ESPAÇO COLECTIVO ARTISTICO E CULTURAL - COORDENADO PELA POETISA AMÉRICA MIRANDA - E ONDE SE INSEREM AS CONTRIBUIÇÕES DE TODOS OS TERTULIANOS, TANTO EM VERSO COMO EM PROSA, COM O OBJECTIVO DE DIVULGAÇÃO E HOMENAGEM AO GRANDE POETA ELMANO SADINO !
Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017
A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS - NA ERA PÓS - AMÉRICA MIRANDA (*)

 

«Em homenagem a América Miranda»

«PRESIDENTE DA TERTÚLIA»

 

  1. ESTRANHA CONTRADIÇÃO – América Miranda

 

A imensidão do mar é uma beleza

As ondas revoltas são tão lindas;

Como é bela, toda esta grandeza

Que vem das profundezas tão infindas.

 

A espuma no seu belo rendilhado

Vem espreguiçar-se na areia

E o céu, tristemente enevoado,

Faz lembrar o lento apagar duma candeia.

 

E quando já cansado da revolta

O mar se queda em imensa mansidão

A minha alma lentamente dá a volta

À tristeza do meu pobre coração.

 

E, então, rio, brinco e canto

E tranquila como o mar tão inconstante

Deito ao vento e ao luar todo o meu pranto

E quedo-me alegre por um instante.

 

Estranha contradição, ó poetisa,

Que a tua alma alegra e pisa!

 

América Miranda

In SEGUNDA ANTOLOGIA DE POESIA E PROSA POÉTICA

 

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. BELEZA INFINDA – Amélia Marques

  

À beira-mar me sentei e por instantes meditei…

Ó como é belo usufruir de tão grande beleza!

Contemplar o verde-esmeralda

Que se estende no infinito.

 

Como é belo olhar o azul do céu e o sol brilhante

Que ilumina toda a terra.

E como deve ser maravilhoso contemplar

O mar à luz do luar e das estrelas

E ter, por companhia, simplesmente a noite.

 

Elevarei os olhos ao céu e pedirei a Deus

Que os homens se entendam

Para um mundo melhor.

Que acabem as guerras

E que haja amor e concórdia

Em toda a Humanidade!

 

Amélia Marques

In 2ª. ANTOLOGIA DE POESIA E PROSA POÉTICA

  

 *

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. DEFINHAMENTO – António Carvalho

 

Perguntem o que tenho e não saberei dizer,

Experiências ao longo de uma vida,

Recordações da estrada ainda por fazer,

Ou da amante que foi perdida?

 

Obscuras são as delícias alugadas

Que inundam e incendeiam a respiração

Das almas que se julgam deslumbradas

Na sofreguidão do latejar do coração.

 

Como as ondas, uma a uma, sem cessar

Deslizam pensamentos, alentos sem destino

No horizonte dum azul claro e divino.

 

Dolorosa é a factura que tenho que pagar

Se deslumbrado e jovial, fiquei quando te vi:

Não perguntem o que tenho, mas sim o que perdi!

 

António Carvalho

In 2.ª ANTOLOGIA DE POESIA E PROSA POÉTICA

  

 *

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. ALDEIA DO INTERIOR – António Sala

 

Cresci numa aldeia do interior,
De casas mal pintadas.
Ruas estreitas,
Mal iluminadas
E campos floridos em redor.

Cresci numa aldeia do interior,
Onde em cada casa há uma varanda,
Vasos de barro
E flores à janela,
Um cão vadio é ali a sentinela.

Cresci numa aldeia do interior
Com uma ponte sobre o rio
E o velho moinho
Já cansado,
A mastigar o pão que mata o frio.

Cresci numa aldeia do interior
Onde uma
“chanfana”
É carne assada
Na caçoila.
O vinho é bem tirado
E quem vier depois
Terá sempre um lugar ao nosso lado.

Minha aldeia, minha aldeia,
Avenidas de alecrim,
Fontanário de cântaros sem fim.
Minha aldeia, minha aldeia,
Sons de sino a repicar
Ou que, dolentes, avisam
Que um de nós nos vai deixar.


António Sala
In PALAVRAS DESPIDAS DE MÚSICA

 

  *

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

  

  1. NO OUTONO DA VIDA – Armando David

 

Em pleno céu aberto,

Paralelo dezanove,

A tempestade está perto

Relampejou e já chove.

 

Nuvens negras, carregadas

De insensatez, meu desgosto,

Más vontades, trovoadas,

Chuva que rola em meu rosto.

 

Chega o Outono da vida

Sem o calor que eu preciso:

Em vez do sol por guarida

Tenho gelo, chuva e granizo.

 

Armando David

In 2.ª ANTOLOGIA DE POESIA E PROSA POÉTICA

 

 *

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. A TUA VOZ – Celeste Reis

 

  “Para América Miranda,

Opinião generalizada dos ouvintes

Da R. R.”

 

Renovam-se os dias em noites

As noites em dias

Só ouvindo a tua voz

Me passam as agonias.

A tua voz

Tem o condão

De levar para longe

A minha solidão.

 

Só a tua voz

É uma carícia de sol

Num dia invernoso

Em verdadeiro trinado

Sussurrante, apaixonado, delicioso.

 

A tua voz

É uma aragem refrescante

Uma estrela cintilante

Nesta abóbada sem fim,

É uma atracção deliciosa

Que revive silenciosa

Dentro de mim…

 

Somente a tua voz

Dá cor aos meus dias

E me poupa as arrelias

Nesta agitada viagem

Embelezando a paisagem

Das longas invernias.

 

A tua voz

Não sei de onde vem

Se vem da terra ou do luar

Do oriente ou do ocidente

Só sei que, ao ouvir-te falar,

Salta o coração de contente.

 

Ao sentir a tua voz

Perto dos meus ouvidos

Calam-se os meus ais

Naqueles sons musicais

Que fazem delirar os sentidos.

 

A tua voz

É um róseo amanhecer

Que leva para longe

As mágoas do meu viver,

Mágoas do meu coração,

São como hinos nas alturas

Que dão às noites escuras

Ternura e emoção.

 

Porque a vida se dilui

E porque o tempo é voraz

Só quando te oiço falar

A minha mágoa se desfaz…

 

E no deserto sem fim

Desta alma ansiosa

Vem até mim

Uma voz melodiosa

Que deseja e tenta

Dar à minha vida cinzenta

Um tom mais cor-de-rosa.

 

A tua voz, é uma doce sinfonia

Um novo alvorecer

Como um toque de clarim

Que ao vibrar em mim

Ma faz renascer!

 

Celeste Reis

In 2.ª ANTOLOGIA DE POESIA E PROSA POÉTICA

 

 *

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. DESABAFO NA POESIA – Custódia Pereira

 

Na Poesia encontro a paz que necessito

E assim, escrevendo, alivio a minha dor,

São frases curtas que teimo e insisto

Em demonstrar meu carinho com amor.

 

Ao leres o que escrevo irás pensar

Que dramatizo a sorte que Deus me deu,

Mas não me queixo, só quero desabafar,

E se choro é problema meu.

 

Compreende que é triste a solidão

E o amor faz falta ao coração…

Por isso não rias da minha escrita.

 

Um dia também a solidão te baterá à porta,

Ficarás gelada, quase morta…

E irás precisar de um carinho, acredita!

 

Custódia Pereira

In 2.ª ANTOLOGIA DE POESIA E PROSA POÉTICA

 

 *

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. SÚPLICA – Eugénia Chaveiro

 

Eu supliquei ao tempo que parasse!

P´ ra fazer algo, que ainda não fiz,

Ao sol e às estrelas para ser feliz

À Divindade que não me abandonasse.

 

Ao Firmamento eu implorei compaixão!

Que escondesse o sol ao amanhecer,

Não me aquecesse logo ao nascer,

O que orvalho não perfurasse meu coração…

 

E assim fui suplicando, dia após dia,

Que minhas penas voassem com o vento,

Pois teimam em não escutar meu lamento,

Entoando um acorde de triste melodia.

 

Por mais que introduza bemóis ou sustenidos

Oiço sonorizar como um carrilhão…

Mas, neste tão amargurado coração,

Só ecoa “a sinfonia dos gemidos”…

 

Nos tortuosos passos, desta caminhada,

Os “sons” do meu vazio vou escutando,

Em soluços e lágrimas suspirando

Calcorreando em “Dó” até ao fim da estrada.

 

Eugénia Chaveiro

In 2.ª ANTOLOGIA DE POESIA E PROSA POÉTICA

 

 *

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. ESTRANHA FORMA DE SER – Félix Heleno


Fumar é uma forma de suicídio. 
É um acto tão medíocre 
Que apenas antecipa a mediocridade da morte. 



Cigarro, estranho vício me contenta 
Álcool, estranha sede insaciável 
Droga, estranha ilusão que alimenta 
O prazer de ser um sonho irrealizável. 

Guerra, estranha forma de matar 
Ódio, estranha forma de viver 
Fome, estranha forma de aceitar 
A gula dos que comem por prazer. 

Que estranho é viver a procurar 
Toda a forma de querer sobreviver 
À procura do que nunca tem sentido. 

Que estranho é ser a morte a libertar 
Tudo quanto foi na vida padecer 
E tudo quanto nesta vida foi sofrido.

 

Félix Heleno

In OLHOS DA MENTE

 

 *

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. SOM DOS VIOLINOS – Fernanda de Carvalho

 

Mil violinos soando ao vento

São notas vivas de mil cores

As flores vão abrindo com o tempo

E vão-nos deliciando com seus odores.

 

E assim o nosso amor

Também vai crescendo

Como esse jardim em flor

São notas de música chovendo.

 

Trazem as cores do arco-íris

É chuva, é pranto, é harmonia

É um beijo que não causa dor.

 

Mas chovem, chovem notas dolentes

Notas cheias de alegria

E assim vai crescendo o nosso amor.

 

Fernanda de Carvalho

In CAMINHOS DE POESIA

 

 *

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. VIVER NA SOLIDÃO – Fernando Eloy do Amaral

“Ao amigo A. C.”

 

Angústia de viver na Solidão,

Onde vivem ausências, outras Eras,

Com sabor a perdidas Primaveras

Só presentes num triste coração.

 

Como Real, ficou como ilusão

Sempre a beber nostálgicas quimeras

E doces inverdades tão sinceras

A perturbarem lúcida Razão.

 

Esse estar só, com tanta multidão

Entranhada no vasto Pensamento,

Recordando o passado com Paixão.

 

Que inefável Prazer e que Tormento!

Enfrenta, amigo a tua Solidão

Sem mágoa, sem tristeza, sem lamento!

 

Fernando Eloy do Amaral

In 2. ª ANTOLOGIA DE POESIA E PROSA POÉTICA

 

 *

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. POMBA DA PAZ – Frassino Machado

 

Neste mundo de egoísmos foi charneira

Entre a matéria vã e o sentimento

Onde a Virtude busca o condimento

E o terreno propício à sementeira.

 

Foi homem bom com alma hospitaleira,

Guardando nela até o sofrimento

E a fé que ao mundo deu de alimento,

Com sorriso feliz a vida inteira.

 

Nos factos e tragédias sem esperança

Foi sempre aquele espírito em bonança

Pomba da Paz com ramo de oliveira…

 

Seu nome, todos sabem, correu mundo

Por ser o Santo Papa, João Paulo Segundo,

D´ almas eleitas a mais verdadeira!

 

Frassino Machado

In 2.ª ANTOLOGIA DE POESIA E PROSA POÉTICA

 

 *

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. PASSEIO À TERRA DE ELMANO – Graciett Vaz

 

Fomos nós, Tertulianos,

Unidos e muito humanos,

Visitar o uno Bocage.

A Casa estava fechada,

Toda a gente magoada,

Ora esta, mas que ultraje!

 

Valeu-nos irmos p´ la serra

Tão velhinha na hera,

Quase parece encantada.

Suas matas e arvoredos

Sussurram-nos de segredos

E o mar ouve essa toada.

 

Somos uma gente honesta

Dali seguimos p´ ra festa

Cumprimos o combinado.

Não deixou de ser feérica

E, na volta, Maria América

Exaltou o Bocage amado.

 

Graciett Vaz

In 2. ª ANTOLOGIA DE POESIA E PROSA POÉTICA

 

 *

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. PALAVRAS – Helena Bandeira

 

Palavras soltas, palavras loucas,

Palavras que se disseram,

Outras que ficaram por dizer…

 

Como saber se foram poucas

As palavras que se disseram,

Ou demais as que se calaram?

 

Como saber se foram as certas,

As palavras que se disseram,

Ou aquelas que se guardaram…

 

Pode a palavra dita ser perigosa…

 

Tanto quanto pode ser frustrante,

Triste, doloroso e inquietante

A palavra que ficou por dizer.

 

Se essa era uma palavra carinhosa!...

 

Que jamais fiquem por dizer

Gestos de carinho, ternura e amor…

 

Que jamais fiquem por dizer

As palavras ditadas pelo Amor!

 

Helena Bandeira

In 2.ª ANTOLOGIA DE POESIA E PROSA POÉTICA

 

 *

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. ALGUM MOTIVO – Humberto de Castro

  

Procuro encontrar uma razão

Que justifique

Eu não querer acreditar em Deus…

 

Há guerras e fomes,

Tantas injustiças e egoísmos,

Desavenças entre várias religiões,

Assaltos e pedofilia,

Tanta ignorância e mesquinhez…

E Deus não vê?

E Deus deixa tudo acontecer?

 

E eu continuo à espera

Que Ele me faça mudar de opinião

E me dê algum Motivo

P´ ra não deixar de acreditar n´ Ele!

 

Humberto de Castro

In 2.ª ANTOLOGIA DE POESIA E PROSA POÉTICA

 

 *

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. VEREDAS DO TEMPO – Jorge Rosa

 

Longe das pontas do infinito ainda sou,

Renasce o acontecer das coisas esquecidas

Palavras da memória, no gozo dos dias…

Nudez do grito ausente, incendiado

Pela torrente de emoções…

À saudade da chuva misteriosa

Onde cordo pela primeira vez

Do foco da solidão do pensamento.

 

Fico no momento do inerte…

Solipsismo da noite sem ninguém

Aqui, no critério das veredas do tempo

Esvoaçando entre as diversas emoções

Instantes de desassossego

O isto recortado, pela tempestade

E as coisas não são como se programam.

 

Jorge Ferro Rosa

In VADIAÇÃO POÉTICA

 

 *

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. CIVILIZAÇÃO SEM CORAÇÃO – Lídia Susana

 

Vale a pena fazer a viagem

Sentir a Natureza virgem

Como o mais belo coral,

Bela, pura, natural,

Pelas montanhas e florestas.

 

Na sua íntima pureza

O vento faz-nos festas

Refresca-nos com sua brisa,

O sol queima-nos, com seus raios,

Raios ardentes, abrasadores,

Mergulhar nos seus rios,

Cheirar o perfume das flores

É uma viagem inesquecível!...

 

Mas, o que é mal vai e vem

Uma destruição incrível

Cujo culpado é o homem.

Destrói tudo para a Civilização,

Civilização tão grandiosa,

Civilização tão majestosa,

Que nem sequer olha para o coração…

Nem sequer consegue reparar

Que ocupa um lugar de beleza.

 

Se reparasse, também não saberia parar,

Só sabe destruir o que nos dá

A mãe Natureza,

Isso sim, poder, dinheiro, Civilização…

Civilização, tu não tens coração!

 

Lídia Susana

In 2.ª ANTOLOGIA DE POESIA E PROSA POÉTICA

 

 *

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. MORRER DE AMOR – Lobo Mata

 

Ele cheira a terra

Tem a morte no olhar.

As palavras firmes

Os passos de matar.

 

Ela cheira a flores

Com doçura no olhar

As palavras meigas

O andar de matar.

 

Por amor

Ambos matam

Ambos morrem.

 

Ele e ela

Andam assim

Sempre a dar a dar.

 

Ele, coração duro,

Ela, coração de chorar.

 

Ambos morrem

De amor.

 

Por amor

Os dois se andam a matar.

 

Lobo Mata

In POEMAS MEUS

 

 *

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. MENSAGEM – Lourdes Agapito, Mª.

 

Como seria bom

E a Humanidade feliz

Se todos dessem as mãos,

Se houvesse compreensão

E, acima de tudo, Amor…

Muito Amor e Paz…

PAZ no coração;

E a Vida deixaria de ser

A tal bola de sabão

Que se desfaz!

 

Como seria bom

E belo o nosso viver,

Se os que têm a mais

Pensassem nos que têm a menos

Com fraternidade.

Como seria bom!...

A Vida teria mais sentido,

Mais sabor e mais verdade!

 

Mª. de Lourdes Agapito

In MADRIGAL PARA A VIDA

 

 *

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. PARTISTE FELICIDADE – Lourdes Ferreira, Mª.

 

Felicidade, onde estás?

Porque, sem querer, partiste?

Como bola de neve que se desfaz

Só de pensar em ti, fico triste.

 

Chora tantas vezes o coração,

Sente sangrando e está perdido,

Foi para longe a separação,

Um amor feliz, quando vivido.

 

Os anos vão-se alongando,

A felicidade foi p´ ra esquecer,

Vai-se andando e sonhando,

O tempo passando a correr.

 

E a solidão aumentando,

A cada dia que vai nascer,

Sempre me atormentando

Ficando, apenas, o entardecer…

 

Mª. de Lourdes Ferreira

In 2.ª ANTOLOGIA DE POESIA E PROSA POÉTICA

 

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. VERSOS DE AMOR – Luís Filipe Rodrigues

 

                                Dedicado à minha mulher

 

Reconheço que os poemas que eu já escrevi

Para muitos são poemas sem nenhum valor

Mas as palavras que no meu coração colhi

Foram sementes cuidadas com muito amor.

 

No seio da poesia, outro mundo eu descobri

Com alguns requintes de delicadeza e primor

E só pensando em melhorar o que já escrevi

Posso provar aos cépticos o meu real valor.

 

Quero aqui deixar registradas a nosso favor

Que ajudes a espalhar os meus versos por aí

Eles são o fruto de horas de dedicação e amor

A uma paixão que contigo cresceu por aqui.   

 

Agora, termino estes meus versos, sem temor

Consciente de todos os versos que deixo aqui.

Que eles sirvam motivação a quem se propor

Á amar alguém, como eu sempre te amei a ti.

 

Luis Filipe Rodrigues

In MAGIA POÉTICA

 

*

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. ERREI – Perpétua Matias

 

Subi a montanha

Esquecendo as minhas lutas,

Aquelas que eu perdi,

Mas meu pensamento teimava

Em recordar-me

Que tudo o que via era falso…

 

Desci devagar até à praia,

Deitei-me na areia,

Chorando mágoas, tristezas,

Dores e paixões,

E no silêncio da minha estrada

Fui caminhando…

 

Mas, esse, não era o caminho,

Nem o meu desejo.

Todavia, fazendo nascer a esperança

Com o desejo de chegar,

Por ali fui ficando, ficando

Muito só, em nostalgia…

 

Não era este o meu caminho

E a minha luta me envolveu,

Dia após dia.

Neste caminhar eu errei

E, o meu sofrimento enfrentei,

Até que o tempo passou.

 

Perpétua Matias

In 2.ª ANTOLOGIA DE POESIA E PROSA POÉTICA

 

 

A VOZ POÉTICA DOS TERTULIANOS

 

«Em homenagem a América Miranda»

 

  1. NOSSA SENHORA DO FADO – Rolando Amado

 

 

              A Amália Rodrigues

 

Sabe a passado e é nome de mulher

Nome simples mas cheio de magia

Sabe bem ouvir mas preciso é dizer

Que Amália é fado e que é poesia.

 

Chorava a cantar e assim viveu

O amor, o ciúme, a saudade sofrida

Por todo o mundo espantou e venceu

Que estranha forma de vida.

 

Que mistério é este que é só seu

Que não se explica e é divinal?

No fado és rainha de Portugal.

 

Sua voz é grande e não se perdeu

Partiu em viagem, porém é memória

Que tão bem canta a nossa história.

 

Rolando Amado

In CAMINHOS DE POESIA

 

______________________________________

 

(*) - O falecimento da grande poetisa América Miranda ocorreu a 27 de Setembro de 2017

Frassino Machado,

coordenador temporário desta TERTÚLIA que, entretanto - em homenagem a América Miranda se passou a chamar TERTÚLIA POÉTICA AMÉRICA MIRANDA:

https://www.facebook.com/Tertúlia-Poética-América-Miranda-129017903900018



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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012
TERTULIANOS LAUREADOS - MARIA DE LOURDES AGAPITO

 LOURDES AGAPITO - TERTULIANA ASSÍDUA

 

«PRÉMIO FERREIRA DE CASTRO 2003»

 

“Na edição do CD_ROM comemorativo dos 25 Anos do PNLJFC, sobre a vida da nossa Associação e a Vida e Obra de Ferreira de Castro contamos com a colaboração de várias personalidades ligadas à Literatura e Cultura Portuguesa nacionais e internacionais, a saber: António Amorim; António Cândido de Mello e Souza; António Magalhães; Associação Portuguesa de Escritores; Bernard Emery; Cecília Sacramento; Clóvis Rego; Eugénio Lisboa; Eurico Alves; Fernando Cristóvão; Francisco Lyon de Castro; Ivone Bastos Ferreira; Jorge Amado; José Artur Hespanha; José Augusto França; José Carlos Vasconcelos; José Ephim Mindlin; José Sarney; Junta de Freguesia de Ossela; Luciana Steggagno Picchio; Márcio de Souza; Maria de Belém de Menezes; Maria de Lourdes Agapito; Maria Luísa Tavares Bastos; Matilde Rosa Araújo; Nelly Novaes Coelho; Óscar Lopes; Pedro Calheiros; Ricardo António Alves; Urbano Tavares Rodrigues e Vítor Martins.”

 

POEMAS DA POETISA LAUREADA

 

POBRE HUMANIDADE

 

Como gostaria de odiar

E não sou capaz;

Ao menos detestar

Esta Humanidade

Da qual faço parte,

Odiar aqueles que só querem para si

E não se podem baixar,

Mesmo sem dores nas costas,

Mas por snobismo.

Ah, Sociedade,

Para onde caminhas?

Em vez de ofereceres felicidade,

Amor, comunhão, fraternidade,

Constróis abismos, distâncias, desunião,

Com alma de gás

E corpo de pez.

Ah, pobre Humanidade,

Não foi assim, não,

Que DEUS te fez!

 

* 

 

SORTE

 

SORTE! Sei lá se tu existes,

Só sei que não te encontro.

Luto para te ter,

Trabalho sem descansar,

Preciso de ti para viver

E não te consigo alcançar.

 

SORTE! Sei lá se tu existes,

Sim, sei lá…

Talvez quando eu rasgar o chão

E tiver montes de flores,

Uma lápide pintada

Longe da multidão,

Silenciosa e apagada,

Eu, que sinto medo da solidão,

Talvez nessa altura, seja compreendida

E a minha Poesia

Tenha “sorte póstuma”

E eu seja lembrada um dia.

 

*

 

QUERIA MORAR

 

Queria morar

Num Céu de luzes coesas

Acesas

Por mãos justas e verdadeiras.

Queria morar

Onde todos fossem felizes

Dias e noites inteiras.

Queria morar

Numa gruta de silêncio,

Num moinho de vento,

Num lugar para toda a gente,

Cheio de humanidade,

Paz e entendimento.

Queria morar

Em qualquer lado,

Onde ainda não vivi,

Onde nascessem flores, muitas flores.

Queria morar

Longe dos ruídos da cidade,

Pertinho do mar.

Queria morar

Apenas morar, meu amor,

Dentro de ti!

 

*

 

SOU UM PARADOXO

 

Brinco, salto, rio e canto

Como se fosse criança,

E dentro de mim há pranto,

Há tempestade e bonança.

 

A vida que eu amo tanto

E que é feita de esperança,

Tem e não tem seu encanto

Sendo mulher, sou criança.

 

Tudo o que sinto tem nexo,

Sinto em mim um complexo,

E levo tudo a brincar…

 

Sinto de tudo saudade,

Vejo em tudo felicidade

E passo a vida a chorar…

 

Maria de Lourdes Agapito

In MADRIGAL PARA A VIDA

 

***

 

Maria de Lourdes Agapito:

 

www.tertuliabocage.blogs.sapo.pt

 

http://facebook.com/atelierpoetico.frassino

 

https://facebook.com/pages/tertulia-poetica-ao-encontro-de-bocage/129017903900018



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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012
A TERTÚLIA NO FACEBOOK
TERTÚLIA POÉTICA AO ENCONTRO DE BOCAGE
NO
FACEBOOK

Informamos a todos os amantes da Arte Poética que esta tertúlia se encontra – a partir de hoje – disponível na rede social FACEBOOK , com o título:

Tertulia poética ao encontro de Bocage/Facebook

Endereço: https://www.facebook.com/pages/Tertulia-poetica-ao-encontro-de-bocage/129017903900018

Fazemos votos que todos os tertulianos e todos os simpatizantes desta Tertúlia possam desfrutar, partilhar e divulgar as tarefas que levarmos a cabo.
PARA INFORMAÇÕES OU CONTACTOS
Presidente da Tertúlia: americamiranda@sapo.pt
Responsável de Internet: assismachado@sapo.pt
Lisboa, 15 de Maio de 2012


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Terça-feira, 27 de Setembro de 2011
POEMAS DE GOETHE

 

                «O Príncipe dos Poetas Germânicos»

 

PROÉMIO

 

Em nome daquele que a Si mesmo se criou! 

De toda eternidade em ofício criador; 
Em nome daquele que toda a fé formou, 
Confiança, actividade, amor, vigor; 
Em nome daquele que, tantas vezes nomeado, 
Ficou sempre em essência incorporado: 

Até onde o ouvido e o olhar alcançam, 
A Ele se assemelha tudo o que conheces, 
E ao mais alto e ardente voo do teu 'spírito 
Já basta esta parábola, esta imagem; 
Sentes-te atraído, arrastado alegremente, 
E, onde quer que vás, tudo se enfeita em flor; 
Já nada contas, nem calculas já o tempo, 
E cada passo teu é já imensidade. 


Que Deus seria esse então que só de fora impelisse, 
E o mundo preso ao dedo em volta conduzisse! 
Que Ele, dentro do mundo, faça o mundo mover-se, 
Manter Natureza em Si, e em Natureza manter-Se, 
De modo que ao que nele viva e teça e exista 
A Sua força e o Seu génio assista. 

Dentro de nós há também um Universo; 
Daqui nasceu nos povos o louvável costume 
De cada qual chamar Deus, mesmo o seu Deus, 
A tudo aquilo que ele de melhor em si conhece, 
Deixar à Sua guarda céu e terra. 
Ter-Lhe temor, e talvez mesmo — amor. 

Johann Wolfgang von Goethe,

in "Últimos Poemas do Amor, de Deus e do Mundo", 
Tradução de Paulo Quintela

 

*

AGORA ME SINTO ALEGRE E INSPIRADO 


Agora me sinto alegre e inspirado em chão clássico; 

Mundo de outrora e de hoje mais alto e atraente me fala.

Aqui sigo eu o conselho, folheio as obras dos velhos 

Com mão diligente, cada dia com novo prazer. 

Mas, noites fora, Amor me mantém noutra ocupação; 

Se apenas meio me instruo, dobrada é minha ventura.

E acaso não é instruir-me, quando as formas dos seios 

Adoráveis espio e a mão pelas ancas passeio? 

Compreendo então bem o mármore; penso e comparo, 

Vejo com olhar tacteante, tacteio com mão que vê. 

E se a Amada me rouba algumas horas do dia, 

Em recompensa me dá as horas todas da noite. 

Nem sempre beijos trocamos; falamos sensatos; 

Se o sono a assalta, fico eu deitado a pensar muitas 

coisas.

Vezes sem conto eu tenho também poetado em seus 

braços 

E baixo contado, com mão dedilhante, a medida 

hexamétrica 
No seu dorso. Em sono adorável respira, 

E o seu hálito o peito me acende até à raiz. 

O Amor atiça a candeia entretanto e pensa nos tempos 

Em que aos Triúnviros seus o mesmo serviço prestava. 

  

Johann Wolfgang von Goethe,

in "Elegias Romanas" 

Tradução de Paulo Quintela



publicado por assismachado às 22:22
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O SÉCULO DE BOCAGE

 

 

 GOETHE, Wolfgang - 1749 - 1832 

 

BIOGRAFIA 

 

Goethe era formado em Direito e chegou a actuar como advogado por pouco tempo. Como sua paixão era a literatura, resolveu dedicar-se a esta área. Fez parte de dois movimentos literários importantes: romantismo e expressionismo. Apresentou também um grande interesse pela pintura e desenho.

No ano de 1786 foi para a Itália, onde morou por dois anos. Neste período escreveu importantes obras como, por exemplo, Torquato Tasso (drama), Ifigênia em Taúrides (peça de teatro) e as Elegias Romanas.
Porém, sua grande obra foi o poema Fausto, escrito em 1806. Baseada numa lenda, esta obra relata a vida de Dr. Fausto, que vendeu a alma para o diabo em troca de prazeres terrenos, riqueza e poderes ilimitados.
Em 1806 casou-se com Christiane Volpius, que faleceu dez anos depois.
Escreveu também sobre temas científicos. Defendia uma nova explicação para a teoria das cores, em oposição à defendida por Isaac Newton. Demonstrou também grande interesse por botânica e pela origem das formas de vida (animal e vegetal). Alguns pesquisadores afirmam que seus estudos abriram caminho para o darwinismo e evolucionismo (teoria da Evolução das Espécies).

 

Principais obras de Goethe

 

- Götz von Berlichingen - 1773 
- Prometheus - 1774 
- Os Sofrimentos do Jovem Werther - 1774 
- Egmont - 1775 
- Ifigênia em Taúrides - 1779 
- Torquato Tasso - 1780 
- Reineke Raposo - 1794 
- Xenien (em conjunto com Friedrich Schiller) - 1796 
- Fausto - 1806 
- Hermann e Dorothea - 1798 
- Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister - 1807 
- Faust II – 1833

 

Frases célebres de Goethe

 

- "A idade não nos torna adultos. Não! Faz de nós verdadeiras crianças." 

-"Todas as coisas no mundo são metáforas." 

- "A igualdade nos faz repousar. A contradição é que nos torna produtivo." 

- "Coloquei a minha casa sobre o nada, por isso todo o mundo é meu." 

-"A alegria não está nas coisas: está em nós." 

- "A natureza do amor tem sempre algo de impertinente." 

- "Ninguém é mais escravo do que aquele que se considera livre sem o ser." 

- "O que cantamos em companhia vai de cada coração aos demais corações." 

-"Um homem de valor nunca é ingrato." 

- "O homem deseja tantas coisas, e no entanto precisa de tão pouco."

 

 



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POETAS DO FUTURO

 

A CONSTRUÇÃO DO EU

 

Relembrando momentos passados

Os meus olhos se inundaram

Em recordações antigas

Meus sentimentos se afogaram!

 

Relembrar dias de ouro

Que tanto me fizeram feliz

Rolam lágrimas de saudade

De tanta coisa que fiz.

 

Saudade de personagens

Que ilustraram minha vivência

Saudade de passagens

Que iluminaram minha existência.

 

Cada pequeno personagem

Me ajudou na construção

Daquilo que hoje sou

Dona e senhora de um bom coração.

 

BENJAMIM

 

*

 

AMOR IMORTAL

 

Amar sem esperar,

Amor condenado.

Perder a razão de estar

E ficar abandonado.

 

Sei de onde venho

Mas não sei para onde vou.

Nem sei a razão que tenho

Do motivo porque estou.

 

Está errado, dirão…

Certo, não estará,

Que fazer então?

 

Tudo passará…

Mas o amor não.

Esse ficará!

 

Fátima Pela

 

*



publicado por assismachado às 18:54
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Domingo, 25 de Setembro de 2011
OS AMIGOS DE ITÁLIA

    Giovanni Formaggio


RIVIVREMO L' ALBA                                                                            

De                                                                            

Giovanni Formaggio                                                

 

Torna com i tuoi occhi di vent                                  

com le tue labbra                                                     

nutrite dalle mie radici                                              

com il tuo corpo                                                       

che as di flamenco.                                                 

Com le tue tempestea                                             

la tua quiete.....                                                         

È porta verde                                                           

il sale che há bruciato le tue rose                            

e ti há visto fuggire....                                               

Torna al tramonto                                                                 

quando il sole incendia le case e il mondo.  

Stingerò forte le tue mani                                        

trascinerò la tua anima                                            

nell'infinito....                                                            

Insieme                                                                    

rivivremo l'alba delle nostre fedi nuziali                   

come quel giorno....

 

*

REVIVAMOS O AMANHECER        

                                  

Por

Giovanni Formaggio

Volta com os teus olhos de vento

com os teus lábios

alimenta-te das minhas raízes      

com o teu corpo

que tens de flamenco.

Com a tua tormenta

a tua bonança…                               

É porta verde

o sal que queimou as tuas rosas

e te viu fugir…

Volta ao pôr-do-sol                            

quando o sol incendeia as casas e o mundo.

Distingue bem as tuas mãos

arrasta a tua alma

até ao infinito…

Juntos revivamos

o alvorecer da nossa fé nupcial

como naquele dia…



publicado por assismachado às 07:53
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TERTÚLIA ANUAL DE HOMENAGEM A BOCAGE

 

 AM ÉRICA MIRANDA PRESIDINDO À TERTÚLIA

 

AMÉRICA MIRANDA PRESIDINDO À TERTÚLIA DO PRETÉRITO DIA 17-09-2011

 

Tertúlia Poética Ao Encontro de Bocage – Tertúlia Anual de Homenagem a Bocage – celebra-se cada ano na segunda quinzena de Setembro. Porquê em Setembro e em cada ano? É o mês em que se celebra o aniversário do nascimento do Vate Sadino, Manuel Maria Barbosa du Bocage. Esta Tertúlia faz questão de lembrar a todos os amantes da Poesia e da Literatura, em geral, que Bocage – o poeta português mais popular, sem sombra de dúvidas – é o seu patrono artístico e também cultural.

Cada Tertúlia deve a sua motivação a grandes artistas que, do passado (muitas vezes longínquo), continuam sendo o modelo ideal para a sua forma de ver o mundo e de se afirmar como o fórum ideal das suas actividades humanístico-culturais. Esta Tertúlia, com sede na capital portuguesa, e dirigida pela conhecida poetisa América Miranda, desde há uns anos a esta parte, tem por hábito celebrar todos os meses a memória deste insigne poeta – facto que acontece no primeiro sábado de cada mês e, uma vez por ano, em Tertúlia Alargada comemorativa do seu nascimento.

Pode dizer-se que esta mesma Tertúlia tem sido um dos polos culturais mais dinâmicos da Capital, não só pela assistência que tradicionalmente consegue aglutinar à sua volta mas, principalmente, pela revitalização da convivência cultural e artística de que faz jus e atracção na vida comunitária das autarquias. Assim sendo, estas Tertúlias têm-se mantido em grande parte devido ao agrément e patrocínio, ainda que insuficiente, dos pelouros culturais das Juntas de Freguesia. É o caso da Junta de Benfica. Ali teve lugar, desta forma, no sábado passado mais uma Tertúlia Poética Alargada Ao Encontro de Bocage.

 

Prof. Assis Machado



publicado por assismachado às 07:16
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Quinta-feira, 8 de Setembro de 2011
COLABORAÇÃO POÉTICA
 

O HOMEM-ESTÁTUA

 

Numa tarde com sol, na Primavera,

Andava vagueando no Chiado,

Quando vi um “homem-estátua”, no passeio

Imitando a figura de Camões.

Petrificado, imóvel, permanece.

Então num movimento inesperado,

Desperta, estremece.

 

Alteando um rosto pálido, inspirado,

Começa a recitar, de cor, uns versos:

Sonorosas estâncias dos Lusíadas

Do seu canto primeiro.

Quem dera fosse eterno

Tão breve e belo instante

E nunca passageiro.

  

Em momentos dum tempo, já sem crenças,

Por vezes me convenço

Que os milagres da vida

No tormento das nossas incertezas

Nascem da fé, de sonhos, de ilusões.

E assim este “homem-estátua”, mascarado

Não sendo, até julguei que era Camões.

 

Ó homem mascarado,

Ó estátua de carne

Com alma de poeta,

Eu vi-te nessa tarde, no Chiado.

E se tiver em mim alguma fé

Até direi que nessa tarde eu vi

Camões ressuscitado!

 

Orlando Lizardo



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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011
TRIBUNA DOS TERTULIANOS

 

 

O PALCO DA MINHA INFÂNCIA

 

Sou uma mulher do campo,

Nasci em lençol de espigas

Embalaram-me as cigarras

Com as suas frementes cantigas.

 

Entre um montado de esperança

Eu vi o bailado das folhas

Tão certinho lá nos montes

Ouvi a voz das montanhas

E o doce palrar das fontes.

 

No palco da minha infância

Escutei na esquina da noite

Lindos contos de encantar

Quando a lua madrinha

Com toda a sua doidice

Entrava p’ la pequena janela

Da minha meninice.

 

E com aquela cara tão bela

A sua voz mansinha

E suas mãos prateadas

Lentamente me vinha acariciar.

 

Hoje guardo em meu regaço

Elo do qual eu não me desfaço:

A mansidão do Alentejo.

 

Graciett Vaz

 

*

 

 

O LIVRO


Um livro é um pedaço de nós

Onde se expressa a alegria e a tristeza

É o erguer da nossa voz

É voar para parte incerta

É um lançar de um alerta

À Humanidade e à Natureza.

 

Eugénia Chaveiro

 

*

 

DESESPERO

 

As flores crepitam

Nas labaredas da fogueira

 

Onde me queimo

Onde me ardo

Onde me asso

 

Me desfaço…

 

Deixando que o amor, ao vento,

Se desvaneça em fumo

 

Aqui e além!

 

Lobo Mata



publicado por assismachado às 11:31
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