ESPAÇO COLECTIVO ARTISTICO E CULTURAL - COORDENADO PELA POETISA AMÉRICA MIRANDA - E ONDE SE INSEREM AS CONTRIBUIÇÕES DE TODOS OS TERTULIANOS, TANTO EM VERSO COMO EM PROSA, COM O OBJECTIVO DE DIVULGAÇÃO E HOMENAGEM AO GRANDE POETA ELMANO SADINO !
Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007
LEMBRAR VELHOS TEMPOS - Uma «Tertúlia Antiga»
                                               TERTÚLIA ANTIGA 

                                                       Por 
                                       Fernando Eloy do Amaral


O homem era um livro vivo. Um conjunto de homens, uma biblioteca viva.
Por curiosidade, recordemos o rico comerciante de Roma, rico de bens materiais, mas pobre de cultura literária, que nos faustosos banquetes que dava, presenteava os convivas com um insólito sarau.
Como grande senhor, obrigava os seus escravos, depois de muito ensinados pelo mordomo, a declamarem tudo o que lhes fora dito e assim, com esta biblioteca viva, Itelius espantava os seus ilustres convidados e escondia a sua ignorância.
Como a cada escravo fora dado o nome do livro que sabia de cor, assim um era o “Odisseia”, outro o “Ilíada”, o “Eneida”, etc....
Mas por estranha justiça , todo o ignorante que se quer salientar com exuberância de sapiente, acaba no ridículo.
Pois o nosso Itelius foi atingido por esta justiça implacável. Um dia, depois do lauto festim, a conversa recaiu sobre assuntos de Literatura. Dissertavam acerca do modo requintado como os homens da Antiguidade organizavam as suas festas. Presumido e enfunado, Itelius, como querendo demonstrar os seus conhecimentos disse com certa petulância:
- Conheço um passo da Ilíada que descreve esse assunto. O meu escravo vai dizê-lo.
Fez um gesto soberbo ao mordomo que, tendo ouvido augusta frase, apavorado e tremente, logo se prostrou perante o seu amo.
- Perdoa-me, Senhor, o Ilíada hoje está com dores de estômago.
Perante este facto, o anfitrião, à falta de escravo declamador, foi instado pelos seus visitantes que lhes desse a honra de ser ele próprio a recitar o tal passo da Ilíada.
O destroçado sábio apenas teve de confessar a sua ignorância que, propalada pela cidade, o tornou motivo de troça geral.
Por isso vos digo que se ser ignorante é triste, mais triste é o ignorante querer passar por sábio. Mas também vos digo com amargura, que pior que o muito sábio que nos domina, que o tremendamente ignorante que nos subjuga, é o meio-letrado convicto da sua total sabença, por julgar que tudo sabe e que o que sabe é tudo quanto existe.
“De sábio e louco, temos um pouco”... com algo de vaidade. É mal universal que nos toca a todos. Façamos penitência!

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publicado por assismachado às 20:02
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