comparadamente o jornalismo português com meio século de intervalo, vemos que a tradição de José Agostinho se mantém nuns pontos e se oblitera em outros. Oxalá seja para melhor!

Oliveira Martins,
Perfis (edição póstuma, 1930).


publicado por assismachado às 10:50
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Sexta-feira, 4 de Março de 2005
A TRIBUNA DOS POETAS - FRASSINO MACHADO
ETERNOS SILÊNCIOS


Há silêncios sem fim em toda a vida humana
silêncios estes que pr' a tudo são resposta
e o primeiro de todos quando a morte arrosta
sem qu' ela explique se é eterna ou profana...

Esta é a mais rude e mais ultramundana
de todas as verdades que ao homem desgosta
pois a vida que tem sabe que lhe é imposta
e a resposta é ignorância triste e desumana.

Qu' importa se há ou não aquela eterna vida
se em cada hora e território há sempre alguém
qu' a esse sonho alimenta e lhe dá guarida ?

E entre o sonho e o nada o que é que nos convém ?
Esfarrapar o nada e ao sonho dar mais vida
qu' os eternos silêncios não medram ninguém !



Frassino Machado
In ODISSEIA DA ALMA


publicado por assismachado às 19:50
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A SAGA BOCAGEANA - MEU FRÁGIL CORAÇÃO ...
BOCAGE.jpg


Meu frágil coração,para que adoras
para que adoras, se não tens ventura ?
se uns olhos, de quem ardes na luz pura,
folgando estão das lágrimas que choras ?

Os dias vês fugir, voar as horas
sem achar neles visos de ternura;
e inda a louca esp'rança te figura
o prêmio dos martírios, que devoras!

Desfaz as trevas de um funesto engano,
que não hás de vencer a inimizade
de um gênio contra ti sempre tirano:

A justa, a sacrossanta divindade
não força, não violenta o peito humano,
e queres constranger-lhe a liberdade ?


Barbosa du Bocage
In RIMAS


publicado por assismachado às 19:41
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A TRIBUNA DOS POETAS - FERNANDO ELOY DO AMARAL
À MEMÓRIA DE MARIA
DE LOURDES CUNHA VIANA


Por
Eloy do Amaral


Como a vida nos dá cruel tristeza,
depois de bem nos dar tanta alegria!
Como a realidade e a fantasia
se entranham na nossa natureza!

Neste mundo, tão certo de incerteza,
que nos dá solidão e companhia,
que nos dá negra noite e claro dia,
torna-se em mortal o que é viveza.

E nós, quando perdido alguém amado,
afundados na esfera da saudade,
onde tudo vivido é recordado,

Enfrentamos com dor esta verdade,
de deixar coração tão magoado:
- ver subir para o Céu, velha amizade !


Fernando Eloy do Amaral


publicado por assismachado às 17:58
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O MUNDO LITERÁRIO PORTUGUÊS - O PRE-ROMANTISMO
BOCAGE PRE-ROMÂNTICO


Detenhamo-nos nesta outra personagem-chave do panorama literário do fim do século XVIII. Figura popular da boémia lisboeta, improvisador célebre, Bocage esbanjou o seu talento em escaramuças de poetas calaceiros, clientes habituais de cafés de nomes pitorescos - proletariado intelectual resultante da mutação da sociedade portuguesa que, tendo perdido os seus mecenas, não tinha podido substituí-los. Agrupados numa «Nova Arcádia», enganavam-se eles a si próprios com uma ilusão académica que já não era do seu tempo. Situada entre duas épocas, a sua poesia não era, muitas vezes, mais do que um jogo hábil de palavras em que a cultura clássica se esvaziava de sentido. Assim fazia Bocage - mas o seu talento lançava-o mais longe, como que contra a própria vontade.
Por detrás das suas numerosas paixões, marcadas por eternos nomes de pastoras, e das suas sátiras, de rara violência, rompem a inquietação e a angústia. A obsessão da morte é o tema-chave da poesia de Bocage: a morte que ele reclama e teme - libertação, castigo ou perdão. Mas, sobretudo, uma espécie de terror permanente, uma presença nocturna que não o abandona - e que já não é o trio das Parcas, mesmo se ele ainda pode assim chamá-la. Este terror abre-se sobre o vazio, sobre o nada - sobre uma vida eterna que não seria mais do que ilusão e engano. Angustiado, o poeta gritará contra a «pavorosa ilusão da eternidade»; mas ditará no seu leito de morte um arrependimento de além tumba: «Já Bocage não sou! ...À cova escura...»
Com Bocage , é a morte e a noite ( «Oh retrato da morte, oh noite amiga» ) que surgem no sentido de modernidade dos Portugueses. Mas, com ele, a liberdade ( «mãe dos prazeres, doce Liberdade» ) adquire também uma cor nova que a França libertina ilumina, ao mesmo tempo que lhe oferece «o Deus da razão», 0 seu Deus que Bocage brandirá contra o «Deus do fanatismo», o «Deus que horroriza a Natureza». A Inquisição condenará as suas ideias filosóficas - mas não poderá nada contra o sentido da natureza que o poeta descobria traduzindo Bernardin de Saint-Pierre e Delille, já que, mesmo iludindo as descrições precisas do primeiro, ele não deixava de ser sensível às «ruínas», aos «castelos», aos «conventos abandonados» do segundo, arsenal de imagens de um gosto novo.
Chefe de fila dos Elmanistas, clã de poetas que, no limiar do Romantismo, se reclamavam da Arcádia, feliz ele próprio por usar um nome de pastor antigo, Bocage-Elmano é, contudo, um homem solitário, à sombra da morte que outros poetas só quarenta anos mais tarde sentirão. E a sua morte não deixará de ser interpretada pelos românticos de 1849 como um «suicídio» - desfecho lógico das «lutas de uma vocação incompreendida com as exigências miseráveis da sociedade». Ao mesmo tempo, um poeta ilustre insistirá sobre o seu carácter popular, vendo nele «um homem do povo», «o criador de uma poesia plebeia» ; mas vendo também nele um poeta maldito - igual a Camões, «pobre», «criminoso» e «malfadado» como ele. Camões, de quem José Anastácio da Cunha havia já denunciado, em cólera pré-romântica, o destino miserável que a pátria lhe tinha oferecido...
Um equívoco popular e anedótico se constituiu à volta da vida de Bocage, tanto quanto um equívoco literário em torno da sua obra; é preciso, porém, observar que, nele, os valores instintivos prevalecem sobre os valores culturais. O seu lugar é portanto ao lado de José Anastácio e de Gonzaga e não junto de Filinto Elísio, o chefe de fila dos Filintistas, poetas-«pastores» que vão opor-se aos Elmanistas, numa guerra pueril que precede a formação de uma consciência crítica dos problemas do Romantismo.

PRE-ROMANTISMO
In LITERATURA PORTUGUESA,
por Eduardo P. Coelho


publicado por assismachado às 17:41
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