ESPAÇO COLECTIVO ARTISTICO E CULTURAL - COORDENADO PELA POETISA AMÉRICA MIRANDA - E ONDE SE INSEREM AS CONTRIBUIÇÕES DE TODOS OS TERTULIANOS, TANTO EM VERSO COMO EM PROSA, COM O OBJECTIVO DE DIVULGAÇÃO E HOMENAGEM AO GRANDE POETA ELMANO SADINO !
Segunda-feira, 3 de Outubro de 2005
DEMONSTRAÇÃO CABAL DE «CULTURA INCULTA» !
Um Artigo infeliz
da
"AGENDA CULTURAL DA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA"

Aquando da REABERTURA DO MUSEU BOCAGE


O PRIMO DOS BICHOS

Por
Rui Tavares

Em primeiro lugar, vamos desfazer os equívocos. Não. O Museu Bocage não diz respeito à vida e à obra do poeta do mesmo nome. Ou melhor, alguma coisa terá ainda a ver: o boémio e libertino Manuel Maria Barbosa du Bocage era descendente de um francês chamado Gil L'Hédois du Bocage, e este era também "coantepassado" ou antepassado comum, como se diz agora em jargão neodarwinista – de um primo em segundo grau, José Vicente Barbosa du Bocage, nascido em 1823 na cidade do Funchal. Além dos ancestrais nada tinham em comum, porque José Vicente era paciente e estudioso, ao passo que Manuel Maria – vocês sabem que não era nada disso. José Vicente estudou em Coimbra e foi o primeiro professor de Zoologia em Lisboa, onde esteve no quadro fundador da Escola Politécnica, de que hoje é herdeira a Faculdade de Ciências. Fundou o Gabinete de Zoologia da instituição, para o qual recolheu espécimes durante praticamente meio século, seja forçando o Museu de História Natural de Paris a compensar Portugal pelo que levaram durante as Invasões Napoleónicas, seja integrando nele colecções reais, seja ainda recolhendo ele próprio as alimárias do nosso país, do Gerês aos Açores. Muito menos se esqueceu do seu "filho" quando se dedicou à política e foi Ministro do Ultramar e dos negócios dos Estrangeiros, ajudando aqui e ali a rechear aquele que considerava, com característica modéstia, estar "na vanguarda dos museus de segunda ordem". Se tinha razão ou era algo mais que isso poderá o visitante avaliar agora que as obras de restauro e beneficiação foram concluídas – e também para antegozar o regresso em pleno do núcleo de museus da Escola Politécnica.

                                                Rui Tavares


                              COMENTÁRIOS DA TERTÚLIA POÉTICA

Foi este Texto – no mínimo vergonhosamente ofensivo para a memória de um dos mais lídimos e egrégios poetas lusitanos – cuja responsabilidade pela sua publicação vai integralmente para o pelouro da Cultura  ( e que Cultura ?! ) da Câmara Municipal de Lisboa ... e logo no Ano da celebração do 2º Centenário da morte de Bocage ( 1805 – 2005 ) ! Ele que, tendo morrido precisamente nesta Cidade e à qual dedicou grande parte da sua vida, merecia desta edilidade um outro modo de comportamento que não este. Acreditamos que houve não só desprezo e arrogância por parte deste articulista de baixa patente mas também desleixo e irresponsabilidade por parte de quem devia cuidar de transmitir aos habitantes da Autarquia da Capital uma imagem de
honorabilidade, respeito e dignidade que os seus grandes homens de Arte, Ciência e Cultura eternamente merecem. Se, neste caso, o cientista Bocage bem merece as apreciações registadas no documento ( não estas que são de fraquíssima qualidade, como é óbvio ) achamos que as mesmas jamais poderão vingar como sinceras à custa do rebaixamento da alta personalidade artística que foi o nosso Poeta Bocage ! Acreditamos e propomos – em nome da «Tertúlia Poética Ao Encontro de
Bocage» – que a Câmara de Lisboa, sabendo ocupar o seu lugar neste contexto, chame à pedra o infeliz escrivão sem escrúpulos e que publique em breve – no âmbito das Comemorações Bocageanas 2005 – uma moratória de desagravo ao Poeta e a todos aqueles que, mesmo resistindo contra estas e outras intempéries de inconsciência cívica, lutam pela dignificação da nossa Memória Colectiva.
Prof. Assis Machado


                      POSIÇÕES CRÍTICAS ASSUMIDAS

Crítica 1 – Do poeta Orlando Lizardo:  "Bocage ( Grande Poeta ! ) não mereceria referências mais abonatórias, pelo valor da sua Obra Poética ? Para alguns parece ter sido apenas e só 'boémio e libertino'... ! Quanto é lamentável haver, ainda, quem se refira assim a um dos maiores Poetas de sempre !

Orlando Lizardo

Crítica 2 – Da Presidente da Tertúlia Poética, a poetisa América Miranda que ontem, dia 1 de Outubro, leu e comentou no Palco do Auditório Carlos Paredes – onde mais uma vez ocorria uma Tertúlia em homenagem a Bocage – este infeliz  e lamentável Texto, prometendo que o mesmo não ficará sem uma  resposta condigna e reparadora!

América Miranda

Crítica 3 – De vários poetas que, na mesma altura e lugar, aproveitaram a deixa para manifestar o seu justo repúdio pelo indigno Texto destacando-se a declaração de Júlio Roberto no sentido de este
Texto ser "o paradigma fidedigno da nossa miopia cultural"... afirmação que vai ao encontro da magistral tese do pensador americano Alain Bloom que, a propósito da decadência da Cultura Geral nos USA, apelidou-a de "Cultura Inculta".

Júlio Roberto

Crítica 4 – Do poeta Humberto Santa: Não conheço a obra do Sr. Rui Tavares. Se a tem, decerto poucos a conhecerão. Conheço a de Manuel Maria Barbosa du Bocage e, tal como eu, muitos se deleitam com ela. Se Bocage ainda estivesse entre nós, concerteza nunca teria ouvido falar do Sr. Rui Tavares mas posso garantir que o Sr. Rui Tavares continuaria a ouvir mencionar o nome do grande poeta Bocage nos grandes espaços de Cultura que o aconselho a frequentar. Todo o homem tem o tamanho da sua obra. Bocage é tão grande que o seu vulto, porque  intemporal, vive para além dos séculos. Daqui a alguns anos, ninguém saberá quem é ou foi Rui Tavares ou ainda pior, alguém perguntará ao encontar este artigo perdido numa qualquer gaveta sem uso :  -  Quem será este infeliz que se julga no direito de contribuir para o embrutecimento do nosso povo ?
Portugal está vivendo um momento culturalmente angustiante. Este é um artigo da Agenda Cultural da principal Câmara Municipal do nosso País. Mas, mais grave ainda, é o perfilar-se para concorrer à presidência da REPÚBLICA PORTUGUESA, um professor universitário que quando primeiro ministro não sabia quantos «Cantos» têm os Lusíadas do grande Camões.
Assim vai culturalmente o nosso querido PORTUGAL. Até quando ?!

Humberto Soares Santa


publicado por assismachado às 18:53
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1 comentário:
De Anónimo a 3 de Outubro de 2005 às 21:04
Lamento todo esse mal entendido que o senhor Rui Tavares escreveu. Bocage foi e sempre será um dos maiores poetas que existiu em Portugal. Jamais será esquecido. Enquanto houver um português neste Pais (PORTUGAL) BOCAGE será sempre lembrado.

VIVA BOCAGE
Viva Manuel Maria Barbosa Du Bocage.




"Custódia"Custódia Pereira
(http://groups.msn.com/poetassonhadores)
(mailto:Biazocas@hotmail.com)


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