ESPAÇO COLECTIVO ARTISTICO E CULTURAL - COORDENADO PELA POETISA AMÉRICA MIRANDA - E ONDE SE INSEREM AS CONTRIBUIÇÕES DE TODOS OS TERTULIANOS, TANTO EM VERSO COMO EM PROSA, COM O OBJECTIVO DE DIVULGAÇÃO E HOMENAGEM AO GRANDE POETA ELMANO SADINO !
Sábado, 21 de Abril de 2007
REFLETINDO BOCAGE - LOBO MATA
APRECIAÇÃO CRÍTICA DUM SONETO DE BOCAGE
 
Trabalho para ser apresentado em reunião de Tertulianos, no Teatro de D.ª Maria II, em Janeiro de 2007, por Virgílio S. Marques / Lobo Mata.
 
Vivendo-se na época entre o «clássico» e o «romântico» Bocage (um homem público desse tempo) não podia deixar de manifestar em si próprio e não só na obra literária os conflitos e as contradições que o consumiam.
Para quem teve uma vida tão curta é ainda mais extraordinário verificar a qualidade indesmentível da sua obra, principalmente dos seus Sonetos, a fazer com que muitas perguntas continuem a pôr-se: Como? Porquê?
De admirável «cinzelador» da métrica é notável a harmonia melódica, que a par do ritmo imposto nos seus sonetos os torna adequados para serem ditos, cativando ouvintes.
No «poema-soneto» que a sorte ditou fosse eu a comentar em reunião normal de tertulianos afectos ao grande Vate – e neste caso sem necessidade de elogiar o Nume – optei por um trabalho diferente, homenageando as mulheres e tantas elas foram na vida e obra de Bocage.
Nise, Marília, Gertrúria, foram sem dúvida as três mulheres que sistematicamente preencheram a vida, os sonhos, a escrita de Bocage...mas muitas outras houve.
Filis, Tirsália, a bela Acidália, a amável Jónia, a desdenhosa e Ó desejada Emira, Elisa, a linda Anarda, a distante Urselina gentil/pura, Ritália, a ingrata Flérida cujos olhos verdes esmeraldas são, a também ingrata Armia, o riso da celeste Armânia, os olhos da Corina, a inconstância de Inália, Márcia, Ulina, Ismene, Alcina, Tirseia, a cruel Filena, Lília de extrema beleza que morreu jovem e “virgem”, Anália ,a fidelidade, a firmeza, o sorriso.
« Ó ninfa que das graças melindrosas», « tens na face a lindeza... as cores».
A Felisa: a quem num outro soneto elogia as graças, “minh’ alma só se apraz, só se desvela, na glória de cantar, ao som da lira, os olhos de Felisa, as graças dela».
E neste soneto se queixa do desdém, da ingratidão.
 
“Por indústria de uns olhos, mais brilhantes
que o refulgente sol dos céus no cume,
jaz preso entre os grilhões do idálio nume
o mais terno e sensível dos amantes.
 
Uma ingrata, exemplar das inconstantes,
por génio, por sistema ou por costume,
todo o fel da tristeza e do ciúme
lhe verte sobre os míseros instantes.
 
Se com piedoso afago lhe suaviza,
lhe engana alguma vez a dor que o mata,
mil vezes em desdéns o tiraniza.
 
O laço aperta, e súbito o desata...
Ah! Doce encanto meu, gentil Felisa,
o desgraçado eu sou, tu és a ingrata.”
 
Sensibilidade, amor, ciúme, desesperação... mas também o génio.
                                    “EU ME ARREPENDO...”
                                    “JÁ BOCAGE NÃO SOU...”
 
                        “Ó MUNDO, Ó NATUREZA, Ó NADA”.
Dois séculos depois Bocage é vivo – NÃO MORREU !
´Virgílio S. Marques / LOBO MATA


publicado por assismachado às 19:30
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